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22º Enecult debate, cultura, educação e diversidade na UFBA

  • Destaque 2-palavras, Educação, Palavras, Sub-Editoria Palavras
  • 2026-07-30
  • Sem comentários
  • 6 minutos de leitura

Crédito: Lane Silva

O evento localiza o papel da universidade frente aos desafios do mundo

O Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), um dos principais fóruns acadêmicos sobre políticas culturais do Brasil, chega à sua 22ª edição. O evento acontece entre os dias 06 e 14 de agosto com atividades na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e de forma virtual. As inscrições para ouvintes podem ser realizadas até o dia 30 de julho através do endereço www.enecult.ufba.br.

A edição 2026 marca a discussão dos enlaces entre cultura e diversidade, e propõe questões que mobilizam as perspectivas em torno das políticas culturais e democracias no Brasil e no mundo. Neste ano, o evento aumentou o número de Grupos de Trabalhos (GTs) e dias de programação, motivado pelo crescente interesse de pesquisadores, gestores, produtores e artistas de diversas partes do mundo no maior e mais importante encontro acadêmico-cultural do Brasil.

A discussão coloca em perspectiva o papel da universidade perante os desafios políticos que se desenham no horizonte. O evento levanta questões em torno das transformações do ambiente universitário para além dos critérios tradicionais de legitimação do conhecimento acadêmico. Assim, são convocados debates em torno do notório saber que reconhece mestres e mestras de saberes tradicionais; a afirmação das universidades como instituições eminentemente culturais; e o reconhecimento de valores em saberes, modos de vida e vínculos afetivos.  

Entre as presenças confirmadas desta edição estão Ana Rosas Mantecón (México), Mãe Diana de Oxum (Ilê Axé Ewá Omin Nirê), Nádia Akawã Tupinambá (Ponto de Cultura Aldeia Tukum), Rubens Bayardo (Argentina), Eneida Leal Cunha (UFRJ), Matías Zarlenga (Argentina) e Albino Rubim (UFBA).

“Ao conectar diversos atores da Cultura em um só lugar – trabalhadores, agentes, gestores, pesquisadores e representantes de instituições do setor -, o Enecult possibilita aprofundar temas necessários para o desenvolvimento da Cultura no Brasil”, explica Sophia Rocha, coordenadora do 22º Enecult.

A vice-coordenadora do 22º Enecult, Gleise Oliveira, destaca que “nestes 22 anos, o Enecult se consolidou como um evento fundamental de reflexão e difusão do conhecimento. Sua relevância está em promover esse diálogo mais direto entre o meio acadêmico e os diferentes agentes do setor para pautar temas contemporâneos e fortalecer as políticas públicas da área”.

O 22º Enecult é realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura) do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC), Faculdade de Comunicação (Facom), e pelo Ministério da Cultura. O evento conta com a parceria da Edufba – Editora da UFBA, Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais (NAPE), Agenda Arte e Cultura da UFBA, Escola de Dança da UFBA, Serviço Social da Indústria (SESI) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

Programação virtual destaca o poder transformador da cultura – As primeiras mesas de discussão acontecem de forma on-line. Na quinta-feira (06), às 10h, a professora Lourivania Soares e o professor Matías Zarlenga (UNTREF/Argentina/Universidad de Barcelona) formam a mesa “Valoração de Práticas Culturais”. Inspirada nas discussões do Mondiacult 2025, a mesa debate o reconhecimento dos aspectos intangíveis da cultura – saberes, modos de vida e vínculos afetivos – nas políticas públicas e defende ferramentas capazes de captar essa pluralidade em prol de sociedades mais justas e sustentáveis. A coordenação é realizada pelo professor Beto Severino (UFBA).

Na sexta-feira (07), às 10h, acontece a mesa “20 Anos da Carta Cultural Ibero-Americana”, com a participação dos professores Daniel Gonzalez (Universidad de Granada/ Argentina) e Ana Rosas Mantecón (Universidade Autônoma Metropolitana/México). O debate revisita o documento aprovado em 2006, em Montevidéu, pelos chefes de Estado e de Governo ibero-americanos durante a XVI Cimeira Ibero-Americana, para avaliar como a diversidade cultural tem sido tratada na região duas décadas depois. A mesa é coordenada pelo professor Rubens Bayardo (Universidade de Buenos Aires/Argentina).

Durante as tardes, a partir das 14h, a programação virtual recebe também sessões de apresentação de artigos, divididas em 24 grupos de trabalho, onde pesquisadores apresentam suas produções em torno de temas importantes para o campo cultural, como: culturas digitais, América Latina, juventudes, identidades, dentre outros.

Diversidade cultural e democracia estão na pauta dos encontros presenciais – Na terça-feira (11), às 9h, o auditório da Faculdade de Comunicação (FACOM) da UFBA recebe a primeira programação presencial. Após a fala de boas-vindas de Sophia Rocha, acontece, na sequência, a mesa-redonda “Democracias contra barbáries”, com coordenação de Albino Rubim (UFBA) e participação confirmada de Celi Regina Jardim Pinto (UFRGS),  Zulu Araújo (UFBA) e Luis Felipe Miguel (UnB). O debate reflete sobre o avanço de autoritarismos e movimentos de extrema-direita no mundo, os efeitos das desigualdades do neoliberalismo e a crise da democracia liberal-representativa.

Com o objetivo de discutir a afirmação recente das universidades como instituições eminentemente culturais, a programação da quarta-feira (12), às 9h, promove a mesa “Culturas e Universidades”, com coordenação de Gleise Oliveira (Unipampa) e participação de Paulo Miguez (UFBA), Fernando Mencarelli (UFMG) e Flavia Cruvinel (UFG). O debate discute a questão para além da tradicional prioridade dada à formação profissional e à pesquisa científica, destacando a institucionalização da cultura nas universidades brasileiras.

Já na quinta-feira (13), às 9h, a mesa “Contribuições de Lélia Gonzalez, Milton Santos e Darcy Ribeiro para pensar cultura na Améfrica Ladina” reúne Ângelo Serpa (UFBA), Raquel Barreto (UFF) e Eneida Leal Cunha (UFRJ), sob coordenação de Ohana Boy (UFBA). A mesa propõe uma discussão transdisciplinar sobre o legado teórico e político desses três intelectuais para pensar a cultura brasileira a partir das dimensões de raça, classe e gênero.

Na sexta-feira (14), encerram-se os ciclos de discussões com três mesas. Às 9h, o evento promove “Ciclos de saberes e notório saber para mestres e mestras da cultura”, mediada por Alexandre Falcão (SEFLI/MinC) e com a participação de Mãe Diana de Oxum, Tião Soares (SCDC/MinC), Fabiano Piúba (SEFLI/MinC) e Guilherme Bertissolo (UFBA). O debate examina os desafios de articular a política cultural de reconhecimento dos mestres de saberes tradicionais com a política de educação superior, questionando que arquitetura institucional permite traduzir o reconhecimento cultural em reconhecimento acadêmico sem capturar ou reduzir os saberes que se pretende honrar.

Em seguida, às 14h, Guilherme Varella (UFBA) medeia a mesa “Cultura Viva para o futuro” com a participação de Luana Vilutis (UFBA), Márcia Rollemberg (SCDC/MinC), Leonardo Lessa (Funarte), Alexandre Santini (FCRB) e Nádia Akawã Tupinambá (Ponto de Cultura Aldeia Tukum). O debate discute os rumos da Política Nacional de Cultura Viva a partir da pesquisa “Diagnóstico econômico dos Pontos de Cultura”, realizada pelo Consórcio Universitário Cultura Viva (UFBA-UFF-UFPR) em parceria com a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC.

Por fim, às 16h30, a mesa “A Política Nacional Aldir Blanc em análise” reúne Sophia Rocha (UFBA), Giuliana Kauark e Juliana Almeida (SGE/MinC), Roberta Martins (SAFCC/MinC) e Luiza Hardman (Funarte), sob mediação de Adriano Sampaio (UFBA). A discussão parte de pesquisas produzidas sobre o Ciclo 1 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) para avaliar seus limites e desdobramentos.

Durante os três dias de programação presencial, haverá sessões presenciais de apresentação de artigos acadêmicos, relatos de experiência e realização de mesas coordenadas.

Lançamento de livros, teatro e música marcam a programação cultural – O início da noite, a partir das 19h, está reservado às atrações culturais do Enecult 2026. Na terça-feira (08), o Teatro Experimental do Movimento da Faculdade de Dança recebe o espetáculo “Solo da Cana”. A montagem provocadora apresenta ao público o depoimento ficcional de uma cana-de-açúcar, símbolo máximo da monocultura no Brasil, que ganha voz e protagonismo para refletir sobre os vínculos coloniais e o racismo ambiental que configurou nossa relação com a terra e os corpos que nela vivem.

O lançamento coletivo de livros já é uma tradição do evento, que acontece na quarta-feira (12), no auditório da Facom/UFBA. Ao todo são 14 livros que serão apresentados e seus respectivos autores estarão presentes para conversar com o público presente. Entre as obras estão títulos como “O avesso da festa: relações interseccionais entre trabalho e gênero no Recôncavo”, de Mariella Pitombo Vieira e Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa; “Universidades e Cultura” e “Avanços e dilemas do Ministério da Cultura em seus 40 anos”, ambos organizados por Antonio Albino Canelas Rubim em parceria com outros pesquisadores; além de publicações como “Trajetórias das políticas culturais: uma década de leituras a partir do Ipea”, “ABC Cultura Viva” e “Mediatização e circulação: reflexões e práticas de pesquisa”, entre outras. As vendas acontecem no local a cargo da Edufba.

Na quinta-feira (13), acontece a confraternização do evento, na Varanda do SESI Rio Vermelho, com a cantora Claudya Costta, num show em homenagem a Gilberto Gil.

SERVIÇO

O quê: 22º Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult)
Quando: dias 6, 7, 11, 12, 13 e 14 de agosto de 2026

Onde: Presencial – Salvador (Faculdade de Comunicação/UFBA – Ondina | Virtual – YouTube (youtube.com/enecult)

Quanto: Sem certificação, o evento é gratuito e aberto ao público. Para quem desejar receber certificado de participação, a inscrição pode ser feita até 30 de julho no enecult.ufba.br. O investimento é de R$ 70 a R$ 100.

Confira a programação completa em www.cult.ufba.br/enecult/programacao

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