Cada vez mais presentes em casa em função do home office, muitos pais vivem um paradoxo: estão próximos fisicamente, mas emocionalmente distantes dos filhos. Isso porque a presença constante dos celulares tem reduzido a qualidade da atenção parental e dificultado a criação de vínculos saudáveis.
Pesquisas recentes mostram que, quando as mães estão mais conectadas, acabam interagindo menos durante momentos de brincadeira. Além disso, a chamada “tecnoferência” — interrupções na relação familiar causadas pelo uso de dispositivos — tem sido relacionada a ocorrência de transtornos em crianças.
Um estudo publicado em agosto no Jama Network Open reforça esse alerta. Ao longo de três anos (2020 a 2022), 1.303 crianças e pré-adolescentes foram acompanhados em três fases — aos 9, 10 e 11 anos. Nesse período, responderam questionários sobre como percebiam o uso de celulares e tablets pelos pais. Entre as frases avaliadas estavam: “Gostaria que meus pais passassem menos tempo no celular” ou “Fico frustrado quando eles estão conectados em vez de brincarem comigo”. Os jovens também relataram sintomas ligados a ansiedade, depressão, falta de atenção e hiperatividade. O resultado foi claro: quanto maior a percepção de que os pais estavam distraídos pelo celular, maiores os índices desses transtornos, sobretudo entre 9 e 10 anos.
O psicólogo parental Filipe Colombini alerta para três pontos principais que requerem atenção dos pais:
- O risco da criança se sentir invisível quando não recebe atenção plena;
- A influência do comportamento dos pais como modelo para os hábitos digitais dos filhos;
- A necessidade de equilibrar presenças física e emocional.
O especialista propõe soluções práticas, como inserir momentos “sem telas” em família, criar rituais de convivência baseados na escuta ativa e desenvolver estratégias para conciliar trabalho remoto e vida doméstica sem comprometer o vínculo afetivo.















