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Dor no joelho não é só da idade: artrose precoce cresce entre jovens

  • Destaque 2-vitalidade, Saúde, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2025-12-16
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Sedentarismo, sobrepeso e prática esportiva sem orientação estão entre os principais fatores de risco; diagnóstico precoce é essencial para controle da dor e preservação da mobilidade

Antes associada quase exclusivamente ao envelhecimento, a artrose (ou osteoartrite), doença degenerativa que compromete as articulações, tem aparecido cada vez mais cedo, especialmente entre jovens adultos com sobrepeso e mulheres praticantes de esportes de alto impacto. O problema, que causa dor, inchaço e limitação dos movimentos, já afeta mais de 12 milhões de brasileiros, segundo dados recentes do Ministério da Saúde. 

A reumatologista da Clínica Ceder, Emanuela Pimenta, o aumento da incidência em pessoas jovens está diretamente ligado a hábitos de vida modernos. “O excesso de peso e o sedentarismo criam um ciclo de sobrecarga articular e enfraquecimento muscular. Ao mesmo tempo, há um grupo de jovens que vai ao extremo oposto: pratica atividades intensas, como corrida e crossfit, sem preparo ou acompanhamento profissional. Em ambos os casos, o resultado pode ser o mesmo: o desgaste precoce das articulações”, afirma. 

A osteoartrite é a forma mais comum de doença articular e pode atingir joelhos, quadris, mãos, punhos, cotovelos, coluna e pés. O quadro se caracteriza pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações, levando à inflamação local, dor e perda de mobilidade. A enfermidade está entre as principais causas de afastamento do trabalho e aposentadoria por invalidez, segundo o INSS. 

Entre os fatores de risco, além da obesidade e da prática esportiva inadequada, estão o histórico familiar, desequilíbrios musculares, predisposição genética e traumas articulares prévios. A médica alerta que os sintomas costumam surgir de forma sutil: dor após esforço físico, rigidez ao acordar, estalos e sensação de fraqueza nos joelhos. “É comum que o paciente atribua esses sinais à idade, à falta de alongamento ou ao excesso de treino. Mas é justamente nesse início que o tratamento é mais eficaz, evitando a progressão da doença”, destaca Emanuela. 

Estudos internacionais reforçam essa tendência. Uma pesquisa publicada no PubMed identificou que ex-atletas olímpicos apresentaram prevalência de osteoartrite de 11,1% no quadril e 14,2% no joelho, e que lesões sofridas durante a carreira aumentam em até 10 vezes o risco de desenvolver o problema no futuro. Casos como o do ex-jogador de futebol Everton Felipe, que encerrou a carreira aos 26 anos, e da ex-jogadora de basquete Priscila Varela, diagnosticada aos 37, ilustram os impactos de longo prazo da sobrecarga articular. 

De acordo com a médica, o diagnóstico precoce é fundamental para o controle da dor e a preservação da qualidade de vida. “A avaliação clínica detalhada, associada a exames de imagem e laboratoriais, permite identificar o estágio da doença e definir o tratamento mais adequado. Quando diagnosticada no início, é possível frear o avanço da artrose e manter a articulação funcional por muitos anos”, explica. 

O tratamento é multidisciplinar e varia conforme o grau de comprometimento. Em casos leves e moderados, é possível alcançar bons resultados com o uso de medicamentos analgésicos, fisioterapia, condroprotetores e viscossuplementação, técnica que consiste na aplicação intra-articular de substâncias que reduzem a dor e melhoram a mobilidade. Em estágios avançados, pode ser indicada a cirurgia para colocação de prótese de joelho ou quadril. 

A Medicina da Dor tem ampliado as possibilidades terapêuticas para esses pacientes, com recursos que vão desde bloqueios analgésicos até tratamentos regenerativos com células-tronco. “Hoje conseguimos oferecer alternativas que aliviam a dor de forma eficaz, reduzem o uso contínuo de medicamentos e proporcionam mais conforto e autonomia ao paciente”, afirma a especialista. 

Além do tratamento médico, a mudança de hábitos é essencial. O fortalecimento muscular, o alongamento regular e a prática de exercícios supervisionados ajudam a proteger as articulações. Emanuela reforça que prevenir é sempre o melhor caminho. “Cuidar do peso, respeitar os limites do corpo e buscar acompanhamento médico diante dos primeiros sinais de dor são atitudes simples que fazem toda a diferença. A artrose não é um destino inevitável da idade, ela pode ser controlada e, em muitos casos, evitada”.

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