Especialista aponta que expectativas elevadas e ritmo acelerado dificultam um início de ano mais equilibrado
O início do ano, tradicionalmente associado a recomeços e planos, tem sido também um período de sobrecarga emocional para milhões de brasileiros. Uma pesquisa divulgada em 2024 pelo Ministério da Saúde aponta que 45% dos brasileiros entrevistados afirmam sofrer de ansiedade, índice ainda mais elevado entre mulheres e jovens adultos. O dado ajuda a explicar por que, para uma parcela significativa da população, janeiro tem sido marcado mais por tensão e cobrança do que por equilíbrio e bem-estar.
No contexto do Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre saúde mental e emocional, o debate ganha novos contornos ao refletir desafios contemporâneos. A pressa para começar o ano rendendo, a frustração diante de metas difíceis de cumprir e a dificuldade de manter hábitos saudáveis em meio à rotina acelerada.
Para o Dr. Edson Kruger Batista, psiquiatra e consultor médico da ViV Saúde Mental e Emocional, esse conjunto de fatores cria um terreno fértil para o aumento da ansiedade logo nas primeiras semanas do ano.
“Existe uma expectativa social de que janeiro seja produtivo, transformador e organizado desde o primeiro dia. Quando a realidade não acompanha esse ideal, muitas pessoas passam a se sentir incapazes ou em atraso, o que impacta diretamente a saúde mental”, explica o especialista.
A tentativa de implementar mudanças bruscas, como rotinas rígidas de exercícios, alimentação extremamente restritiva ou metas profissionais ambiciosas, também contribui para esse cenário. Segundo o psiquiatra, quando esses objetivos não são sustentáveis, o resultado costuma ser frustração precoce, autocrítica excessiva e abandono completo das iniciativas de autocuidado.
Esse impacto emocional também se reflete em indicadores oficiais. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2024, mais de 440 mil trabalhadores foram afastados do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, com quadros de ansiedade entre os principais motivos.
Embora representem apenas os casos que chegam ao afastamento formal, os números evidenciam como o sofrimento psíquico tem repercussões concretas na vida profissional e social.
Para o médico, o Janeiro Branco deve ir além das mensagens motivacionais típicas do início do ano.
“Cuidar da saúde mental não significa cumprir uma lista de resoluções, mas aprender a construir hábitos possíveis, respeitando limites individuais e entendendo que bem-estar emocional é um processo contínuo, não imediato”, reforça Dr. Batista.
Entre as orientações destacadas pelo psiquiatra estão a definição de metas realistas, a valorização do descanso, a prática regular de atividade física de forma gradual, a criação de espaços para diálogo sobre sentimentos e a atenção a sinais persistentes de sofrimento emocional, como alterações no sono, no humor ou na capacidade de concentração.
Mais do que um marco no calendário, o Janeiro Branco se consolida como um convite à reflexão. Em um cenário em que quase metade da população relata sintomas de ansiedade, começar o ano cuidando da mente deixa de ser uma resolução e passa a ser uma necessidade coletiva.
Sobre a ViV Saúde Mental e Emocional
A ViV Saúde Mental e Emocional é o maior grupo de saúde mental do Brasil e oferece tratamento da baixa à alta complexidade, com cuidados personalizados e o propósito de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes.
Presente em seis estados do País e no Distrito Federal (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e São Paulo), com treze instituições e mais de trinta unidades de atendimento com credenciamento de diversos convênios de saúde, a missão da ViV é elevar a vida ao seu melhor e integrar os lados físico, mental e social de cada paciente, com uma abordagem baseada no equilíbrio entre o científico e a sensibilidade humana.
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