Infectologista Dr. Klinger Faico reforça a importância da informação, do tratamento e da vacinação.
As verrugas genitais, também conhecidas como condilomas acuminados, estão entre as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais frequentes no mundo. Causadas pelo papilomavírus humano (HPV), atingem milhões de pessoas todos os anos, mas ainda são cercadas por silêncio, tabu e desinformação.
Estudos indicam que até 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o vírus é eliminado pelo próprio organismo, sem sintomas. Porém, em algumas pessoas, ele provoca lesões visíveis na região genital ou anal, que podem variar de discretas a múltiplas e bastante incômodas.
Para o médico infectologista, Dr. Klinger Soares Faico Filho, o estigma é um dos principais obstáculos ao cuidado:
“Muitas pessoas têm vergonha de procurar atendimento médico por achar que as verrugas são sinônimo de promiscuidade ou de falta de higiene. Isso é mito. O HPV é extremamente prevalente e pode atingir qualquer pessoa sexualmente ativa.”, explicou o infectologista.
Embora não estejam diretamente ligadas ao risco de câncer, que é causado por outros subtipos do HPV, chamados oncogênicos, as verrugas não devem ser ignoradas. Além do desconforto físico e psicológico, podem crescer, se espalhar e favorecer a transmissão do vírus a parceiros sexuais.
O tratamento inclui métodos como cauterização, crioterapia, laser ou pomadas específicas. Mesmo assim, as lesões podem reaparecer, o que exige acompanhamento médico contínuo.
“Não existe uma cura definitiva, mas é possível controlar os sintomas e reduzir o risco de transmissão.”, ressaltou Dr. Klinger Faíco.
O impacto emocional também é significativo. Vergonha, ansiedade e dificuldades nas relações íntimas são relatos comuns entre pacientes.
“Quanto mais falamos sobre HPV de forma clara e sem preconceito, mais pessoas se sentem encorajadas a procurar diagnóstico e tratamento. O silêncio só aumenta o estigma.”, reforçou o especialista.
A boa notícia é que existe prevenção. A vacina contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos a partir de 9 anos, protege contra os tipos mais comuns que causam verrugas e também contra os subtipos relacionados a câncer de colo de útero, ânus, pênis e garganta.
Mesmo assim, a cobertura vacinal ainda é insuficiente. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2023, menos de 80% das meninas e pouco mais de 50% dos meninos completaram as duas doses, deixando milhões de adolescentes desprotegidos.
“Precisamos enxergar o HPV como uma questão de saúde pública, e não como um problema individual que deve ser escondido. Falar sobre verrugas genitais é falar sobre prevenção, cuidado e informação”, concluiu Dr. Klinger Soares Faico Filho.
Quebrar o tabu é o primeiro passo para reduzir preconceitos, ampliar a vacinação e garantir que menos pessoas enfrentem sozinhas uma IST tão comum e evitável.
Dr. Klinger Soares Faico Filho é médico infectologista, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Doutor em Infectologia pela UNIFESP e MBA em Gestão em Saúde, atua no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas como HIV, hepatites virais e ISTs. É CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, professor universitário da UNIFESP e fundador da Consultoria IRAS, dedicada ao controle de infecção hospitalar.

















