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Afinal, o que é felicidade?

  • Atitude, Comportamento, Principal, Sub-Editoria Atitude
  • 2025-10-03
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

O que a neurociência revela e como aplicar no dia a dia

A busca pela felicidade atravessa séculos de filosofia, religião, arte e ciência. De Aristóteles a Byung-Chul Han, passando por psicólogos contemporâneos como Martin Seligman, o desejo de compreender e viver esse estado é um dos grandes motores da humanidade. Mas, nas últimas décadas, esse tema deixou de ser apenas objeto de reflexão existencial para ganhar espaço também nos laboratórios.

Hoje, a neurociência, a psicologia positiva e a psicanálise oferecem novas lentes para compreender como o cérebro processa emoções, o que sustenta o bem-estar e como cultivar, de forma prática, uma vida mais plena.

O que é felicidade para a neurociência?

Do ponto de vista científico, felicidade não é apenas um instante de euforia, mas um estado subjetivo de bem-estar emocional e satisfação com a vida. O cérebro regula essas emoções positivas através de circuitos ligados a neurotransmissores como:

  • Dopamina – associada à motivação e à recompensa.
  • Serotonina – ligada ao humor estável e ao sono.
  • Ocitocina – relacionada ao vínculo, afeto e confiança.
  • Endorfina – responsável pela sensação de prazer e alívio da dor.

Mais do que conquistas materiais, estudos indicam que os pilares da felicidade duradoura são:

  • Relações significativas;
  • Sentido de propósito;
  • Autorregulação emocional;
  • Autoconhecimento.

Big Five: como sua personalidade influencia sua felicidade

A teoria dos Cinco Grandes Traços da Personalidade (Big Five), validada pela psicologia, ajuda a compreender como experimentamos a felicidade.

  1. Extroversão – Pessoas extrovertidas e emocionalmente estáveis vivenciam mais emoções positivas.
    • Prática: investir em momentos sociais, cultivar redes de apoio.
  2. Neuroticismo – Altos níveis aumentam a vulnerabilidade ao estresse e à ansiedade.
    • Prática: técnicas de mindfulness, respiração e autocuidado.
  3. Conscienciosidade – Ligada à realização de metas e ao sentimento de progresso.
    • Prática: definir objetivos realistas e celebrar pequenas conquistas.
  4. Agradabilidade – Constrói vínculos empáticos e fortalece relações.
    • Prática: exercitar escuta ativa, gratidão e comunicação não violenta.
  5. Abertura à Experiência – Estimula criatividade e crescimento pessoal.
    • Prática: explorar novos aprendizados, viagens culturais, artes e ideias.

O que a ciência diz sobre as chances de ser feliz

Pesquisas sugerem que nossa felicidade depende de uma combinação de fatores:

  • 50% genética e traços de personalidade
  • 10% circunstâncias externas
  • 40% escolhas conscientes e hábitos

Isso significa que, embora o contexto influencie, boa parte do bem-estar pode ser cultivada no cotidiano.

Filosofia, psicologia e cultura: múltiplos olhares

  • Filosofia clássica: para Aristóteles, a felicidade (eudaimonia) era o propósito maior da vida – viver em plenitude e virtude.
  • Estoicismo: pensadores como Sêneca pregavam que a felicidade nasce da aceitação do que não se pode controlar.
  • Psicologia positiva: Martin Seligman criou o modelo PERMA (emoções positivas, engajamento, relacionamentos, propósito, realizações) como pilares do florescimento humano.
  • Psicanálise: destaca a busca por objetos de satisfação que gerem alegria e completude subjetiva.
  • Sociedade contemporânea: autores como Byung-Chul Han alertam para a “positividade tóxica”, onde felicidade vira obrigação, performance e consumo.

Felicidade é subjetiva?

Sim – porque nasce da interpretação individual das experiências. Mas também não – porque depende de fatores objetivos como saúde, vínculos e segurança. Além disso, é socialmente construída: muitas vezes, confundimos felicidade com padrões impostos por redes sociais, consumo e visibilidade.

Como aplicar a ciência da felicidade no cotidiano

  • Cultive relações significativas: família, amigos e comunidades oferecem acolhimento e pertencimento.
  • Encontre propósito: pode estar em algo simples, como ensinar, cuidar ou criar.
  • Cuide do corpo e da mente: alimentação, sono e terapia são fundamentais.
  • Pratique presença: desacelerar e saborear o agora fortalece o bem-estar.
  • Aceite a tristeza: ela não é inimiga da felicidade, mas parte dela.
  • Expanda horizontes: leitura, arte, filosofia e espiritualidade ampliam a percepção da vida.

Felicidade é ciência, arte e prática

Afinal, felicidade não é um destino fixo nem um estado permanente. É uma construção feita de biologia, cultura, escolhas e significados. Ao unir ciência e autoconhecimento, aprendemos que ser feliz não é “estar sempre bem”, mas viver de forma coerente com quem somos e com aquilo que nos importa.

Ou, como resume a neurociência: a felicidade é menos sobre grandes conquistas e mais sobre como nos relacionamos com o presente.

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