Conheça seis ritos de passagem que abraçam o novo ano e seus infinitos caminhos
Muito mais do que uma simples troca de calendário ou o amanhecer de um outro dia, o Ano Novo representa, em diferentes culturas, um poderoso momento de transformação, renovação e busca por boa fortuna. É o tempo das possibilidades máximas, dos sonhos inesperados e das metas traçadas com entusiasmo. Diante de tantas expectativas, povos ao redor do planeta desenvolvem práticas simbólicas para acolher o novo ciclo e atrair um ano melhor do que o anterior, repleto de realizações pessoais e coletivas.
No Brasil, muitos desses costumes já são bastante conhecidos e praticados. Mas e fora daqui? Quais são os ritos de passagem que abraçam o novo ano e seus infinitos caminhos em outras partes do mundo? Embarque nesta volta ao globo para conhecer como pessoas de seis países celebram a chegada de um novo tempo.
China
Ao contrário da maior parte do mundo, a China não segue o calendário gregoriano. O Ano Novo Chinês é baseado nos ciclos lunares e cada ano é regido por um dos 12 animais do zodíaco, tradição ligada ao budismo. Em 2025, tem início o Ano da Cobra, símbolo de sabedoria, transformação e renovação.
A data da celebração varia entre 20 de janeiro e 20 de fevereiro e é considerada um feriado oficial de três dias, podendo se estender por até uma semana em algumas regiões. As festividades incluem casas decoradas em tons de vermelho — cor associada à sorte e à prosperidade —, além das tradicionais danças do Dragão e do Leão, realizadas nas ruas como símbolos de paz e boa fortuna. O período também é marcado por grandes deslocamentos, quando famílias inteiras viajam para se reunir. No encerramento das celebrações acontece o Festival das Lanternas, que ilumina cidades com milhares de peças decoradas, criando um espetáculo de luz e beleza.
Canadá
Em pleno inverno rigoroso, alguns canadenses enfrentam temperaturas extremas para dar boas-vindas ao novo ano. Uma das tradições mais conhecidas é o Polar Bear Swim, quando pessoas corajosas mergulham em lagos congelados como um ritual de purificação e promessa de cumprir as metas estabelecidas para o ano que começa.
Em regiões rurais de Quebec, o dia 1º de janeiro também pode ser marcado por pescarias no gelo, acompanhadas de comidas típicas e bebidas quentes. Já visitar as Cataratas do Niágara iluminadas por luzes coloridas ou observar a Aurora Boreal são experiências consideradas formas especiais de iniciar o ano com o “pé direito”.
Grécia
Na Grécia, o simbolismo do Ano Novo começa logo na porta de casa. Assim como ocorre na Escócia, acredita-se que a primeira pessoa a entrar após a meia-noite pode trazer sorte ou azar, dependendo do pé que cruza a soleira primeiro — e o direito é indispensável.
Outra tradição bastante comum acontece na noite do dia 31 de dezembro, quando crianças percorrem as ruas cantando a canção típica chamada Kalandra, acompanhadas pelo som de triângulos. À meia-noite, as famílias cortam a vasilopita, um bolo amanteigado preparado especialmente para a data. Dentro da massa é escondida uma moeda, e quem a encontra em sua fatia está destinado a ter sorte durante todo o ano seguinte.
Colômbia
Na América do Sul, a Colômbia reúne costumes cheios de simbolismo para a virada do ano. Um dos mais curiosos é a confecção de bonecos em tamanho real que representam o “ano velho”. Pouco antes da meia-noite, eles são queimados em fogueiras, simbolizando a despedida do ciclo que se encerra.
Outro ritual bastante popular é correr pelas ruas com malas nas mãos, prática que representa o desejo de um ano repleto de viagens e novas experiências. Para completar, muitos colombianos carregam lentilhas no bolso como forma de atrair prosperidade e abundância.
África Ocidental (sudoeste da Nigéria, Daomé e Togo)
Entre povos de cultura iorubá, o Ano Novo segue o calendário tradicional chamado Cojodá, que possui 91 semanas, cada uma com quatro dias. O ciclo anual vai de 3 de junho a 2 de junho do ano seguinte, e as celebrações do Ano Novo acontecem na primeira semana de julho.
Um dos rituais centrais é o plantio da muda da árvore de obi (Cola acuminata), símbolo de cortesia, amizade e conexão entre o mundo espiritual e o mundo físico. Os iniciados na religião iorubá também se dirigem aos templos para acompanhar a revelação do odu, o destino do novo ano, determinado pelo oráculo do jogo de búzios. A partir desse sinal, são definidos os preceitos, oferendas e orientações espirituais necessárias para garantir equilíbrio, proteção e vida longa à comunidade.
Tailândia
A Tailândia também não celebra o Ano Novo segundo o calendário gregoriano. No país, onde predomina o calendário budista, a virada acontece em 13 de abril e recebe o nome de Songkran. Coincidindo com o mês mais quente do ano, a festa é marcada por animadas brincadeiras com água.
Para os tailandeses, a água simboliza pureza, bons sentimentos e renovação. As famosas “batalhas” de água nas ruas, a limpeza das casas e até o ato de derramar água sobre plantas e no solo são rituais que afastam energias negativas, trazem bons presságios e invocam chuvas favoráveis para o período de plantio do arroz.
De rituais silenciosos a festas vibrantes, as tradições de Ano Novo ao redor do mundo revelam o desejo universal de renovação, esperança e prosperidade. Cada cultura, à sua maneira, ensina que iniciar um novo ciclo é também um convite para refletir, agradecer e abrir caminhos para tudo o que ainda está por vir.















