Legado de Santa Dulce dos Pobres inspira modelo de cuidado humanizado no Brasil
No próximo 7 de abril, quando é celebrado o Dia Mundial da Saúde, uma história nascida na Bahia ajuda a traduzir, na prática, um conceito que hoje mobiliza organizações em todo o mundo: o cuidado integral com o ser humano. As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), um dos maiores complexos de saúde do Brasil com atendimento 100% gratuito, guardam em suas origens um dos episódios mais emblemáticos na vida de uma freira baiana que viria a se tornar a primeira santa brasileira, a Santa Dulce dos Pobres.
Em 1949, sem ter para onde ir com cerca de 70 doentes recolhidos das ruas de Salvador, Irmã Dulce ocupou um simples galinheiro localizado ao lado do Convento Santo Antônio, no bairro do Bonfim. Décadas depois, o local deu origem a uma estrutura que hoje impressiona, e que responde, somente na sede da OSID, por mais de 2 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano – volume que alcança os 4 milhões quando somado à atuação da instituição em âmbito estadual.
O antigo galinheiro virou então sinônimo de cura e esperança para mais de 3 milhões de pessoas por ano na Bahia, incluindo pacientes oncológicos, idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, crianças e adolescentes em situação de risco social, usuários de substâncias psicoativas, pessoas em situação de rua, e demais usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
“As Obras Sociais Irmã Dulce são a prova viva de um milagre que se renova a cada dia. É a materialização do sonho de Irmã Dulce por uma Saúde digna, gratuita e universal. Aqui, cada paciente é acolhido de forma integral; a partir de um cuidado humanizado que enxerga no paciente não apenas a doença, mas sua vida como um todo”, destacou a superintendente da OSID e sobrinha de Santa Dulce, Maria Rita Pontes.
A coordenadora médica do Centro de Geriatria da OSID, Manuela Magalhães, relembra o legado de Irmã Dulce e destaca sua capacidade de inovar em um período em que a assistência social e a saúde ainda eram tratadas de forma fragmentada. “Irmã Dulce foi uma visionária. Em 1986, ela estruturou uma moradia para a população idosa, quando poucos enxergavam o idoso como alguém em quem se pudesse investir. Poderia ter oferecido apenas abrigo, mas foi além: formou uma equipe interdisciplinar e estruturou um modelo de cuidado integrado, que permanece até hoje. Ela enxergou que um galinheiro poderia se transformar em uma instituição de saúde e compreendeu a assistência como algo muito maior do que apenas o atendimento médico”.
Com mais de 720 leitos hospitalares somente em sua sede na capital baiana – estrutura que chega a mais de 1.800 leitos contando com as unidades de saúde vinculadas ao governo estadual e municipal geridas pelas Obras Sociais Irmã Dulce – a instituição alia alta complexidade hospitalar a um modelo de assistência humanizada e multidisciplinar. Seu legado se traduz em iniciativas que integram assistência médica e social, com destaque ainda para uma reconhecida atuação nas áreas de ensino em saúde e pesquisa, incluindo programas de residência médica e multiprofissional, além de centros dedicados à investigação científica. Fora dos hospitais, desenvolve projetos sociais e educacionais voltados a crianças e jovens em risco social.
Por trás de cada número, estão histórias de pacientes e famílias impactadas por esse modelo de cuidado. Moradora de Jitaúna (BA), Carla Oliveira encontrou na instituição o suporte necessário para o tratamento do filho. “Sempre fomos muito bem acolhidos e, graças a Deus, ele tem se desenvolvido muito desde que começou o acompanhamento. Para mim, a instituição representa esperança e gratidão. Se não fosse essa estrutura, talvez ele não tivesse acesso ao tratamento de que precisa, já que na nossa cidade é muito difícil encontrar esse tipo de atendimento”.
O cuidado também se estende a outros perfis de paciente, com serviços especializados no atendimento, por exemplo, a pessoas com dependência de álcool e sofrimento psíquico, por meio do Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas da entidade. Mais do que tratar doenças, a instituição segue há mais de 60 anos como sinônimo de saúde que coloca a dignidade humana no centro do cuidar.
Como ajudar – Neste Dia Mundial da Saúde reforçamos que manter esse legado ativo é uma missão coletiva. Cada gesto de apoio ajuda a continuar essa história de amor e cuidado que transforma vidas. Para se cadastrar no programa Sócio-Protetor e também conhecer outras formas de contribuir com essa causa, basta acessar o site doe.irmadulce.org.br ou entrar em contato com a Central de Relacionamento com o Doador pelo telefone (71) 3316-8899, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30.

















