Evento de lançamento aconteceu no bairro da Boa Vista
Uma nova página da moda autoral afro-brasileira está sendo escrita a partir do bairro da Boa Vista, área central do Recife, com o lançamento da “Coleção Zarina 2025 – Raízes do Futuro”, resultado de um processo criativo que uniu costureiras, estilistas e modelos de comunidades periféricas da capital pernambucana em um trabalho colaborativo com uso da inteligência artificial e da memória afetiva ancestral como elementos centrais da criação.
O evento foi realizado na Casa Zarina, localizada na Avenida Manoel Borba, 339, com uma programação cultural intensa. A abertura contou com a exposição do artista visual Lenino e da própria marca Zarina. Em seguida, às 15h30, foi realizada a mesa temática “Corpo, Diáspora e Inspiração – o que nos faz criar novos caminhos a partir das nossas vivências?”, com a participação de importantes vozes do pensamento e da arte negra contemporânea.
Compuseram a roda a ativista e pesquisadora Kassandra Muniz, a estilista e criadora da marca Jéssica Zarina, e a jornalista e educadora Ivana Motta. A mediação foi feita pela comunicadora e artista Preta MC, que conduz o debate sobre como a ancestralidade, o corpo negro e as experiências de vida podem se tornar ponto de partida para inovação estética, transformação social e fortalecimento das narrativas negras na moda.
Com consultoria da CriaAtivo Soluções e apoio de instituições como Tambor Ancestral, Daruê Malungo e Abayomi, o projeto Moda Preta Autoral possibilitou que mulheres negras e periféricas desenvolvessem peças únicas, utilizando plataformas de inteligência artificial para desenhar estampas, estilizar modelos e criar narrativas visuais que refletem a herança africana e os desafios do presente.
Às 17h, o público pode assistir ao lançamento do mini documentário que mostra todo o processo de construção da coleção. Logo depois, às 17h30, aconteceu o aguardado desfile, com trilha assinada pela DJ Sidade. A culminância foi marcada por um ajéum, banquete afro preparado pela Cozinha Afefé, celebrando a união entre moda, arte e gastronomia ancestral.
A coleção propõe uma ressignificação da moda como ferramenta de identidade e resistência, unindo a potência das tecnologias emergentes à força das tradições herdadas.
Para a estilista e idealizadora da marca, Jessica Zarina, o momento representa “um reencontro com nossas raízes para imaginar um futuro onde a moda preta não seja exceção, mas referência”.
O projeto é realizado com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), através do Ministério da Cultura, Governo Federal e Governo de Pernambuco.

















