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Síndrome dos ovários policísticos (SOP): quando o desequilíbrio hormonal afeta todo o organismo

  • Destaque 1-vitalidade, Saúde, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2026-09-11
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) costuma ser associada apenas a alterações nos ovários, mas seus efeitos vão muito além do sistema reprodutivo. Considerada uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade fértil, mundialmente a condição afeta cerca de 10% a 13%  desta população e pode permanecer sem diagnóstico por anos. Trata-se de uma doença crônica, com repercussões hormonais, metabólicas e emocionais.

Para a cientista Izabelle Gindri, especialista em saúde hormonal, a SOP está relacionada, principalmente, ao aumento dos níveis de andrógenos, hormônios que, embora também estejam presentes normalmente no organismo feminino, podem aparecer em concentrações elevadas na síndrome e a alterações na ovulação. “Na prática, os sinais podem variar bastante. Menstruações irregulares, períodos muito espaçados ou ausência de sangramento são manifestações frequentes. Também podem surgir acne persistente, pele oleosa, aumento de pelos no rosto e no corpo e queda ou afinamento dos cabelos”, explica Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas, Dallas), farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil.

Em mulheres adultas, a avaliação costuma considerar a presença de ao menos dois de três elementos, sinais ou exames que indiquem excesso de andrógenos, irregularidade ou ausência de ovulação e aparência policística dos ovários, depois de excluídas outras causas que possam produzir sintomas semelhantes. Por isso, a investigação deve ser individualizada e não pode se basear apenas em uma ultrassonografia.

Resistência à insulina é peça importante

Um dos aspectos que ajudam a explicar por que a SOP afeta todo o organismo é sua relação com a resistência à insulina. Nesta situação, as células respondem menos adequadamente ao hormônio responsável por facilitar a entrada da glicose nos tecidos. O organismo pode compensar produzindo mais insulina, o que está associado a maior risco de pré-diabetes e diabetes tipo 2.

“A resistência à insulina pode ocorrer mesmo quando a pessoa não apresenta excesso de peso. Por outro lado, o ganho de peso, especialmente na região abdominal, pode aumentar o risco de complicações metabólicas. Mulheres com SOP também apresentam maior probabilidade de alterações de colesterol, pressão alta, doença cardiovascular e apneia do sono. A avaliação clínica deve, portanto, incluir o acompanhamento do risco metabólico, e não apenas dos sintomas ginecológicos”, reforça Izabelle Gindri.

Menstruação irregular e impacto na fertilidade

A irregularidade menstrual é uma das manifestações mais visíveis da SOP. Como a ovulação pode acontecer de forma infrequente ou não ocorrer em determinados ciclos, a menstruação pode ficar imprevisível. Em algumas mulheres, os intervalos entre os sangramentos são longos, em outras, pode haver sangramento intenso ou prolongado.

Essa ovulação irregular também ajuda a explicar a relação entre SOP e infertilidade. A síndrome é uma das principais causas de infertilidade por falta de ovulação. Isso, porém, não significa que uma mulher com SOP não possa engravidar. Com acompanhamento médico e tratamento adequado, é possível melhorar a ovulação e as chances de gestação. 

Tratamento é individualizado

Segundo a especialista Izabelle Gindri, não existe uma única receita para controlar a SOP. A estratégia depende dos sintomas, do risco metabólico, da idade e, principalmente, de haver ou não desejo de engravidar.

 “Alimentação equilibrada, atividade física regular e outros hábitos de vida saudáveis fazem parte do cuidado de todas as pacientes, independentemente de haver perda de peso”, diz.

Mais do que controlar uma menstruação irregular ou melhorar a aparência da pele, o acompanhamento da SOP busca proteger a saúde no longo prazo. A ausência prolongada de ovulação pode aumentar o risco de alterações no endométrio, enquanto as repercussões metabólicas exigem atenção contínua.

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