Todo início de ano traz uma avalanche de promessas: emagrecer rápido, “desintoxicar” o corpo, compensar os excessos, mas por trás desse movimento aparentemente inofensivo, existe um padrão que se repete e que ajuda a explicar por que tantas pessoas desistem antes mesmo do primeiro trimestre. A nutricionista Tayanne Malafaia, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professora universitária, chama atenção para um ponto central: o imediatismo é o maior inimigo da saúde quando o assunto é emagrecimento.
1. Dietas de janeiro falham não por falta de força de vontade, mas por excesso de restrição
Segundo a especialista, a lógica do “tudo ou nada” está na raiz do problema. “A mentalidade do ‘projeto verão’ ou da ‘dieta detox de janeiro’ é extremamente prejudicial. Ela se baseia na restrição severa, que é insustentável a longo prazo e leva frequentemente a um ciclo de compulsão alimentar e frustração”, comenta.
2. O corpo reage às dietas como se estivesse em perigo
Quando a restrição calórica é intensa, o organismo entra em modo de defesa. “Quando o corpo é submetido a uma restrição calórica drástica, ele entra em modo de ‘economia de energia’, diminuindo o metabolismo. Ao final da dieta, qualquer caloria extra é rapidamente estocada como gordura, e o peso perdido é recuperado, muitas vezes com acréscimo”, diz ela. É aí que o chamado efeito sanfona se instala.
3. O efeito sanfona vai além do peso na balança
Esse processo repetitivo, segundo Tayanne Malafaia, não impacta apenas o corpo, mas também a relação com a comida. “Isso gera um ciclo de desânimo e pode piorar a relação da pessoa com a comida”, explica a pesquisadora, ao alertar para os efeitos emocionais desse padrão.
4. Janeiro expõe um problema maior: a cultura do corpo de verão
O fenômeno, que se repete ano após ano, reacende um debate mais amplo sobre saúde pública e pressão estética. A busca por resultados rápidos acaba se sobrepondo à construção de hábitos reais e duradouros.
5. A mudança começa quando o foco deixa de ser cortar tudo
Para Malafaia, a saída está em uma virada de chave. “A saúde é uma construção diária, não um projeto de 30 dias. Em vez de cortar tudo, a recomendação é incluir mais: mais vegetais, mais água, mais movimento”, conclui.
Sobre Tayanne Malafaia
A pós-doutoranda Tayanne Malafaia é nutricionista e atua como pesquisadora no Laboratório de Farmacologia Celular e Molecular do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É docente em instituições de ensino superior, ministrando disciplinas relacionadas ao ciclo básico dos cursos da saúde e do curso de nutrição.
Tem graduação em Nutrição (2016) pela UERJ, além de mestrado e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental (FISCLINEX/UERJ).
Desde 2016, atua também em consultório nas áreas de Nutrição Clínica e Esportiva.















