Sintomas mais comuns dessas doenças incluem dor abdominal, azia, sensação de queimação no estômago, inchaço, náuseas, alterações intestinais e refluxo ácido.
Um levantamento do DataSUS revelou um crescimento na incidência e prevalência das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) no Brasil. A pesquisa analisou dados de 212.026 pacientes, sendo 140.705 diagnosticados com Doença de Crohn e 92.326 com Retocolite Ulcerativa, evidenciando a necessidade de maior conscientização e atualização dos profissionais de saúde sobre essas condições. Esse aumento está diretamente relacionado a fatores como hábitos alimentares inadequados, altos níveis de estresse e a falta de cuidados médicos preventivos, segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Doenças gastrointestinais como gastrite, refluxo, síndrome do intestino irritável (SII) e as próprias DII afetam milhares de brasileiros, comprometendo a qualidade de vida com sintomas como dor abdominal, azia, queimação, inchaço, náuseas e alterações intestinais.
As Doenças Inflamatórias Intestinais, que englobam a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, são condições crônicas que provocam inflamação no intestino e têm apresentado aumento significativo em todo o mundo desde o século passado. Embora as causas exatas dessas doenças ainda não sejam totalmente conhecidas, especialistas apontam que mudanças nos hábitos de vida das últimas décadas desempenham um papel importante. “A alimentação rica em gorduras e alimentos ultraprocessados, a redução do consumo de alimentos in natura, especialmente os ricos em fibras, além do sedentarismo e do tabagismo, são fatores que contribuem significativamente para o surgimento dessas condições”, explica o Dr. Marcello Imbrizi. Outro fator relevante é a predisposição genética, que pode ser ativada por elementos externos, como o estresse, a mudança na microbiota intestinal devido à má alimentação ou ao uso excessivo de antibióticos. “Esses são alguns dos gatilhos que podem desencadear um processo inflamatório intenso contra o trato gastrointestinal e até mesmo outros órgãos, como a pele e as articulações”, acrescenta Imbrizi.
Os sintomas das DII podem se confundir com os de outras condições digestivas mais comuns, como a síndrome do intestino irritável ou intolerâncias alimentares. No entanto, sinais de alerta como diarreia persistente por mais de um mês, sangue ou pus nas fezes, dor abdominal, perda de peso não intencional e anemia exigem atenção médica imediata. Segundo a Dra. Marina Pamponet, muitas pessoas tendem a negligenciar esses sinais porque os sintomas podem ocorrer de forma intermitente, o que pode atrasar a busca por diagnóstico e tratamento adequado. “Esses sinais não devem ser ignorados. Tanto médicos quanto pacientes precisam estar atentos, pois eles indicam a necessidade de investigação para descartar ou confirmar doenças graves, como as DII e até mesmo o câncer colorretal”, alerta a especialista.
Embora as causas exatas dessas doenças ainda não sejam totalmente conhecidas, especialistas apontam que mudanças nos hábitos de vida nas últimas décadas desempenham um papel importante. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, manter uma alimentação equilibrada e saudável é um dos principais cuidados para preservar a saúde digestiva. Para isso, é recomendável reduzir o consumo de alimentos gordurosos, ricos em açúcares e ultraprocessados; priorizar uma alimentação natural e rica em fibras, incluindo frutas, legumes e verduras; manter uma boa hidratação, evitando substituir a água por bebidas industrializadas; praticar atividades físicas regularmente e adotar técnicas de relaxamento para controlar o estresse, que impacta diretamente a saúde gastrointestinal.
“Essas orientações não são amplamente conhecidas, mas muitas pessoas ainda as ignoram, tratando os sintomas como desconfortos passageiros”, afirma a Dra. Marina. Ela reforça que estar atento aos sinais de alerta e procurar ajuda médica precocemente pode evitar que esses problemas evoluam para quadros mais graves. O diagnóstico correto é essencial para que o paciente receba o tratamento adequado, que pode incluir mudanças na dieta e no estilo de vida, medicamentos e, em casos específicos, procedimentos médicos. “A avaliação cuidadosa feita por um gastroenterologista é o primeiro passo para uma conduta terapêutica eficaz e segura”, explica.
A propagação de terapias alternativas sem comprovação científica também tem sido motivo de preocupação entre especialistas, já que essas práticas podem atrasar o início do tratamento adequado, colocando a saúde do paciente em risco e comprometendo a eficácia da terapia convencional. “A divulgação de métodos milagrosos pode prejudicar gravemente o paciente, que, em momentos de fragilidade, pode se sentir atraído por essas promessas infundadas”, alerta a Dra. Marina. Ela destaca que é essencial que o tratamento seja conduzido por profissionais qualificados, que possam oferecer as melhores abordagens disponíveis para cada caso.
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