Mais do que treinar a memória e o raciocínio lógico, essas práticas auxiliam na manutenção da autonomia, na concentração e na qualidade de vida dos mais velhos
O aumento da longevidade no Brasil transformou o envelhecimento em uma etapa que demanda diferentes estímulos e cuidado contínuo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida da população brasileira chegou a 76,6 anos, dado que reforça a importância de investir em estratégias que promovam um envelhecer mais ativo, com autonomia e qualidade de vida. Assim, com o passar do tempo, manter a mente estimulada torna-se tão relevante quanto preservar a saúde física, especialmente diante do risco de acomodação imposto pela rotina. A ausência de novos estímulos interfere diretamente no humor, na disposição e na capacidade funcional, fatores que impactam o cotidiano e a independência dos idosos.
“Quando o idoso se envolve em atividades cognitivas, os benefícios se refletem em diferentes aspectos da vida diária. Há melhora da atenção, da organização do pensamento e da segurança para executar tarefas rotineiras”, afirma Jéssica Ramalho, fisioterapeuta e CEO da Acuidar, maior rede de cuidadores da América Latina. Conforme explica a especialista, essas práticas contribuem para preservar a autonomia e reforçam o sentimento de utilidade e pertencimento, elementos essenciais para a saúde emocional ao longo do envelhecimento.
Embora jogos tradicionais estejam fortemente associados ao estímulo cognitivo, o conjunto de possibilidades é mais amplo do que se imagina. “Sudoku, xadrez, damas e jogos de memória são ferramentas importantes e continuam sendo recomendadas. Ainda assim, quando o estímulo se restringe a essas práticas, perde-se a oportunidade de engajar o idoso de forma mais profunda”, destaca o geriatra Vitor Hugo de Oliveira, cofundador da Acuidar. Para o profissional, experiências que despertam curiosidade, provocam interesse e trazem novidade favorecem o engajamento emocional e ampliam o alcance dos estímulos cognitivos, tornando o processo mais prazeroso.
Essas escolhas, entretanto, precisam respeitar as condições individuais de cada idoso. Idade, histórico de saúde e presença de comorbidades devem orientar a definição das atividades, que precisam ser seguras e adequadas às capacidades de cada pessoa. Nesse contexto, o acompanhamento de cuidadores capacitados contribui para melhor desempenho, reduz riscos e favorece a adaptação das propostas, garantindo uma experiência mais positiva e eficiente.
A seguir, confira opções que ampliam o repertório de estímulos cognitivos e fogem dos formatos mais convencionais.
Aulas de música
O envolvimento com a música vai além da escuta passiva. Memorizar letras, acompanhar ritmos ou experimentar instrumentos simples exige atenção sustentada, memória e coordenação. Vale ressaltar que a música desperta emoções e lembranças, estimulando áreas cerebrais ligadas à linguagem e à afetividade. “Atividades musicais mobilizam diferentes regiões do cérebro simultaneamente, o que potencializa os ganhos cognitivos e emocionais”, ressalta Vitor Hugo.
Artes manuais
Práticas como pintura, colagem, bordado ou modelagem demandam planejamento, percepção visual e coordenação motora fina. Ao longo do processo, o idoso exercita a concentração e o raciocínio, enquanto encontra um canal de expressão individual. Esse tipo de atividade também favorece a autoestima, uma vez que o resultado concreto reforça a sensação de realização e competência.
Jogos de interpretação
Atividades baseadas em criação de histórias, dramatizações leves ou construção coletiva de narrativas estimulam linguagem, memória e criatividade. Ao interagir com outras pessoas, o idoso exercita a escuta, organiza pensamentos e amplia sua capacidade de comunicação. A dinâmica em grupo fortalece vínculos sociais e contribui para o estímulo da cognição social, aspecto essencial para a convivência cotidiana.
Atividades físicas com componente cognitivo
Exercícios que combinam movimento e atenção, como dança coreografada, sequências rítmicas ou circuitos funcionais simples, estimulam memória motora, coordenação e concentração. “Quando corpo e mente são trabalhados de forma integrada, os benefícios se tornam mais amplos e perceptíveis no dia a dia”, afirma Jéssica. Essa integração contribui também para o equilíbrio emocional e a percepção corporal.
Oficinas de aprendizagem
Participar de oficinas voltadas ao aprendizado de habilidades práticas, como fotografia, organização de objetos, pequenas tarefas manuais ou uso de recursos tecnológicos simples, estimula o raciocínio, a memória operacional e a capacidade de resolução de problemas. A experiência de aprender algo novo reforça a autoconfiança, mantém o interesse elevado e ajuda o idoso a se sentir ativo e inserido no mundo contemporâneo.
Sobre a Acuidar:
Fundada em 2016 pelo médico Vitor Hugo de Oliveira e pela fisioterapeuta Jéssica Soares Ramalho, a rede oferece serviços no domicílio do cliente ou durante acompanhamento hospitalar, com opções de diárias avulsas e planos mensais. A marca entrou para o mercado de franquias em 2020, contando hoje com mais de 300 unidades inauguradas. O investimento inicial total é a partir de R$ 32,5 mil (já com a taxa de franquia), o faturamento médio mensal é de R$ 60 mil e o prazo de retorno é de 6 a 15 meses. Saiba mais em: https://www.acuidarfranquias.com.br/















