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Subdiagnóstico ainda é grande impasse no tratamento da demência

  • Destaque 1-vitalidade, Saúde, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2025-03-28
  • Sem comentários
  • 3 minutos de leitura

Foto: Reprodução

Disparidade social e de saúde são fatores relevantes do envelhecimento cerebral na América Latina, revela estudo que contou com a participação de especialista do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento

Um grande número de casos de demência é esperado dentro dos próximos anos em todo o mundo. Porém o que se observa é que os países de alta renda demonstraram taxas decrescentes de demência, enquanto a incidência aumentou rapidamente em países de baixa e média renda, que já respondem por quase dois terços da população global que sofre de demência. Este é um ponto trazido pelo artigo “Guidelines for the use and interpretation of Alzheimer’s disease biomarkers in clinical practice in Brazil“, de 2024, um dos especialistas que assinam o estudo é Wyllians Vendramini Borelli, neurologista e coordenador de Pesquisa do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento. 

O impacto epidemiológico da demência é devastador: 8 a cada 10 brasileiros que possuem demência, em sua maioria Alzheimer (70%), não estão diagnosticados. Isso significa que não estão acompanhando sua doença, tendo hábitos que poderiam estancar sua progressão ou colaborarem para um melhor bem-estar. 

Para Borelli, o imenso subdiagnóstico preocupa especialistas porque impede que pacientes recebam assistência para tentar desacelerar a progressão da doença e ter mais qualidade de vida. Além disso, deixa familiares às escuras, sem a oportunidade de se preparar para lidar com o avanço da condição. 

Como a doença de Alzheimer se inicia muito antes da demência, atualmente, o maior foco dos profissionais do Centro da Memóriado Hospital Moinhos de Vento é em relação à prevenção, seja ela antes dos sintomas (primária) ou depois do início dos sintomas (secundária). “Somos um dos únicos do Brasil com foco em ‘Serviço de Saúde Cerebral’. Desenvolvemos um trabalho intensivo para identificação de fatores que comprovadamente pioram a memória para, então, controlá-los e poder reduzir o seu impacto”, explica Borelli. 

São analisados e acompanhados os 14 fatores de risco da demência de cada paciente: escolaridade, possíveis lesões cerebrais traumáticas, perda de audição, colesterol LDL alto, depressão, diabetes, obesidade, hipertensão, sedentarismo, tabagismo, abuso de álcool, isolamento social, poluição do ar e perda visual. Por meio de questionários muito sensíveis e testes, os médicos do Centro trabalham em parceria com outros profissionais, como otorrinolaringologista, neuropsiquiatra, psiquiatra, geriatra, cardiologista e fonoaudiólogo. 

O Centro da Memória do Moinhos alia assistência e pesquisa, o que possibilita aos pacientes ter acesso aos maiores avanços mundiais em relação ao tratamento e de forma mais rápida. “Hoje, contamos com vários protocolos de pesquisa e estudos acadêmicos para auxiliar no diagnóstico precoce da população brasileira”, ressalta o neurologista. Para ele, o contexto de novos tratamentos e novas pesquisas sobre Alzheimer traz novas esperanças para a doença. 

Relação entre educação e desenvolvimento de demência. Ao lado de especialistas, Borelli contribui com pesquisas e artigos frequentemente, como a publicação recente na revista científica “The Lancet”, em janeiro de 2025, que denota que o maior fator de risco para alguém desenvolver declínio cognitivo no Brasil não é a idade avançada, e sim a falta de acesso à educação. 

O estudo enfatiza que a disparidade social e de saúde são fatores relevantes do envelhecimento cerebral saudável na América Latina sendo a escolarização o elemento mais determinante no processo de envelhecimento cerebral. Foram analisados dados de cerca de 41 mil pessoas em cinco países latinos (Brasil, Colômbia, Equador, Chile e Uruguai). “A educação e sintomas de saúde mental foram os fatores modificáveis mais importantes para o envelhecimento cerebral saudável no Brasil, o que indica que devem ser priorizados no Brasil ao desenharmos estratégias de saúde pública”, explica Borelli. 

Baixos níveis de educação, instabilidade econômica e insegurança social são determinantes para um grande impacto no envelhecimento cerebral na população brasileira, especialmente nas regiões mais carentes. Além disso, fatores cardiometabólicos, por exemplo, hipertensão, diabetes e doenças cardíacas, também contribuem para o declínio funcional no Brasil.

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