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Técnicas avançadas favorecem cirurgias menos invasivas em idosos

  • Envelhescência, Sub-Editoria Envelhescência
  • 2024-03-29
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Hospitais registram crescimento superior a 40% em procedimentos para pacientes acima de 70 anos; avanços na expectativa de vida e desejo por bem-estar na terceira idade elevam estatísticas

No Brasil, o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu quase 60% em 12 anos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje, são pouco mais de 22 milhões de pessoas nessa faixa etária, o que representa 10,9% da população total. Esses dados são do censo de 2022. Em comparação com 2010, houve um aumento de 57,4%. 

O envelhecimento da população é um fenômeno observado não apenas no Brasil, mas também em grande parte dos países. Segundo relatório de 2023 da Organização das Nações Unidas (ONU), espera-se que o número de pessoas com 65 anos ou mais dobre nas próximas três décadas em todo o mundo. A estimativa é que, até 2050, haja 1,6 bilhão de pessoas nessa faixa etária, representando 16% da população mundial. 

Tecnologia e longevidade

O avanço da medicina, o acesso facilitado à saúde e as mudanças nos hábitos de vida não só aumentam a longevidade, mas também a qualidade de vida dos idosos. O ortopedista do Hospital São Marcelino Champagnat, Antonio Tomazini, é especialista em cirurgia de joelho e realiza procedimentos com o auxílio de um robô. Ele destaca que a tecnologia democratizou o acesso a intervenções mais complexas. “Com a cirurgia robótica, temos mais precisão, menos sangramento e uma execução mais eficaz. Os pacientes sentem menos dor no pós-operatório e necessitam de menos medicação. Isso é particularmente vantajoso para os idosos, pois muitos são sensíveis a medicamentos e já fazem uso de outros compostos químicos”, observa. 

No final de 2023, Tomazini realizou uma artroplastia total de joelho (conhecida como prótese de joelho) em uma paciente de 91 anos. A aposentada Anete Langaro sofria de desgaste avançado da cartilagem devido à artrose. Três meses após o procedimento, os resultados são muito satisfatórios. “A cirurgia foi de manhã e à tarde eu consegui caminhar um pouco no quarto. No dia seguinte, tive alta do hospital e fui pra casa andando. Já faz dois meses da cirurgia e eu consigo fazer todas as minhas coisinhas do dia-a-dia: arrumo a cama sozinha, lavo e estendo roupa de vez em quando. Estou muito bem”, conta Anete.

Aumento de cirurgias em idosos

No Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), o número de cirurgias em pessoas com 70 anos ou mais aumentou 50,35% em um ano. Em 2022, foram 2.413 procedimentos, enquanto em 2023 foram 3.628. O mesmo ocorreu no Hospital Universitário Cajuru, com atendimento exclusivo pelo SUS, em que as cirurgias para esse público aumentaram 41,8% no período analisado. Foram 1.213 procedimentos em 2022, contra 1.720 em 2023. Um acréscimo que caminha junto com o aumento da longevidade e técnicas minimamente invasivas. 

Diante de tantos procedimentos médicos, os neurológicos estão entre os que envolvem um nível de complexidade muito grande, especialmente em pacientes idosos. Para minimizar sequelas e garantir uma recuperação mais rápida, as equipes médicas têm optado pela cirurgia com o paciente acordado. O neurocirurgião Ricardo Brito, do Hospital Universitário Cajuru, destaca essa abordagem em casos em que não há alternativa à cirurgia. Um exemplo é uma paciente de mais de 90 anos com aneurisma cerebral. “Devido aos riscos associados à sensibilidade do sistema circulatório à anestesia geral, optamos por realizar uma única intervenção com a paciente acordada. Este procedimento avançado diferencia o nosso serviço em âmbito nacional”, contextualiza.


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