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Literatura infantil vira aliada na educação digital

  • Destaque 2-palavras, Literatura, Palavras, Sub-Editoria Palavras
  • 2026-02-02
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Com crianças cada vez mais cedo na internet e tempo de tela acima do recomendado, editoras e autores apostam em narrativas lúdicas para tratar de senhas, privacidade e golpes

O avanço do acesso à internet entre crianças brasileiras tem reposicionado o livro infantil como ferramenta pedagógica para lidar com a vida digital desde cedo. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil indicam que crianças a partir de 6 anos já utilizam a internet, evidenciando que a conexão passou a fazer parte do cotidiano infantil ainda nos primeiros anos escolares.

Esse movimento se soma ao crescimento do tempo de tela. Levantamentos da Sociedade Brasileira de Pediatria indicam que a maioria das crianças em idade pré-escolar permanece conectada por períodos superiores aos recomendados, o que tem levado especialistas a defender que a educação digital avance no mesmo ritmo da conectividade. Dessa forma, o livro infantil reaparece como estratégia para traduzir temas complexos de forma acessível, sem recorrer a abordagens punitivas ou excessivamente técnicas.

Essa é a lógica por trás do projeto “O Cibernauta em a Super Senha Secreta”, criado pelo especialista em segurança da informação Daniel Meirelles e pelo economista Eduardo Argollo. A obra foi desenvolvida para crianças de 6 a 10 anos e aborda noções básicas de proteção digital a partir de uma história de aventura. “A criança já chega à internet muito cedo. Se a conversa sobre segurança começa apenas na adolescência, ela perde o caráter preventivo”, afirma Meirelles.

Eduardo Argollo explica que a escolha do livro como meio principal não foi casual. “A literatura permite explicar por que certos cuidados são necessários, sem recorrer ao medo ou à proibição. A criança entende o motivo de proteger uma senha ou de não responder a um estranho porque isso faz sentido dentro da história”, diz.

Do ponto de vista do mercado, o movimento encontra respaldo nos números. A Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro aponta que o segmento infantil e juvenil responde por cerca de 18% dos exemplares vendidos no país, com crescimento puxado por títulos de caráter educativo. As editoras têm ampliado o catálogo de obras que tratam de tecnologia, cidadania digital e comportamento online, acompanhando a demanda de famílias e escolas por materiais que dialoguem com a realidade conectada das crianças.

A aposta literária parte da constatação de que histórias facilitam a assimilação de conceitos abstratos. Ao transformar temas como privacidade, senhas e segurança em personagens e conflitos reconhecíveis, o livro cria uma ponte entre o universo infantil e práticas de proteção no ambiente digital. A estratégia se mostra especialmente relevante para crianças em fase de alfabetização, quando o aprendizado ocorre de forma mais efetiva por meio da imaginação e da repetição simbólica.

A escolha também se conecta a um debate mais amplo sobre alfabetização digital no Brasil. Pesquisadores do Cetic.br apontam que, embora o acesso à internet avance rapidamente, a educação para o uso seguro não acompanha o mesmo ritmo, ficando muitas vezes restrita a orientações informais dentro de casa. Nesse vácuo, livros infantis passam a atuar como material de apoio para pais e educadores, estimulando conversas que extrapolam a leitura.

Para Meirelles, a proposta não é substituir regras ou controles parentais, mas complementá-los com entendimento. “Bloquear ou limitar o acesso não ensina a criança a lidar com o risco quando ele aparece. A história cria repertório para que ela reconheça situações problemáticas”, afirma.

Na prática, a recepção do projeto reforça essa percepção. Desde o lançamento, os autores relatam interesse de escolas e famílias em utilizar o livro como ponto de partida para atividades educativas sobre tecnologia, sinalizando que o papel do livro infantil vai além do entretenimento e se consolida como instrumento de formação cidadã em um ambiente cada vez mais digital.

Sobre Daniel Meirelles
Daniel Meirelles é gestor sênior de tecnologia, com mais de 20 anos de experiência em Segurança da Informação, com atuação destacada no setor financeiro brasileiro. Especialista em Transformação Digital e Inteligência Artificial Generativa pelo MIT e certificado em Cybersecurity pela ISC2, construiu carreira voltada à proteção de dados, governança digital e mitigação de riscos cibernéticos. Atualmente, ocupa o cargo de CISO da Austral Seguradora e da Austral Resseguradora. É coautor e idealizador do projeto O Cibernauta, criado a partir da vivência como pai e da preocupação com a educação digital infantil.

Sobre Eduardo Argollo
Eduardo Argollo é economista, com mestrado em Administração de Empresas pela Université de Bordeaux, e acumula mais de 17 anos de experiência em grandes organizações nacionais e internacionais dos setores de gestão, saúde e seguros. Atuou em posições de liderança em projetos estratégicos, PMO e processos de integração pós-aquisição em empresas como PwC, Vale, Rede D’Or São Luiz, DaVita, Grupo H+, Oncoclínicas, entre outras. Atualmente, é gerente de PMO da Austral. Coautor e idealizador do projeto O Cibernauta, contribui com a visão de gestão, educação e impacto social voltada à formação de cidadãos digitais desde a infância.

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