Tradicionalmente associada à terceira idade, a trombose tem se tornado uma ameaça silenciosa e crescente entre os jovens. A condição ocorre quando um coágulo de sangue bloqueia a circulação em uma veia profunda e vem registrando um aumento preocupante de internações entre adolescentes e adultos jovens no Brasil.
Segundo estudo publicado na revista científica Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS), o Sistema Único de Saúde (SUS) registra, em média, 200 novas internações por trombose por dia no país. O dado que mais chama atenção, porém, é o crescimento dessas internações entre jovens de 15 a 19 anos e adultos de 20 a 39 anos.
Para a Dra. Anna Paula Weinhardt, médica vascular que usa a Medicina do Estilo de Vida como parte de sua abordagem, o aumento dos casos está diretamente relacionado à forma como as pessoas vivem. “As decisões que você toma hoje sobre seu estilo de vida podem cobrar um preço no futuro . Fatores como uso de anticoncepcionais, obesidade, tabagismo, sedentarismo, viagens longas, passar muito tempo sentado e genética aumentam significativamente o risco de trombose em qualquer idade”, alerta a especialista.
O perigo do diagnóstico tardio
A identificação precoce da trombose é fundamental, mas nem sempre é simples. Os primeiros sinais costumam ser confundidos com problemas comuns do dia a dia, como uma cãibra persistente, dor muscular após um esforço físico ou um inchaço considerado “normal”. Essa interpretação equivocada pode atrasar a procura por atendimento médico e aumentar o risco de complicações graves, como embolia pulmonar e morte súbita. Por isso, a Dra. Anna Paula orienta que a população fique atenta aos seguintes sintomas:
- Dor unilateral na panturrilha ou coxa: é frequentemente descrita como uma cãibra persistente, um fisgão ou uma queimação interna contínua. Caso ela acometa apenas um lado do corpo e se intensifique significativamente ao apoiar o pé no chão ou ao caminhar, é preciso procurar um médico.
- Inchaço em apenas uma perna: ocorre quando a perna afetada ganha um volume visivelmente maior em relação à outra. A região fica rígida, acompanhada por uma sensação de “perna pesada” e vermelhidão provocada pelo acúmulo e represamento do sangue venoso;
- Mudança na cor da pele: a pele da região acometida perde seu aspecto natural, podendo ficar avermelhada, arroxeada ou com uma aparência brilhante e endurecida;
- Veias mais visíveis ou endurecidas: como a veia principal está obstruída pelo coágulo, o sangue busca caminhos alternativos para subir. Isso faz com que as veias superficiais fiquem visivelmente mais dilatadas;
- Falta de ar súbita, tosse e dor no peito: quando a trombose evolui para embolia pulmonar (TEP) ocorre um cansaço repentino, inexplicável e sem esforço físico prévio. A respiração fica curta e rápida, acompanhada por uma dor no peito em pontada que tende a piorar ao inspirar fundo ou tossir.
Prevenção
Ainda segundo estudo publicado na Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS), programas de saúde pública voltados à conscientização da população e à redução dos fatores de risco, como o incentivo à prática regular de atividade física e o combate ao tabagismo, representam a estratégia mais eficaz e de menor custo para reduzir a incidência da trombose venosa profunda (TVP).
A Dra. Anna Paula Weinhardt reforça essa conclusão e destaca que a prevenção começa nas escolhas do dia a dia. “Praticar atividade física, manter-se hidratado, evitar o cigarro e realizar acompanhamento médico, especialmente em caso de uso de anticoncepcionais ou presença de doenças circulatórias como as varizes, são medidas importantes para reduzir o risco da doença. Além disso, quem passa muitas horas sentado ou realiza viagens longas deve levantar-se periodicamente, movimentar os tornozelos ou caminhar”, orienta.
Segundo a especialista, alguns hábitos fazem a diferença na prevenção da trombose:
- Atividade Física: envolve a prática regular e consistente de exercícios, com recomendações gerais de 150 a 300 minutos de atividade moderada ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa por semana, incluindo exercícios de força.
- Hidratação: é preciso estar sempre atento ao consumo de água, que deve chegar de 2 a 3 litros por dia.
- Redução do uso de substâncias nocivas: foca na cessação do tabagismo, na moderação ou eliminação do consumo de álcool que pode contribuir com desidratação e favorecer formação de coágulos no sangue.
- Manter o peso e tratar a obesidade: pessoas com maior volume abdominal tendem a ter maior dificuldade no retorno venoso e favorecer a formação de coágulos (trombose) nas pernas.
Sobre Anna Paula Weinhardt: Dra. Anna Paula Weinhardt é médica e cirurgiã vascular, referência nacional há mais de 15 anos no cuidado da saúde vascular e estética corporal. PhD em Ciências da Saúde pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e pós-graduada pela Harvard Medical School, a médica já atendeu milhares de pacientes em todo o Brasil com ênfase na medicina do estilo de vida, integrando prevenção, bem-estar e cuidados personalizados.
Em sua abordagem, dedica-se ao diagnóstico e tratamento de doenças vasculares, como varizes, trombose e lipedema, com expertise em procedimentos minimamente invasivos, protocolos baseados em evidências e acompanhamento individualizado, visando sempre a saúde vascular, qualidade de vida e longevidade.








