Com 37 anos de trajetória, o Grupo Teatro da Garagem, de Lisboa, parte da obra do dramaturgo franco-romeno Eugène Ionesco
A montagem “O Rinoceronte”, do grupo Teatro da Garagem, residente no Teatro Taborba, em Lisboa, fará duas únicas apresentações, nos dias 02 e 03 de outubro, às 19h, no Museu de Arte da Bahia. Com encenação do diretor português Carlos J. Pessoa, “O Rinoceronte” parte da obra do dramaturgo franco-romeno Eugène Ionesco, repondo em cena uma fábula urgente da contemporaneidade, onde a metamorfose que se espalha na cidade da trama e transforma humanos em criaturas que avançam em massa, é percebida como figura do deslizamento político do nosso tempo.
“A peça torna visível a ascensão da des-democracia — o consenso fácil, o extremismo difuso, o fascínio pela unanimidade. A encenação aprofunda o conflito entre a pessoa e o rosto. O rosto aparece como a superfície vigiada do tempo atual: lugar onde a identidade é exigida, moldada ou devorada. A pessoa, nesse combate silencioso, procura manter intacto um espaço interior que não se renda. Com brandura lúcida, o humor de Ionesco torna-se ferramenta crítica: o riso ilumina o perigo, desfaz a rigidez e impede o pensamento de se fechar”, define Carlos J. Pessoa. Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), disponíveis através do Sympla (https://shorturl.at/Pj1wP ) e no local.
As apresentações fazem parte do fluxo de cooperação internacional com países lusófonos, reunindo o Teatro Vila Velha realiza, em parceria com a produtora CEM Palcos (Viseu/Portugal) e o Teatro da Garagem (Lisboa/Portugal), em mais uma etapa do projeto “Conexão além-mar: Brasil & Portugal”.
Fortalecendo essa trajetória colaborativa, artística e cultural, que tem suas origens na década de 1990, a iniciativa seguirá por um ciclo extenso (de 2026 a 2028) que inclui intercâmbios de formação, processos criativos e diversas circulações de espetáculos, eventos e ações entre Brasil e Portugal.
Para ficar atualizado e bem informado sobre todos os eventos e projetos, acesse o instagram @teatrovilvelha e o site www.teatrovilavelha.com.br e acompanhe as novidades da programação.
O Teatro Vila Velha conta com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.
SOBRE O TEATRO VILA VELHA
Com mais de 60 anos de história (completados em 31 de julho de 2024), o Teatro Vila Velha é um dos mais importantes e inovadores espaços de difusão artística do Brasil. Fundado em 1964 pela Sociedade Teatro dos Novos, está localizado no Centro de Salvador BA. Tem como missão fomentar a criação artística coletiva e comprometida com a reflexão e o respeito à diversidade. O Vila mantém intensa programação presencial e virtual, tem seus próprios programas de formação artística – a universidade LIVRE, que já revelou grandes nomes da arte nacional, e o Pé de Feijão que inicia crianças, adolescentes e professores no universo das artes da cena – e recebe espetáculos e artistas do mundo inteiro. Atualmente, o Vila começa a passar por uma reforma financiada pela Prefeitura de Salvador. Por essa razão, deu início ao programa ‘O Vila Ocupa a Cidade’, uma série de ações, criações e colaborações que mantém o Teatro Vila Velha atuante e presente, ao longo de 2024 a 2026, em diversos outros teatros e espaços culturais. A marca de um espaço sempre em experimentação, formação artística e constante diálogo com a sociedade.
SOBRE A CEM PALCOS
A CEM Palcos é uma estrutura de criação e programação artística, sediada em Viseu, Portugal. Três eixos essenciais dão voz, corpo e movimento à sua prática artística. Promove novas dramaturgias, contemporâneas e relevantes, com atenção ao território de origem, mas num diálogo constante entre o local e o universal. Defende que a criação performativa não tem de ficar confinada aos palcos tradicionais e aposta na experimentação de novas formas de criação e apresentação, levando os espetáculos a espaços e contextos não convencionais, em estreita relação com as suas comunidades. Acredita que, nas artes, há lugar para todos — não apenas como espectadores, mas também como participantes e criadores.
Ao longo do seu percurso, a CEM Palcos consolidou-se como uma estrutura de referência, com projetos e espetáculos marcantes, como: Esse Caminho Longe (2023) com artistas de São Tomé, Portugal e Brasil; Facas e Flores (2024) com artistas de França, Argentina e Portugal; NOVe (2020 – 2025) programa internacional de novas dramaturgias; Diálogos (2020 – 2025) programa de residências artísticas em meio rural; Grande Colheita (2023) espetáculo inclusivo com jovens em risco de exclusão. A experiência internacional, evidenciada por parcerias e criações em São Tomé e Príncipe e Brasil, tem desempenhado um papel fundamental na evolução da sua abordagem artística e comunitária, ampliando possibilidades de trabalho em rede e fortalecendo práticas de inclusão, experimentação e diálogo intercultural.
SOBRE O TEATRO DA GARAGEM
O Teatro da Garagem (TG) é uma companhia de teatro e instituição de utilidade pública, que celebra em 2026 trinta e sete anos de atividade regular. Ao longo do seu percurso, tem dedicado o seu trabalho artístico à pesquisa e à experimentação, explorando novas formas de escrita para teatro e as invenções cénicas que as acompanham, numa prática contínua de reflexão sobre o mundo contemporâneo.vDesde a sua fundação, a questão do reconhecimento e da comunicação através do Teatro tem sido um motor essencial do trabalho da companhia, desencadeando um permanente questionamento artístico e um impulso de inovação que se podem sintetizar num conceito central: Abertura.
Como o nome indica, o Teatro da Garagem iniciou a sua atividade numa garagem dos subúrbios de Lisboa — um território híbrido, de cruzamento de paisagens, referências e vivências. Essa origem marcou de forma indelével a estética da companhia e a escrita do seu dramaturgo, encenador e diretor artístico, Carlos J. Pessoa, orientando o trabalho para zonas de alteração e deslocamento, bem como para a valorização do intangível — tudo aquilo que contribui para o refinamento do discurso artístico e para a sua qualidade, densidade e ressonância no tempo.
O percurso do Teatro da Garagem é amplamente reconhecido a nível nacional e internacional, pelo público, pela crítica especializada, pelas instituições culturais e pelas estruturas governamentais. Esse reconhecimento acrescenta ao projeto uma responsabilidade acrescida para com a comunidade local, nacional e internacional, entendendo o Teatro como espaço de pensamento, partilha e intervenção.
Desde 2005/2006, o Teatro da Garagem é companhia residente do Teatro Taborda, a convite da EGEAC e da Câmara Municipal de Lisboa, consolidando um percurso singular no panorama teatral português.









