Em meio à precarização e jornadas intensas, a GigU mapeia o cotidiano de quem move a economia por aplicativo no Brasil
Três em cada cinco motoristas deixariam os aplicativos se tivessem outra opção de trabalho. Levantamento nacional com mais de mil profissionais mostra longas jornadas, altos custos e sentimento de insegurança entre os trabalhadores que movem a economia por aplicativo no Brasil
O trabalho por aplicativo, que começou como promessa de autonomia e flexibilidade, tornou-se, para muitos, a principal fonte de sobrevivência. A nova edição da Pesquisa Nacional dos Trabalhadores de App, realizada pela GigU, mostra que 60,5% dos profissionais deixariam os aplicativos imediatamente se tivessem outra opção de trabalho. O levantamento revela um retrato de jornadas exaustivas, lucros apertados e uma relação marcada pela falta de transparência e diálogo com as plataformas.
Mais de dois terços dos entrevistados (67,9%) afirmam que atuam por necessidade, e não por escolha. A principal motivação é o complemento de renda (39,5%), seguida do desemprego (35,8%) e da flexibilidade de horário (31,2%). Apesar de o modelo ser amplamente difundido — segundo a Pnad Contínua, entre 2022 e 2024 mais de 300 mil pessoas passaram a trabalhar via plataformas digitais — o estudo da GigU mostra que, na prática, os ganhos são instáveis e os custos elevados, tornando o equilíbrio financeiro difícil de alcançar.
“Sabemos que os motoristas e entregadores valorizam a flexibilidade e que é possível ser mais eficiente nas plataformas. Por isso, nosso foco é ajudar os motoristas a potencializar seus ganhos, aumentando a renda e gastando menos horas na rua”, afirma Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da GigU, fintech social que apoia motoristas de aplicativo com soluções financeiras e de segurança personalizadas.
Lucro baixo, custos altos
A realidade financeira dos trabalhadores de app é marcada por margens estreitas. Quase quatro em cada dez (38,3%) ganham até R$ 5 mil por mês, mas 74,6% gastam até R$ 3,5 mil para se manter na atividade — com combustível, manutenção, alimentação, seguro e aluguel de veículos. O resultado é um equilíbrio complexo: 44,2% relatam dificuldade para pagar as contas e 43,2% já atrasaram despesas básicas, como luz, água e gás.
Falta de segurança e desconfiança nas plataformas
O sentimento de insegurança é quase unânime entre os trabalhadores por aplicativo. Segundo a pesquisa, 59,1% já sofreram algum tipo de violência ou assédio durante o trabalho, e apenas 3,4% afirmam se sentir totalmente seguros. A percepção de que o ambiente é hostil vai além das ruas: 58,2% consideram que as plataformas não são transparentes sobre valores, taxas e bloqueios, e 15,5% já tiveram contas suspensas sem explicação.
O resultado é um quadro de desconfiança generalizada — 77,3% acreditam que as empresas não se preocupam com o bem-estar dos trabalhadores. “O motorista sente que está sempre sendo vigiado, mas raramente é ouvido. Falta clareza sobre critérios de bloqueio, taxas e ganhos. A tecnologia pode — e deve — ser usada para reequilibrar essa relação, devolvendo autonomia e informação a quem está na ponta”, comenta Luiz Gustavo Neves, da GigU.
A startup busca justamente preencher esse vazio de suporte e diálogo, oferecendo uma plataforma de apoio financeiro e emocional, com ferramentas de monitoramento de custos, cálculo de rentabilidade e câmera de segurança. A proposta é transformar a experiência de trabalho por aplicativo em algo mais sustentável, onde a tecnologia reequilibre a relação com as plataformas..
O que esses profissionais pedem:
Quando questionados sobre o que tornaria o trabalho mais digno e sustentável, a mensagem foi clara: 96,4% pedem aumento nos ganhos por corrida ou entrega, e 75,1% defendem redução das taxas cobradas pelas plataformas. Outros pedidos frequentes incluem mais segurança no trabalho (58,8%), melhor atendimento e suporte (54%) e transparência nas relações (57,2%).
Para a GigU, o recado é inequívoco: não se trata de rejeitar o modelo digital, mas de conseguir condições mais equilibradas. “Os aplicativos transformaram a mobilidade e a geração de renda, mas ainda há um abismo entre a promessa de autonomia e a realidade da categoria. Nosso objetivo é usar dados e tecnologia para fechar essa distância, melhorando não só o ganho, mas também a qualidade de vida desses profissionais”, conclui Neves.
GigU
Criada em 2017, a GigU (anteriormente chamada StopClub) é uma startup focada em apoiar motoristas e entregadores de aplicativo por meio de ferramentas colaborativas que ajudam esses trabalhadores em seus desafios diários. Está entre as missões da GigU criar uma comunidade unida e cada vez maior, que ofereça soluções de segurança e financeira personalizadas de acordo com a dor e necessidade de cada trabalhador. Atualmente a GigU é a maior comunidade de trabalhadores de aplicativo do Brasil somando mais de 250 mil usuários em uma rede de compartilhamento de conhecimentos e experiências.















