À meia-noite do dia 1º de janeiro, milhões de pessoas ao redor do planeta celebram o Réveillon, marco simbólico do início de um novo ano. A contagem regressiva, os fogos de artifício, as festas e os votos de felicidade, saúde e prosperidade fazem parte de um ritual amplamente difundido, especialmente nos países que seguem o calendário gregoriano.
No Brasil, a data também é cercada por costumes populares que variam conforme crenças, regiões e tradições familiares. Vestir branco para atrair paz, escolher cores específicas para chamar amor, dinheiro ou saúde, pular sete ondas, comer lentilhas ou sementes de romã são práticas que se misturam à celebração coletiva, seja em grandes festas ou em encontros mais íntimos.
Mas, apesar de toda essa familiaridade, o Ano Novo não acontece na mesma data para todos os povos. Em diversas culturas ao redor do mundo, a virada do ano é celebrada em outros momentos, de acordo com calendários próprios, muitos deles baseados em ciclos lunares, solares ou agrícolas.
O calendário gregoriano e a padronização do tempo
O calendário gregoriano foi instituído em 1582 por iniciativa do papa Gregório XIII e, ao longo dos séculos, tornou-se o sistema de referência para a contagem do ano civil na maior parte do mundo. Sua adoção global está ligada à expansão europeia e à necessidade de padronização para fins comerciais, diplomáticos e administrativos.
Ainda assim, muitos povos optaram por preservar seus calendários tradicionais, mantendo vivas práticas ancestrais que conectam o tempo à espiritualidade, à natureza e à memória coletiva. O resultado é um mosaico de celebrações de Ano Novo distribuídas ao longo do ano.
Anos novos que seguem outros ritmos
Entre os exemplos mais conhecidos está o Ano Novo Chinês, celebrado na primeira Lua Nova após o solstício de inverno no hemisfério norte, geralmente entre janeiro e fevereiro. A festa dura vários dias e inclui refeições simbólicas, encontros familiares e a tradição dos envelopes vermelhos com dinheiro, associados à prosperidade. Cada ano é regido por um dos 12 animais do horóscopo chinês.
Na Tailândia, o Songkran, celebrado em 13 de abril, marca o Ano Novo com rituais de purificação, visitas aos templos e uma famosa “guerra de água” nas ruas, símbolo de limpeza espiritual e renovação.
O Ano Novo Islâmico, determinado por um calendário lunar mais curto que o gregoriano, muda de data a cada ano. Ele tem início com o mês de Muharram e é celebrado de forma mais introspectiva, com orações, jejum e práticas de compaixão.
Já o Ano Novo Judaico, conhecido como Rosh Hashaná, ocorre entre setembro e outubro. A data é marcada por reflexão, pedidos de perdão e rituais simbólicos, como o consumo de frutas com mel para desejar um ano doce e próspero, além do toque do shofar, instrumento que convida à introspecção.
Na Índia, a diversidade cultural se reflete também nas celebrações de Ano Novo. Embora o país adote um calendário nacional, diferentes regiões e tradições comemoram a data em momentos distintos. Entre elas estão o Gudhi Padwa, celebrado por comunidades Marathi, e o Diwali, o festival das luzes, que para muitos simboliza a renovação e a vitória do bem sobre o mal.
O Puthandu, Ano Novo da cultura tâmil, é celebrado em abril e envolve rituais religiosos, refeições simbólicas e a reunião de familiares. Os pratos preparados costumam misturar diferentes sabores, representando as experiências diversas da vida.
Outras tradições incluem o Ano Novo Wicca, celebrado em 31 de outubro com o Samhain, ligado ao fim das colheitas; o Ano Novo Etíope, comemorado em 11 de setembro, associado à primavera e à renovação da natureza; o Ano Novo Inca, que coincide com o solstício de verão no hemisfério sul; e o Ano Novo Iorubá, celebrado em junho, relacionado ao ciclo agrícola e a festivais religiosos como o Ifá.
Tempo, cultura e identidade
Essas diferentes formas de marcar a passagem do tempo revelam que o Ano Novo vai muito além de uma data fixa no calendário. Ele expressa modos distintos de compreender o mundo, a natureza e a própria existência. Para muitos povos, celebrar o início de um novo ciclo é também reafirmar identidades, fortalecer laços comunitários e manter viva a herança cultural transmitida por gerações.
Em um mundo cada vez mais globalizado, conhecer essas tradições amplia o olhar sobre o tempo e reforça a ideia de que, embora o relógio marque a mesma hora para todos, cada cultura encontra seu próprio momento para recomeçar.















