Elas que animam conta com 10 animações produzidas em São Paulo, Pará, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Paraná. Os curtas-metragens tratam de temas diversos como o envelhecimento, a seca do nordeste e as tradições afro-brasileiras, sob o olhar diverso e potente das mulheres
A partir da sexta-feira, 29 de março, a Itaú Cultural Play disponibiliza uma seleção de animações de curta-metragem dirigidas por mulheres. A mostra Elas que animam, tem curadoria da equipe da plataforma de streaming gratuita de cinema brasileiroe é composta de 10 obras de diferentes estados brasileiros. São elas:
Uma mão anima a outra, uma produção coletiva de Beatriz Belo, Denise Cunha, Leuí Weinert, Mariana Fogo e Paula Abril Marinho; Guida, de Rosana Urbes; A pequena vendedora de fósforos, de Kyoko Yamashita; Torre, de Nádia Mangolini; Òpárá de Òsùn: Quando tudo nasce, de Pâmela Peregrino; Dia estrelado, de Nara Normande; Pudim de morango, dos irmãos Elizabeth, Helmuth, Ingrid e Rosane Wagner; Ga vī: a voz do barro, de Ana Letícia Schweig, Angélica Domingos, Cleber Kronun e coletivo; Òrun Àiyé – a criação do mundo, de Jamile Coelho e Cintia Maria; e Ewé de Òsányìn: o segredo das folha, de Pâmela Peregrino — os três últimos já estão na plataforma e se juntam a mostra.
Os filmes ficam disponíveis na plataforma por 12 meses e podem ser acessados gratuitamente em www.itauculturalplay.com.br e em smartphones Android e IOS e Chromecast.
Produzidas em São Paulo, Pará, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Paraná, as animações evidenciam o papel das mulheres no audiovisual brasileiro e trazem a diversidade e a riqueza de narrativas embasadas na cultural nacional. A começar pela animação de criação coletiva Uma mão anima a outra, que homenageia um punhado de artistas do audiovisual como as irmãs Elizabeth, Ingrid e Rosane Wagner, Fernanda e Flávia Alfinito, Helena Lustosa, Silvana Delacio e Márcia Deretti. Inspirada em suas produções, o curta-metragem retoma as técnicas de animação usadas por estas personalidades. Poético e surrealista, ele revela uma paisagem tropical de toques modernistas e um homem engravatado que caminha por uma metrópole. Junta-se ao enredo, uma ave que leva uma pessoa para a floresta e é transformada em pássaro.
Na animação Guida Rosana Urbestraz a história da personagem que dá nome ao filme, uma mulher mais velha e com algumas rugas, que tem uma vida cômoda e sem grandes emoções em uma eterna rotina como arquivista há 30 anos. Isso muda quando ela encontra um anúncio de jornal procurando modelos vivos para posar, fazendo-a se interessar. O filme traz temas essenciais como o envelhecimento, a força das mulheres e o poder transformador. Esta produção foi premiada em 2015 no Festival de Annecy, considerado a mais importante vitrine do cinema de animação do mundo.
A pequena vendedora de fósforos, de Kyoko Yamashita, é baseado no conto homônimo do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Foi premiado no Festival de Gramado, em 2014, tendo também marcado presença em mais de 30 outros festivais pelo mundo. A obra trata da infância abandonada nas metrópoles ao narrar a história de uma menina que na rua de uma grande cidade rouba o saco de um passante. Dentro dele, para sua decepção, há apenas caixas de fósforos. Desamparada, entra em uma lan house, da qual é retirada, e segue caminhando a esmo pelas calçadas, sem qualquer acolhimento ou afeto. Nessas circunstâncias, só lhe resta tentar vender os fósforos.
Em Torre, Nádia Mangolini conta a história de Isabel, Virgílio, Gregório e Vlademir, filhos de Ilda Martins da Silva e Virgílio Gomes da Silva. Operário, sindicalista e militante da Aliança Nacional Libertadora, Virgílio Gomes da Silva foi torturado e morto pela ditadura civil-militar. A mãe foi presa sem direito a recurso e privada de ver seus filhos. Reunindo memórias, o filme reconstitui a história de mais uma família atravessada pela perda naquele período. A produção soma mais de 15 prêmios no Brasil e no mundo, como o de Melhor Curta-metragem pelo Júri, no Festival Cine Memória em 2017.
Com menção honrosa no Festival de Cinema de Triunfo, em 2018, a premiada animação Òpárá de Òsùn: Quando tudo nasce, de Pâmela Peregrino, traz a história da divindade iorubá dos rios e das cachoeiras, capaz de fertilizar o solo e toda a natureza, que dá nome ao filme. No sertão do Rio São Francisco, ele faz nascer o verde das plantas, o azul dos córregos e a vida humana. O roteiro da animação foi elaborado de maneira coletiva, entre os seus realizadores e os participantes do Terreiro de Candomblé Abassà da Deusa Oxum de Idjemim.
Em Dia estrelado, de Nara Normande, uma família vive em uma região árida e inóspita, habitada apenas por insetos e arbustos retorcidos, sob um céu vermelho escaldante. Todos os dias, um dos meninos costuma recolher água no galho de uma árvore seca. Certa vez, ele é surpreendido por uma circunstância nada confortável. A partir de agora, pedras são a única coisa que jorra da árvore. Com ecos de Vidas Secas, livro de Graciliano Ramos e em uma paisagem que lembra as pinturas de Van Gogh, a história traz o drama da seca. A animação recebeu mais de 20 prêmios, entre eles o da Crítica Brasileira (Abraccine) de Melhor Curta-Metragem no 22º Cine Ceará.
Considerado um clássico do cinema de animação brasileiro, Pudim de Morango é dirigido pelos irmãos Elizabeth, Helmuth, Ingrid e Rosane Wagner. O curta-metragem conta a história de uma mosca que vive tranquila no interior de um vaso sanitário. Pilotando seu helicóptero, ela sai em busca de novas fontes de alimentação. Rótulos de alimentos enlatados não chamam a sua atenção. Repentinamente, ela é atraída por um delicioso pudim de morango, mas, com o marcador de combustível do helicóptero vazio, cai no epicentro de um conflito. O curta foi desenvolvido a partir de desenhos sobrepostos a notícias de jornal da época. Neles, despontam sátiras à cultura de massa e à ditadura civil-militar.
Ga vī: a voz do barro, de Ana Letícia Schweig, Angélica Domingos, Cleber Kronun e coletivo, as personagens são Dona Gilda e Dona Iracema, anciãs da Terra Indígena Kaingang Apucaraninha, no Paraná. Elas compartilham suas memórias, saberes e tradições com o barro. A animação leva para o mundo alguns dos conhecimentos compartilhados e registrados em um encontro de mulheres realizado em 2021, naquele estado. O curta-metragem está feito com traços finos, cores em tons pasteis e texturas que remetem a pinturas à base de água. Nela, o espectador conhece um pouco da cultura das mulheres Kaingang e a relação delas com a ancestralidade e o território em que vivem.
Cultura afro-brasileira
Celebrando a importância da cultura afro-brasileira, na animação Òrun Àiyé – a criação do mundo, de Jamile Coelho e Cintia Maria, um avô narra à sua neta como foi a criação do mundo e dos seres humanos, segundo a mitologia iorubá. Tal como um antigo contador de histórias, ele apresenta a jornada dos orixás e os conflitos deste episódio de nascimento, no qual homens e mulheres são moldados a partir do barro. A produção tem participação de Carlinhos Brown.
Também tendo a afro-brasilidade como pilar principal, Ewé de Òsányìn: o segredo das folha, de Pâmela Peregrino, conta a história de um menino dotado de um misterioso poder de cura. Discriminado por seus colegas de escola, ele se embrenha na mata. Perdido na caatinga, encontra diferentes divindades, entre elas Esú, senhor dos caminhos, e Òsányín, pai das folhas, das ciências e das ervas. Os dois o guiam por uma jornada de conhecimento. A história mistura mitologias afro-brasileiras, preservação ambiental e saberes tradicionais para falar delicadamente de bullying e de empoderamento. Premiado em mais de 15 festivais ao redor do país, este curta-metragem também se vale de diversas referências musicais, como o forró e as toadas do cordel.


SERVIÇO:
MOSTRA ELAS QUE ANIMAM
A partir de sexta-feira, 29 de março
Mostra de animações realizadas por mulheres.
Em www.itauculturalplay.com.br
Gratuita.
Uma mão anima a outra
(Pará, 2021)
Direção: Beatriz Belo, Denise Cunha, Leuí Weinert, Mariana Fogo e Paula Abril Marinho
Duração: 9 minutos
Classificação indicativa: livre- com autoclassificação
Guida
(São Paulo, 2014)
Direção: Rosana Urbes
Duração: 11 minutos
Classificação indicativa: livre – com autoclassificação
A pequena vendedora de fósforos
(Rio Grande do Sul, 2014)
Direção: Kyoko Yamashita
Duração: 9 minutos
Classificação indicativa: para maiores de 16 anos – (Angústia e consumo de drogas lícitas e ilícitas) – com autoclassificação
Torre
(São Paulo, 2017)
Direção: Nádia Mangolini
Duração: 18 minutos
Classificação indicativa: para maiores de 12 anos (Descrição de violência e angústia) – com autoclassificação
Òpárá de Òsún: Quando tudo nasce
(Bahia, 2018)
Direção: Pâmela Peregrino
Duração: 4 minutos
Classificação indicativa: livre – com autoclassificação
Dia estrelado
(Pernambuco, 2011)
Direção: Nara Normande
Duração: 17 minutos
Classificação indicativa: livre
Pudim de morango
(Paraná, 1979)
Direção: Elizabeth Wagner, Helmuth Wagner, Ingrid Wagner e Rosane Wagner
Duração: 5 minutos
Classificação indicativa: para maiores de 12 anos (Descrição de violência) – com autoclassificação
Ga vī: a voz do barro
(Paraná, 2022)
Direção: Ana Letícia Schweig, Angélica Domingos, Cleber Kronun e coletivo
Duração: 11 minutos
Classificação indicativa: livre – com autoclassificação
Òrun Àiyé – a criação do mundo
(Bahia, 2015)
Direção: Jamile Coelho e Cintia Maria
Duração: 12 minutos
Classificação indicativa: livre
Ewé de Òsányìn: o segredo das folhas
(Bahia, 2023)
Direção: Pâmela Peregrino
Duração: 23 minutos
Classificação indicativa: livre – com autoclassificação

















