Trio da banda, Navio Pirata, vai passar pelo circuito Osmar, no Campo Grande, na quinta-feira (27) e no sábado (1º)
Adentrando mais um Carnaval, o Navio Pirata, do BaianaSystem, veste-se de “Balacobaco – O Mundo Dá Voltas”, para passar pelo circuito Osmar, no Campo Grande. A apresentação desta quinta-feira (27) tem patrocínio do Governo do Estado da Bahia e a de sábado (1º) é patrocinada pela Prefeitura Municipal de Salvador. Os dois desfiles têm patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.
No dia 27/2, participam Alice Carvalho, Melly, Sued e Vandal. No dia 1º/3, novamente com Vandal entre os convidados, o Baiana também recebe Pitty, BNegão e Ágatha Macêdo, instrumentista representante da nova geração da guitarra baiana.
Em 2024, o Baiana levou para seu Carnaval o tema “Batukerê: Toda Fé, Toda Paz”. A faixa “Batukerê” abre o disco mais recente do grupo, “O Mundo Dá Voltas”. Alinhado a essa ideia de continuidade, o tema do Carnaval este ano também se ampara no álbum, mas parte da figura do personagem Balacobaco, que dá também nome a uma das faixas do disco.
Balacobaco é uma energia muito antiga, que está intimamente ligada à gênese mais profunda de se fazer um Carnaval, é o querer botar o bloco na rua. “Inclusive, já nos salvou diversas vezes, seja na forma de Caretas do Mingau durante a independência, do Negro Fugido na luta pelo fim da escravidão e até no sagrado, como no culto aos Egunguns”, diz o pesquisador Felipe Brito. Esteticamente, o personagem bebe das representações carnavalescas oriundas destas vertentes citadas, da matriz de Saubara, a coragem das Caretas do Mingau inspira as Caretas de Acupe; já na ilha de Itaparica a matriz dos Mascarados de Manguinhos é inspirada nos Egunguns e Aparakás. Ambos já haviam aparecido durante a pesquisa e a apresentação “Paredão Patuscada”, espetáculo de BaianaSystem e Carlinhos Brown no Festival de Verão de Salvador de 2024.
“A gente sempre foi filho da Zambiapunga, das manifestações do interior da Bahia, das máscaras, da forma que as pessoas fazem festa. Balacobaco é uma homenagem à forma que as pessoas festejam o direito de lutar e lutam pelo direito de festejar. Essas relações são ancestrais. Balacobaco retrata isso”, destaca Russo Passapusso, vocalista do BaianaSystem.
Se todo ano o Navio Pirata se veste a caráter, este ano o Pirata “é do Balacobaco”, expressão comumente utilizada para descrever uma experiência que causa fascínio e admiração, um gosto excepcional, para comunicar que vai ter baile de máscaras. Há um sentido antropofágico no nome. Ao navegar no mar de gente, o Navio Pirata está “comendo com a boca, comendo com o olho”, aprendendo com a multidão organizada, absorvendo e transmitindo a energia necessária para uma catarse coletiva sob o controle da atmosfera, que não é de fantasia, mas um verdadeiro desfile de elementos audiovisuais, performáticos e cênicos que compõem o “mundo mágico, colorido e trágico” , fechando o ciclo que emana do público, transborda em cima do trio e retorna como música na borda infinita da avenida.
Mais sobre o Carnaval “Balacobaco – O Mundo Dá Voltas”
Balacobaco é uma palavra derivada de uma interjeição do dialeto ronga “mba’laku” da língua Tsonga, falado por mais de 650 mil pessoas só em Moçambique e com mais de 500 anos de existência. Assim como muitas palavras do nosso cotidiano têm origem no quimbundo de Angola, Balacobaco é uma evidência de que esses “empréstimos” aconteceram nos demais dialetos e línguas africanas.
Para o Baiana, a criação deste novo personagem é a continuidade da relação com a África oriental, evidente em canções como “Nauliza” (BaianaSystem, Makavelli e Jay Mitta, 2021), que quer dizer “eu pergunto” em suaíli, um dos idiomas oficiais na Tanzânia, e em “Miçanga” (BaianaSystem, Antonio Carlos & Jocafi, 2020), que tem como atmosfera de inspiração o livro “Avó Dezanove e o Segredo do Soviético”, que se passa em uma Moçambique “além do tempo e da geografia”, baseado no livro homônimo do escritor angolano Ondjaki.
É fruto também da experiência contínua da Máquina de Louco na observação do mar de gente. Se lá no começo o personagem que surgiu da multidão era o ser invisível – o Cabeça de Corda – que com seu grito silencioso ecoou a mensagem “você já passou por mim e nem olhou pra mim, acha que eu não chamo atenção, engana seu coração” , em voltas que o mundo deu surgiu – O Balacobaco – que como o primeiro é parte essencial da festa, mas voluntariamente abre mão da sua identidade como uma estratégia para comunicar, sobreviver e festejar. A mensagem agora é “eu sei que você não me nota, eu sei que esse mundo dá voltas” ou ainda “Não importa o que você sabe, o que importa é o que você faz com o que sabe”.
SERVIÇO:
BaianaSystem apresenta “Balacobaco – O Mundo Dá Voltas”
Quando: dias 27/2, às 18h15, e 1º/3, às 15h (horários sujeitos a alterações)
Onde: Circuito Osmar, no Campo Grande

















