Especialista alerta para a necessidade de adoção de hábitos de vida saudáveis desde a adolescência
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte dos brasileiros. E dados recentes do Ministério da Saúde deixaram os especialistas em alerta: o número de internações de pessoas com menos de 40 anos, devido ao infarto agudo do miocárdio, aumentou em 150% entre 2000 e 2024, saltando de menos de dois casos a cada 100 mil habitantes para quase cinco.
Marcos Barros, cardiologista e professor do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), lembra que os principais fatores de risco para o infarto são amplamente divulgados, como diabetes e hipertensão arterial, mas nossos jovens assumem uma importância outros, como o sedentarismo, especialmente após a pandemia do Covid-19, obesidade, menor consumo de alimentos saudáveis, aumento no consumo de alimentos processados e ultraprocessados, uso de drogas ilícitas, tabagismo e presença de doenças congênitas ou hereditárias, como uma hipercolesterolemia familiar (colesterol alto).
Esses comportamentos causam uma lesão no endotélio das artérias coronárias podemárias, o que contribui para a formação de placas de gordura na região. São essas placas que, com o tempo, podem crescer, romper e obstruir, parcial ou totalmente, as artérias, impedindo o transporte de oxigênio ao músculo cardíaco.
“O infarto do miocárdio, ou ataque cardíaco, é a necrose da parte do músculo do coração devido à interrupção do fornecimento de sangue nessa área. Os sintomas mais comuns envolvem dor em abertura ou queimação, no meio ou à esquerda do tórax, com irradiação para o pescoço ou braço esquerdo, geralmente associado com mal-estar, sudorese e desconforto”, revela o cardiologista.
Apesar desse aumento no número de casos de jovens com ataque cardíaco, esse ainda é um problema que atinge mais homens acima dos 45 anos e mulheres com mais de 55 anos.
Atendimento rápido pode salvar vidas
Marcos Barros revela que o atendimento rápido após notar os sintomas de um infarto pode salvar vidas. “Quando o tratamento acontece nas primeiras horas de evolução, é possível reverter o quadro e evitar consequências imediatas, como a morte súbita, ou tardias, como a insuficiência cardíaca”, esclarece o professor da UNIFACS, cujo curso de Medicina integra a Inspirali.
O tratamento para o infarto do miocárdio pode ser feito de maneira medicamentosa ou por meio de procedimentos, como a angioplastia (desobstrução de artérias) e a cirurgia de ponte de safena e mamária. Pacientes jovens, mas que apresentem sintomas ou tenham diagnóstico de doença isquêmica do coração, deverão procurar atendimento médico e uma avaliação cardíaca com frequência.
Para o especialista, a melhor forma de prevenção é a adoção de um estilo de vida saudável desde a infância. “Manter a regularidade do sono, escolha por alimentos saudáveis e naturais, prática de exercícios físicos frequentes, controle do peso e acompanhamento médico regular são medidas que devem ser obrigatórias ainda na infância e adolescência e incorporadas para toda a vida, garantindo um envelhecimento ativo e pleno”, finaliza Marcos Barros.

















