Figura central das religiões de matriz africana no Brasil, Oxalá é reconhecido como o pai de todos os orixás e um dos pilares do panteão afro-brasileiro. Segundo a tradição, ele foi criado por Olorum juntamente com Iemanjá para exercer a função de ancestral primordial, dando origem a todos os demais orixás e organizando o mundo espiritual.
Frequentemente representado como um homem idoso, negro, de barba longa e vestes brancas, Oxalá é associado ao céu, ao ar e à paz. Sua imagem remete à serenidade, à sabedoria e ao equilíbrio, atributos que fazem dele o orixá da espiritualidade, da criação e da harmonia. Por isso, é também conhecido como o Grande Orixá ou o Rei do Pano Branco, símbolo da pureza e da calma que o caracterizam.
Durante o período da escravidão no Brasil, a repressão às religiões africanas levou ao processo de sincretismo religioso como estratégia de resistência cultural. Nesse contexto, Oxalá foi associado à figura de Jesus Cristo no catolicismo. Apesar das diferenças entre as tradições, a identificação se deu pelas semelhanças simbólicas: ambos representam a paz, a mansidão, o amor paternal e a capacidade de acolhimento. O sincretismo permitiu que os cultos africanos sobrevivessem, preservando saberes, ritos e identidades.
As cores de Oxalá são o branco leitoso e o branco transparente, tonalidades que expressam pureza e espiritualidade. Em algumas qualidades específicas, pode aparecer a combinação do preto e do branco, relacionada à visão e à dualidade. Seu símbolo é a pomba branca, reforçando a ideia de paz, e seus elementos são o céu e o ar, o que explica a crença de que Oxalá está presente em todos os lugares.
Para aprofundar o entendimento sobre esse orixá, a reportagem conversou com a sacerdotisa Mãe Iná de Oxalá, yalorixá da Nação Cabinda. Segundo ela, Oxalá e Iemanjá foram criados por Olorum para serem os pais de todo o panteão, razão pela qual todos os orixás têm origem nesses dois princípios. “Oxalá representa a calma, o tempo da maturidade e a responsabilidade sobre a criação”, explica.
A saudação tradicional a Oxalá é “Epa Oh Babá, Odu a Babá”, entoada em rituais e celebrações. Seus filhos e filhas costumam ser descritos como pessoas calmas, perseverantes e perfeccionistas, com forte senso ético e preocupação em agir corretamente, evitando atitudes que causem prejuízo a si ou aos outros.
As oferendas dedicadas a Oxalá são simples e marcadas pela cor branca, como a canjica branca com mel, podendo incluir coco seco, uva-verde e feijão-miúdo branco descascado. O dia consagrado a Oxalá varia conforme a tradição: em algumas casas, é celebrado às sextas-feiras; na Nação Cabinda, as homenagens acontecem às quartas-feiras e aos domingos.
Mais do que uma divindade, Oxalá simboliza a base ética e espiritual das religiões de matriz africana, representando a busca pela paz, pela sabedoria e pelo equilíbrio — valores que atravessam séculos e seguem vivos na cultura brasileira.
Características de Oxalá: o orixá da paz, da espiritualidade e da criação
Oxalá é um dos orixás mais reverenciados nas religiões de matriz africana no Brasil, especialmente no candomblé e na umbanda. Associado à criação do mundo e da humanidade, ele é reconhecido como um princípio de equilíbrio, espiritualidade e serenidade. Suas características simbolizam valores fundamentais para a vida em sociedade e para a busca da paz interior.
Paz e serenidade como essência
Entre as principais características de Oxalá estão a paz, a calma e a serenidade. De acordo com a sacerdotisa Mãe Iná de Oxalá, “Oxalá é o Orixá da espiritualidade, ele vem para nós para trazer a paz, a paz de espírito”. Essa dimensão espiritual faz de Oxalá uma referência para momentos de reflexão, reconciliação e harmonização, tanto no plano individual quanto coletivo.
Cores que simbolizam pureza e visão
As cores tradicionalmente associadas a Oxalá são o branco leitoso e o branco transparente, tonalidades que representam pureza, fé e espiritualidade elevada. Mãe Iná explica que, dentro da Nação Cabinda, existe também a combinação do preto e branco, utilizada para representar uma qualidade específica do orixá: o Oxalá Orunmilaia, conhecido como o “dono da visão”, ligado ao discernimento e à clareza espiritual.
Símbolos e elementos
O principal símbolo de Oxalá é a pomba branca, imagem universalmente associada à paz. Seus elementos são o céu e o ar, reforçando a ideia de presença constante e invisível, que envolve e sustenta a vida. Segundo a tradição, Oxalá está em todos os lugares, assim como o ar que se respira.
Domínios e saudação
Os domínios de Oxalá são a paz e a serenidade, valores que orientam seus filhos e devotos. A saudação tradicional dirigida ao orixá é:
“Epa Oh Babá, Odu a Babá”, expressão de respeito e reverência à sua autoridade espiritual.
Oferendas simples e simbólicas
As oferendas dedicadas a Oxalá são marcadas pela simplicidade. Uma das mais comuns é a canjica branca, que pode ser preparada com mel ou coco seco, dependendo da qualidade do orixá a quem se deseja ofertar. Segundo Mãe Iná de Oxalá, essas oferendas podem ser feitas à beira do mar, de rios ou em outros espaços da natureza. Também fazem parte das oferendas a uva-verde e a canjica branca com feijão-miúdo branco descascado, sempre respeitando os preceitos religiosos.
Rezas e espiritualidade cotidiana
Na tradição religiosa mencionada por Mãe Iná de Oxalá, as orações são chamadas de rezas. Elas podem ser realizadas nos quartos de santo ou em qualquer lugar da natureza. O ritual costuma começar com a saudação:
“Epa ó Babá, que o senhor possa me ajudar!”, seguida da reza propriamente dita. Para a sacerdotisa, como Oxalá também representa o ar, sua presença não se limita a espaços sagrados específicos — ele está em todo lugar.
Símbolo máximo da fé, da paz e da criação, Oxalá ocupa um lugar central na religiosidade afro-brasileira. Suas características refletem a busca pelo equilíbrio espiritual e pela convivência harmoniosa, valores que seguem atuais e necessários em um mundo marcado por conflitos e transformações constantes.















