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Artista baiano Roney George leva cultura do Recôncavo para nova galeria em Nova York

  • Artes Visuais, Destaque 1, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2026-03-13
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

A cultura do sertão baiano e as dinâmicas do Recôncavo acabam de ganhar uma vitrine de peso no circuito de arte internacional. O artista plástico Roney George é um dos destaques da exposição coletiva que inaugura nesta sexta-feira (13) o novo espaço da Art in Brackets, localizado no badalado bairro de TriBeCa, em Nova York. A mostra explora o intercâmbio artístico e histórico entre o Brasil e a África.

Nascido em Itapetinga, no sudoeste da Bahia, e formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Roney leva para a metrópole americana referências fortes da cultura sertaneja, como a figura dos caboclos de couro. Para o artista, apresentar essa estética ao público nova-iorquino é uma via de mão dupla.

“Eu acho que todas essas relações que temos com os caboclos, com a manipulação e a tecnologia do couro, são coisas que vêm de outros lugares do mundo, então é tudo inter-relacionado. O fato de eu perceber isso como baiano e botar em Nova York é uma percepção de Nova York para coisas que a gente está produzindo. Eu acho isso bom para Nova York.

A exposição coletiva desafia as barreiras entre a arte contemporânea, o design e o artesanato, destacando a estética da diáspora africana e objetos de cultura material. O trabalho de Roney George dialoga diretamente com essa proposta ao transformar a memória ancestral em linguagem visual atual.

“A África é nosso berço, não só da Bahia ou do Brasil, mas do planeta. Sou fruto disso de uma forma mais radical, por ser baiano e dialogar com essas estéticas. Tento trazer isso para o que tem de mim em memória e transformá-las em proposta, em pensamento, em afirmação das coisas que eu penso sobre o mundo”, explicou o artista, que transita com facilidade entre a pintura, o desenho, a ilustração e o muralismo.

A presença na Art in Brackets coroa uma trajetória que começou no interior baiano e se expandiu na capital. A mudança para Salvador ampliou a investigação de Roney sobre os contrastes entre o sertão e a cidade, além de aprofundar o seu próprio autoconhecimento.

“Ser de Itapetinga é fundamental, porque foi lá que aprendi a enxergar o mundo e a me perceber como artista. Fazer essa transição para Salvador foi como uma confirmação de coisas que eu acreditava, mas também aprendendo com coisas que eu não sabia sobre mim mesmo, tipo a minha negritude”, refletiu.

Ele celebra o atual momento da carreira na vitrine internacional: “É uma honra fazer parte disso, ser de Itapetinga e estar participando dessa inauguração em Nova York num momento em que as pessoas estão percebendo de forma sensível os novos acontecimentos do mundo”.

Para colocar no roteiro

O novo espaço da Art in Brackets fica em um edifício histórico na 46 Walker Street, marcando a chegada da consultoria de arte ao bairro que é considerado a nova meca das galerias na cidade norte-americana.

Além de Roney George, a mostra reúne nomes consagrados como o também baiano Adriano Machado, Maxwell Alexandre e Panmela Castro.

Para quem está em Nova York ou planeja visitar a cidade nos próximos meses, a exposição é aberta ao público e segue em cartaz até o dia 2 de maio, com funcionamento de terça a sábado, das 11h às 18h.

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