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Premiado pela ONU, baiano lança ensaio fotográfico em circuito internacional de arte

  • Artes Visuais, Destaque 2-tela, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2025-12-26
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Crédito: André Fernandes

Ao lado da premiada série dos ‘Orixás’ (2014), o fotógrafo André Fernandes apresenta dezesseis novas obras no Paraguai, desta vez, com elementos típicos da culinária afro-brasileira, como o dendê, milho, feijão, inhame e o coco.

Após lançar a série fotográfica Orixás (2014) – reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) – o fotógrafo documental André Fernandes apresenta a sua mais recente série, ‘Ounjẹ Òrìṣà: Comida de Orixá (2025)’, em cartaz internacionalmente na cidade de Assunção, Paraguai.

O novo ensaio do brasileiro reúne dezesseis fotografias, que se aprofundam na história e nas tradições por detrás da culinária do ‘Candomblé’. A mostra homônima, que acontece atualmente no Instituto Guimarães Rosa, em apenas uma noite chamou à atenção de 1,3 mil paraguaios, sendo destaque em territórios vizinhos da América Latina. 

Juntas, as coleções Orixás e Ounjẹ Òrìṣà levam ritos e a herança viva dos territórios da diáspora africana ao país guarani. Ao lado do ensaio premiado, a nova série de fotografias interconecta elementos do cotidiano ao sagrado, estabelecendo um olhar acerca dos alimentos para a ‘comunicação’ e a ‘espiritualidade’ das tradições. 

“Mais do que sustento, a comida de Orixá é ‘rito’ e ‘herança’ viva. Preparada com tempo, respeito e fé, ela transcende o ato de alimentar: conecta o sagrado ao cotidiano, os ancestrais aos humanos. Nos terreiros de Candomblé, cozinhar é rezar com as mãos. É através dos alimentos que se reverenciam os Orixás e que se expressam os fundamentos da religião”, explica André. 

As comidas de Orixás trazem elementos típicos da culinária afro-brasileira, como o dendê, milho, feijão, inhame e o coco, que somados à guias, ferramentas e búzios, completam a composição de cada enquadramento por André Fernandes. Em seu novo ensaio, o brasileiro tratou de capturar a essência de cada ‘prato’, atribuído ao seu devido Orixá. 

Entre as fotografias, os visitantes podem distinguir elementos para além da comida, como folhas, metais, ferros e conchas, que levam o espectador por uma odisséia de histórias e referências à religião de matriz africana. A identidade de cada Orixá se revela através desses componentes, estando presente na mostra referências à Exu, Ogum, Oxóssi, Logunedé, Obaluaê, Ossain, Oxumarê, Nanã, Oxum, Obá, Ewá, Iansã, Yemanjá, Xangô, Oxalá e os Ibejis. 

Segundo André Fernandes, os alimentos no Candomblé são centrais para a prática religiosa, e cada prato preparado em um terreiro carrega profundo significado ritual. O brasileiro explica que o entendimento surgiu após anos fotografando o Terreiro Ilê Axé Alaketu, na Bahia, que acabou lhe rendendo o prêmio pelo “Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários” (2024), da ONU. 

Para este novo ensaio, o fotógrafo contou com a produção de alimentos dirigido por Tata ria Nkisi Douglas Santana, que assina a comida em cada retrato. Segundo o artista, cada ingrediente, modo de preparo, utensílios e rituais presentes na ‘Comida

dos Orixás’ são saberes milenares, transmitidos de geração para geração. 

A proposta, segundo a curadora da mostra Mai Katz, é que a série ‘Ounjẹ Òrìṣà’ evidenciasse a importância do ‘alimento’ como um dos fundamentos do Candomblé, embora sejam constantemente alvo de preconceito e intolerância religiosa. “Muitas pessoas não se dão conta de que o alimento que consumimos no dia a dia são originários das terras africanas, dos Terreiros de Candomblé. Muitos a rejeitam sem perceber que essa comida sempre esteve presente no cotidiano”, revela. 

Convidando paraguaios, brasileiros e visitantes de outros países da América Latina a um mergulho sensorial pela ‘Comida dos Orixás’, André Fernandes revela que a exposição se consolidou no circuito internacional das artes, como um espaço de encontro entre imagem, fé e ancestralidade. “A fotografia se torna um meio de aproximação com o sagrado, capaz de traduzir visualmente tradições que seguem vivas na memória, no rito e no cotidiano dos terreiros”, conclui

A exposição ‘Candomblé’ é uma realização do Instituto Guimarães Rosa Asunción (IGR), com patrocínio da Itaipu Binacional, Fundação Itaú e Eurofarma. 

SERVIÇO

[Exposição ‘Candomblé’ de André Fernandes]
Onde: Instituto Guimarães Rosa (IGR) Asunción – Embajada de Brasil
Quando: de 14 de novembro a 30 de março de 2026. A série ‘Orixás’ desembarca na Europa em agosto de 2026;
Dias e horários da exposição: mediante agendamento com o IGR Assunción, pelo Instagram;                          

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