Para o psicólogo Guilherme Cavalcanti, parceiro da SegMedic, a diferença entre cansaço e esgotamento mental está nos sinais persistentes que o descanso não resolve e a prevenção precisa sair do discurso para virar prática cotidiana
O debate sobre saúde mental nunca esteve tão presente no Brasil. Ainda assim, os índices de ansiedade, estresse crônico e Burnout seguem em crescimento. Para o psicólogo Guilherme Cavalcanti, parceiro da SegMedic, esse aparente paradoxo se explica menos por um “aumento repentino” de adoecimento e mais por um reconhecimento tardio de algo que sempre existiu, mas foi historicamente minimizado.
“Ao longo da história, o sofrimento psicológico sempre esteve presente. A diferença é que hoje há mais visibilidade. Antes, muitos sintomas eram tratados como ‘frescura’ ou falta do que fazer. Agora, as pessoas conseguem identificar sinais e buscar ajuda”, afirma.
Segundo o especialista, um dos conceitos mais banalizados nos últimos anos é o da exaustão emocional. Ele explica que o cansaço comum costuma ser resolvido com pausas e descanso, enquanto o esgotamento mental persiste mesmo após noites bem dormidas. “Na exaustão, o repouso não dá conta. Surgem sinais como fadiga mental, irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração, sintomas que muitas pessoas insistem em ignorar”, alerta.
Entre jovens de 18 a 30 anos, esse quadro é intensificado por um sentimento constante de atraso em relação à vida, à carreira e às conquistas. As redes sociais exercem papel central nesse processo. “A pergunta que precisa ser feita é: atrasado para quem? A comparação constante gera cobranças exageradas, culpa, medo e ansiedade. A grama do vizinho pode ser linda, mas também pode ser de plástico. Vale a pena se comparar com algo artificial?”, provoca.
No ambiente corporativo, o psicólogo avalia que programas de bem-estar ainda falham por não se traduzirem em cultura real. “Criar ações por obrigação não transforma nada. É preciso vestir a camisa do cuidado, acreditar no impacto desses programas e ter lideranças comprometidas. Quando a empresa cuida realmente do colaborador, o retorno aparece e todos ganham”, diz. Para isso, defende uma mobilização que envolva treinamentos, campanhas internas, eventos e comitês permanentes, e não apenas iniciativas pontuais.
Sobre grupos mais vulneráveis ao adoecimento mental, o psicólogo ressalta que não há uma resposta única. “Pessoas expostas à pobreza, violência, discriminação, estresse e traumas têm maior risco, mas tudo precisa ser analisado caso a caso. Genética, história de vida, rede de apoio e políticas públicas fazem toda a diferença. Ter predisposição não significa, necessariamente, adoecer.”
A cultura da hiperconectividade e da produtividade incessante também surge como um dos principais gatilhos contemporâneos de ansiedade e Burnout, especialmente entre as gerações mais jovens. “Vivemos em estado de alerta constante. O trabalho ultrapassou o horário comercial, os prazos estão mais curtos e a pressão por produzir nunca termina. Isso gera estafa, medo e sofrimento”, afirma. Para se proteger, o especialista destaca três práticas essenciais: estabelecer limites claros, criar momentos de desconexão e buscar equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
No mês do Janeiro Branco, campanha dedicada à saúde mental, o psicólogo reforça que pequenas ações diárias já geram impacto significativo. “Em 15 minutos é possível cuidar da saúde mental. Meditar, caminhar, ouvir música relaxante ou ter um momento de lazer ajuda a manejar o estresse. Sono, alimentação, atividade física e gestão do estresse são pilares fundamentais.”
O maior desafio do Brasil nos próximos anos, segundo Guilherme Cavalcanti, é mudar o foco do cuidado em saúde mental. “Precisamos sair de um modelo centrado apenas na crise e na doença e avançar para a prevenção e a promoção do bem-estar em todos os níveis da sociedade. Reduzir o estigma ainda é urgente — e coletivo.”
Sobre a SegMedic
A SegMedic é uma rede de clínicas ambulatoriais referência em assistência à saúde no estado do Rio de Janeiro, oferecendo mais de 25 especialidades médicas e mais de 3.000 tipos de exames laboratoriais e complementares. Conta com uma equipe médica altamente qualificada e uma infraestrutura moderna, segura e acolhedora. A empresa tem como missão cuidar das pessoas, proporcionando um serviço de saúde de qualidade a um valor acessível. O acesso à saúde é mais do que uma demanda: é uma necessidade essencial. O compromisso da SegMedic é garantir atendimento humanizado, eficiente e acessível para toda a população.















