Com a chegada do verão, aumentam as temperaturas, a umidade e a frequência de idas à praia e à piscina. Esses fatores podem favorecer nas mulheres de todas as idades o desenvolvimento da candidíase, infecção causada pelo crescimento excessivo do fungo Candida. Segundo a ginecologista do Itaigara Memorial, Adriana Tavares, essa é uma das queixas mais comuns nos consultórios durante essa época do ano.
A candidíase pode afetar pele e boca, mas a área mais comum é a região genital feminina. Os sintomas mais frequentes são coceira, ardência, inchaço, vermelhidão, incômodo durante a relação sexual e corrimento branco e espesso semelhante à “coalhada”. Adriana explica que o fungo Candida vive no corpo humano de forma equilibrada, mas causa problemas quando ocorre o crescimento em excesso.
“O calor cria um ambiente propício para a proliferação desse fungo. A combinação entre roupas molhadas por longos períodos, biquínis muito apertados e suor contribui para o desequilíbrio da flora vaginal e o aumento da quantidade de Candida. É por isso que é comum observar um aumento significativo dos casos de candidíase no verão”, afirma.
Além disso, hábitos típicos do verão, como aumento no consumo de bebidas alcoólicas, açúcar e carboidratos simples, podem interferir no funcionamento intestinal e no equilíbrio da microbiota, impactando diretamente a flora vaginal.
Outros fatores também podem ser causadores da infecção ou funcionar como fatores de risco. São eles: diabetes, uso de antibióticos, gravidez, estresse, sistema imunológico enfraquecido e higiene íntima inadequada. A ginecologista explica que o problema é simples de tratar, mas alerta para o hábito comum de automedicação entre muitas mulheres. A prática pode mascarar problemas mais graves ou atrasar o tratamento adequado.
Tratamento
“Episódios repetidos de candidíase, como duas ou mais vezes ao ano, podem ser sinal de outros desequilíbrios e precisam ser devidamente investigados. Eles podem estar escondendo diabetes não diagnosticada, baixa imunidade ou alterações hormonais”, destaca a especialista.
A candidíase tem tratamento eficaz, que pode incluir medicamentos tópicos ou orais. No entanto, a escolha da melhor abordagem deve ser feita por um médico. Cada organismo reage de uma forma, e o uso inadequado de antifúngicos pode gerar resistência. Por isso, o ideal é sempre buscar atendimento antes de iniciar qualquer tratamento.
Hábitos que ajudam na prevenção durante o verão
● Evitar permanecer por muito tempo com roupas de banho molhadas;
● Dar preferência a roupas íntimas de algodão e peças mais leves;
● Dormir sem calcinha para melhorar a ventilação da região íntima;
● Manter a higiene íntima adequada, sem excessos e sem uso de produtos perfumados;
● Adotar uma alimentação balanceada, especialmente reduzindo o consumo de açúcar, que pode favorecer a proliferação do fungo;
● Beber bastante água para favorecer o equilíbrio do organismo.
Para mulheres que já possuem predisposição, o especialista recomenda atenção extra e acompanhamento regular. “O tratamento preventivo pode ser indicado em alguns casos, inclusive com probióticos específicos para a saúde íntima. Mas isso deve ser avaliado individualmente”, explica Adriana.
Vale lembrar que a candidíase não é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Ela, na maioria das vezes, surge devido ao desequilíbrio da flora vaginal a partir da pré-existência do fungo em qualquer organismo humano e, não, por conta de contato externo. Mas, uma vez adquirida, a infecção pode, sim, ser passada para o parceiro ou parceira durante o ato sexual e, por isso, todos os envolvidos devem passar pelo tratamento para evitar a reinfecção.















