Escolher um perfume é um gesto simbólico. Mas para muitos brasileiros que chegam a Paris — um dos centros mais sofisticados da perfumaria global — essa escolha não é guiada por descobertas sensoriais ou conexão emocional. Ao contrário de outros consumidores latino-americanos, que buscam novas experiências, o brasileiro chega decidido: quer marcas icônicas, como Chanel, Dior ou YSL, mesmo que nunca tenha experimentado os perfumes dessas casas.
“A maior parte dos clientes brasileiros que nos visitam já chegam com nomes anotados. Muitos nem conhecem a fragrância, mas desejam usá-la por status, por pertencimento. Acreditam que, ao vestir um perfume como o J’adore ou o Chanel Nº5, estarão acessando um lugar simbólico, de prestígio”, explica Poliana Palhano, gerente da Fragrance de L’Opéra, boutique referência em perfumaria de luxo em Paris.
Segundo ela, a perfumaria comercial ainda domina completamente o consumo brasileiro — mesmo em um cenário europeu, onde a perfumaria de nicho está amplamente disponível. “É um público mais fechado ao descobrimento. Se a marca não estiver em campanhas massivas, nas redes sociais, nos influencers ou na TV, ela não é percebida como valiosa. A compra é baseada em modismo, e não em conexão sensorial”, diz.
Modismo, pertencimento e desejo de validação social
Dados internos da Fragrance de L’Opéra confirmam esse comportamento. Em 2024, o piso dedicado à perfumaria de nicho teve baixíssimo giro com o público brasileiro, mesmo com investimento em comunicação e personalização. Enquanto isso, fragrâncias comerciais intensas lideraram a demanda: Miss Dior, Libre, J’adore e Sauvage aparecem entre os mais vendidos — ao lado da linha autoral Opéra Luxe, cujas vendas se sustentam em parte por consumidores latino-americanos não-brasileiros.
O Brasil é um dos maiores consumidores de perfume do mundo, mas segue valorizando atributos que se alinham à visibilidade e reconhecimento social. “O perfume é uma armadura simbólica. Mas, no caso do brasileiro, ele também é uma chancela. O consumidor quer algo que diga ‘eu pertenço’, e não necessariamente algo que diga ‘eu sou’”, provoca Poliana.
Oportunidade para marcas, desafio para a inovação
A busca por perfumes famosos é legítima e movimenta cifras bilionárias. No entanto, esse perfil de consumo também limita o acesso a criações mais ousadas, sensoriais e autorais — que marcam o presente e o futuro da perfumaria mundial.
A própria Fragrance de L’Opéra vem investindo em ações para ampliar esse repertório: conteúdos em português, atendimento trilíngue e uma curadoria que equilibra marcas consagradas com novos nomes da alta perfumaria.
“Queremos oferecer experiências além do frasco. Mas para isso, é preciso que o consumidor também queira descobrir. É um caminho de construção de cultura olfativa”, finaliza Poliana.
Sobre Fragrance de L’opéra
Reconhecida como uma das lojas de cosméticos mais procuradas em Paris, a Fragrance de L’Opéra é referência em perfumes de nicho e comerciais, oferecendo uma seleção exclusiva das melhores marcas do mercado. Localizada no coração da cidade, próxima à icônica Ópera Garnier, a perfumaria se destaca por seu atendimento personalizado e curadoria sofisticada, proporcionando aos clientes uma experiência única no universo das fragrâncias.















