Ortopedista explica impactos do teletrabalho prolongado em músculos, articulações e capacidade funcional; pausas ativas mostram redução de até 10 horas de sedentarismo
Cerca de 1,8 bilhão de adultos em todo o mundo, o equivalente a 31% da população, não praticam atividade física suficiente para atender às recomendações mínimas de saúde, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicados na revista The Lancet Global Health. Em uma rotina marcada pelo avanço do trabalho remoto e híbrido, especialistas alertam que passar muitas horas sentado pode ter consequências silenciosas para músculos, articulações e mobilidade, aumentando dores nas costas, no pescoço e nos ombros.
De acordo com o médico ortopedista Dr. Guilherme Morgado Runco, consultado pela Zimmer Biomet, o corpo humano foi desenvolvido para se movimentar e quando passamos muitas horas sentados, diversos sistemas deixam de receber os estímulos necessários para funcionar adequadamente. “O resultado pode ser um processo gradual de perda de condicionamento muscular, rigidez articular e sobrecarga de estruturas importantes para o movimento”, explica.
Embora os riscos cardiovasculares e metabólicos do sedentarismo sejam amplamente conhecidos, os impactos sobre a saúde musculoesquelética ainda recebem menos atenção. Estudos recentes mostram que dores nas costas, no pescoço e nos ombros estão entre as queixas mais frequentes entre profissionais que atuam em regime remoto; quadro associado à combinação entre longos períodos que se passa sentado, redução da movimentação ao longo do dia e fatores ergonômicos inadequados.
Sedentarismo afeta músculos e articulações mesmo sem sintomas imediatos
Segundo Dr. Guilherme, permanecer sentado durante períodos prolongados reduz a ativação de grupos musculares responsáveis pela estabilização da coluna e das articulações.
“Quando estamos em movimento, os músculos funcionam como um sistema natural de proteção das articulações. Já durante longos períodos de inatividade, essa musculatura trabalha menos, favorecendo desequilíbrios biomecânicos e aumentando a sobrecarga em regiões como pescoço, ombros, coluna lombar e quadris”, afirma.
Além da redução da ativação muscular, o sedentarismo prolongado pode provocar diminuição da circulação sanguínea periférica, aumento da pressão sobre a coluna cervical e lombar, além de maior rigidez articular ao longo do dia.
Os sintomas podem surgir de forma aparentemente banal, como dores nas costas, desconforto cervical, sensação de peso nas pernas, perda de flexibilidade e dificuldade para permanecer em determinadas posições por muito tempo. Entretanto, de acordo com o especialista, um dos maiores desafios é que os impactos do sedentarismo são cumulativos.
“Muitas pessoas acreditam que estão bem porque não sentem uma dor intensa. No entanto, a perda de força muscular e de mobilidade acontece progressivamente. Frequentemente, os sinais só se tornam evidentes quando atividades cotidianas passam a exigir mais esforço ou quando surgem dores recorrentes”, explica.
“Quanto melhor o condicionamento muscular, maior a capacidade de proteger as articulações e absorver as cargas impostas pelas atividades diárias. Isso contribui para a prevenção de lesões e para a manutenção da qualidade de vida durante o envelhecimento”, acrescenta.
Pausas ativas podem ajudar a combater os efeitos do home office
A boa notícia é que mudanças simples na rotina podem fazer diferença. Estudos recentes mostram que a adoção de pausas ativas ao longo do expediente pode reduzir significativamente o tempo sedentário semanal e contribuir para diminuir dores musculoesqueléticas, fadiga e estresse, sem prejudicar a produtividade.
“Não é apenas a atividade física praticada na academia que importa. O movimento distribuído ao longo do dia também é essencial. Levantar-se entre reuniões, caminhar alguns minutos, alongar e mudar de posição regularmente ajudam a reduzir a sobrecarga sobre músculos e articulações”, orienta Dr. Guilherme.
A OMS recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada para adultos. Mas, para o especialista, a principal mensagem é outra.
“Não precisamos esperar a dor aparecer para agir. Preservar a mobilidade é um investimento de longo prazo. Quanto mais cedo adotamos hábitos que combatem o sedentarismo, maiores são as chances de manter músculos e articulações saudáveis ao longo da vida”, conclui.
Sobre a Zimmer Biomet
Fundada em 1927 e sediada em Warsaw, Indiana (EUA), a Zimmer Biomet é líder global em saúde musculoesquelética. A empresa desenha, fábrica e comercializa produtos reconstrutivos ortopédicos; produtos de medicina esportiva, biológicos, extremidades e traumas; tecnologias office-based; produtos de coluna, craniomaxilofacial e torácico; implantes dentários; e produtos cirúrgicos relacionados. A companhia colabora com profissionais de saúde em todo o mundo para aumentar o ritmo da inovação. Seus produtos e soluções ajudam a tratar pacientes que sofrem de doenças ou lesões em ossos, articulações ou tecidos moles. Junto com profissionais de saúde, ajudam milhões de pessoas a viverem melhor. A Zimmer Biomet possui operações em mais de 25 países e comercializa seus produtos em mais de 100 localidades.















