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Ano novo, cérebro antigo: por que mudar hábitos é tão difícil?

  • Destaque 2-envelhescência, Envelhescência, Sub-Editoria Envelhescência
  • 2026-01-11
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Virada de ano costuma despertar promessas de planos, mas poucas pessoas conseguem sustentá-las

A chegada de um novo ano costuma vir acompanhada de listas com planos, metas, promessas e expectativas de transformação. Alimentação, atividade física, trabalho e relacionamentos são temas comuns. A questão é que, logo depois da virada do ano, grande parte dessas resoluções é abandonada. Para a neurocientista e psicanalista Ana Chaves, essa dificuldade não é falta de força de vontade, mas, sim, uma resposta natural do cérebro à ameaça que toda mudança representa.

Segundo Ana Chaves, o cérebro humano é programado para preservar padrões conhecidos. Mudar exige gasto energético, ativação de novas conexões neurais e enfrentamento da incerteza. O cérebro tende a priorizar aquilo que já conhece porque isso oferece uma sensação de segurança.

“Hábitos consolidados estão associados a circuitos neurais automatizados, responsáveis por comportamentos repetitivos. Quando uma pessoa tenta romper bruscamente com esses padrões, o cérebro interpreta o processo como risco, ativando mecanismos de estresse e resistência”, explica a neurocientista e psicanalista. 

Ana Chaves acrescenta que desejos inconscientes e conflitos internos também sustentam comportamentos que as pessoas dizem querer abandonar. “Muitas vezes, o hábito que se tenta eliminar cumpre uma função emocional, como aliviar a ansiedade ou evitar o contato com angústias mais profundas. Sem compreender e trabalhar isso, a mudança não vai acontecer”, afirma.

Para a especialista, o início do ano pode ser mais produtivo quando encarado não como um ponto de ruptura radical, mas como um período de reorganização emocional. “Metas muito rígidas ou idealizadas costumam gerar frustrações. Em vez de promessas grandiosas, o caminho mais eficaz passa por metas graduais, autoconhecimento e construção de novos sentidos. Pequenas mudanças consistentes favorecem a neuroplasticidade e reduzem a resistência psíquica”, orienta.

Outro ponto essencial é substituir a lógica da cobrança pela da escuta interna. “Transformações duradouras não nascem da culpa ou da autoexigência excessiva, mas da compreensão de si. Quando o sujeito entende por que faz o que faz, cria-se espaço para escolhas mais conscientes”, finaliza.

Sobre Ana Chaves

Neurocientista e psicanalista renomada, Ana Chaves se dedica a estudar o funcionamento do cérebro humano e a capacitar indivíduos a alcançarem seu potencial máximo. Através de uma abordagem holística e científica, Ana inspira e orienta aqueles que buscam crescimento pessoal e profissional. Colabora com o UOL e Valor Econômico com colunas mensais sobre equilíbrio emocional e desenvolvimento humano. Também realiza palestras e mentorias, já tendo impactado a vida de mais de 5 mil pessoas. Para mais informações: @oficialanachaves no Instagram.

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