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A força feminina das favelas: projeto destaca resistência e transformação das mulheres periféricas

  • Atitude, Comportamento, Principal, Sub-Editoria Atitude
  • 2025-12-04
  • Sem comentários
  • 5 minutos de leitura

The Conversation
Nilza Rogéria de Andrade Nunes – Professora Associada do Departamento de Serviço Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
Alessandra Cruz – Doutoranda em Comunicação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

Norma Maria de Souza nasceu em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. Um lugar que não tinha luz e nem ruas pavimentadas. As enchentes eram frequentes e graves. A infância foi marcada por muitas brincadeiras na rua com os amigos, mas também pela pobreza e vulnerabilidade. Aos três anos, perdeu a mãe. Seu pai casou novamente, mas morreu quando ela tinha cerca de 15 anos. A família também foi impactada pela morte prematura de um dos irmãos por bala perdida. As tragédias não acabaram por aí, mas se perpetuaram.

Norma teve 3 filhos. Kevin, o terceiro, sofreu sequelas de um parto marcado por várias violações que levaram a uma paralisia cerebral muito severa. Ela sofreu ainda do descaso e da falta de acolhimento. Mas o pior ainda estava por vir…

O companheiro não aceitava um filho com deficiência neurológica e se tornou um agressor. Agressões físicas e psicológicas. Norma se separou do marido e foi para a luta. Nessa trajetória, acabou encontrando outras mulheres vivenciando situações semelhantes.

Esperança vence desafios

Em 2003, essas mulheres se uniram e criaram o grupo Marias – uma rede de mães para defender direito, saúde e dignidade para suas crianças com deficiência. O projeto Marias atende, hoje, cerca de 350 mães de crianças com deficiência. Na união encontram apoio e se ajudam.

Nesse processo, muitas mães se formaram. São pedagogas, psicólogas, professora de educação física e enfermeiras. Norma é pedagoga e já concluiu 10 pós-graduações entre saúde e educação, fez mestrado e está terminando o doutorado.

Mulher de favela

O relato acima faz parte de um projeto do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio, liderado por mim. A ideia foi contar as trajetórias de lideranças femininas que transformam positivamente realidades e contextos favelizados e periféricos.

Com esses relatos potentes resolvemos criar o audiolivro “Mulher de Favela”. Nossa proposta é ampliar a visibilidade dessas narrativas, com as histórias sendo contadas na voz das próprias mulheres. A iniciativa, já reúne 30 capítulos com diferentes histórias de vida e luta, cada um dedicado a uma liderança comunitária. Em nossa opinião, ajudam a registrar a atuação de um feminismo negro e periférico, combinando memória, denúncia social e valorização de saberes locais.

A opção pelo formato em áudio vem do desejo de abrir espaços para que essas mulheres narrem suas próprias histórias. A distribuição em diferentes plataformas digitais tem o objetivo de permitir a ampla difusão e acesso ao público, contribuindo para o reconhecimento e fortalecimento das vivências de mulheres que atuam como agentes de mudança em seus territórios.

Aos 92 anos, Dona Zica e a luta da mulher periférica

Entre as 30 mulheres, destaco depoimentos de Dona Zica, que ajudou a fundar o Sindicato das Empregadas Domésticas do Rio de Janeiro e, hoje, mesmo com 92 anos, ainda participa da luta a favor dos direitos de mulheres periféricas.

Outro exemplo é a jovem Lua Oliveira, que começou a atuar pela comunidade da Ladeira dos Tabajaras aos 12 anos, quando fundou a biblioteca comunitária Mundo da Lua, dentro de sua própria casa. Atualmente, com 17 anos, ela já ajudou na criação de mais de 120 salas de leitura em favelas e periferias do Rio de Janeiro, e em outros cinco estados brasileiros.

Além das histórias de vida das lideranças femininas, o audiolivro “Mulher de Favela” aborda temas diversos, como a violência contra a mulher, acesso à saúde, educação e memória dos territórios.

Injustiças sociais

No Brasil, as mulheres negras estão na intersecção de múltiplas desigualdades e seus direitos são atacados repetidamente. Nesse sentido, relacionar a atuação dessas lideranças femininas das favelas e periferias e suas experiências frente aos determinantes sociais da saúde é um princípio orientador de nosso projeto de pesquisa.

A ideia foi discutir a relação entre saúde e as experiências dessas mulheres nesses territórios urbanos permeados por injustiças sociais e, acreditamos, que isso tem contribuído em nossas pesquisas e intervenções para aprofundar propostas de estratégias e caminhos possíveis para atuar nas dimensões da saúde, conectando-a ao social, cultural e politicamente. A médio e longo prazos, poderemos avançar na implementação atividades de apoios e programas específicos para mulheres reorientarem também atividades geradoras de renda.

Os vários tipos de feminismos

Nosso projeto se baseou em uma pesquisa-ação participativa. E nos ofereceu uma maneira de ver como se reproduzem as opressões dentro das favelas.

No início, nos interessava verificar a participação dessas mulheres nas ações micropolíticas de mobilização e mediação com o poder público. Vale destacar que essas mulheres subvertem a ordem e desenvolvem um modo particular de uma consciência feminista feminina, considerando o que algumas chamam de “feminismo popular”.

Esse feminismo difere do feminismo “convencional” de duas maneiras: é frequentemente construído e expresso em lutas que não são feministas a priori e frequentemente desafia os valores políticos do feminismo. Inquieta-nos se tais atuações se refletem sobre o campo feminista que se pode compreender como “feminismo em movimento” ou mesmo o chamado “popular feminismo”.

Estávamos atentas às novas representações sobre as favelas que se materializam nas falas, sobretudo, quando os sujeitos que falam são considerados (e se consideram) pessoas de referência. E a ideia foi examinar as tensões, representações e práticas das mulheres nesses contextos de exercício e consolidação do poder no âmbito local. Verificamos que elas utilizam de múltiplas formas de combater as opressões.

Acreditamos que correlacionar a interseccionalidade ao mesmo tempo a um “projeto de conhecimento” foi e é uma arma política. Para nós é fundamental pensar conjuntamente as dominações. Acreditamos que isso possa contribuir para a não reprodução, impulsionando sentidos e ecoando vozes.

Do Rio para o país

Com financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, nosso estudo mostrou que as condições sociais e a precariedade e/ou insuficiência na oferta de serviços públicos correlacionados aos níveis de pobreza acentuam a importância dessas mulheres. Elas percorrem longos caminhos para a reversão das vulnerabilidades e resistem nas lutas coletivas de cidadania e de direitos humanos fundamentais.

Consideramos que este projeto trouxe e ainda trará muitas contribuições tanto para o Estado do Rio de Janeiro como para outros estados. A proposta é aperfeiçoar aprendizados a partir de experiências e práticas que apresentem potencial multiplicador e que possam incidir em formulação de políticas públicas.

Acreditamos na criação coletiva para a construção de um país mais igualitário e solidário, com mulheres negras na liderança desses movimentos para que possamos caminhar em direção a equidade, independentemente de raça, gênero, identidade de gênero e orientação sexual e que seja a base para uma vida digna.

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