Pesquisas da Mayo Clinic investiga como um implante feito com células cultivadas em laboratório pode estimular o órgão a voltar a funcionar melhor
Um adesivo com células tronco colocado sobre a parte do coração atingida por um infarto ajudou o órgão a recuperar sua capacidade de bombear sangue. Em uma pesquisa com animais, algumas medidas de funcionamento voltaram, após três meses, a níveis próximos aos do coração saudável. O resultado abre caminho para investigar uma forma de tratar os danos que permanecem depois do episódio.
Feito com células cultivadas em laboratório, o material é aplicado para cirurgia. A proposta é ajudar uma região que perdeu parte de sua força. Isso acontece porque o infarto provoca a morte de células do músculo cardíaco e deixa uma cicatriz, que não se bombeia como o tecido que havia ali.
“Depois de um infarto, o coração pode ter dificuldade para manter o trabalho que fazia antes. A idéia do adesivo com células tronco é auxiliar a regeneração do local infartado evitando a perda de função do órgão”, explica o médico Guilherme Storch, especialista em Medicina de Família.
O estudo foi apresentado em uma sessão da Sociedade Internacional para Pesquisa com Células Tronco, a ISSCR. Um detalhe chamou a atenção dos pesquisadores.
As células colocadas ali liberam seu conteúdo que favorece a regeneração e a formação de vasos que levam sangue à região. “Essas células não precisam ficar para sempre no coração, elas funcionam como doadoras de seu material, isso é conhecido como efeito parácrino ”, observa Storch.
Ainda será necessário descobrir se o benefício pode se repetir em pessoas e quais são os riscos. O resultado observado nos porcos não significa que o coração tenha se recuperado por completo, mas indica uma possibilidade de devolver parte da função perdida.
Para Storch, o interesse está no que essa pesquisa pode ensina sobre a regeneração do órgão. “Esse tipo de estudo mostra quanto o campo da Medicina Regenerativa é promissor, em um futuro muito breve vamos utilizar menos medicações e mais terapias com células tronco. O futuro da medicina mora nas terapias celulares e gênicas, essas são as atuais fronteiras sendo transpostas.”, complementa o médico.
Sobre Dr. Guilherme Storch:
Dr. Guilherme Storch é médico especialista em Medicina de Família, formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É especialista em Medicina de Família pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), tem pós-graduação em Medicina Funcional e Prevenção do Envelhecimento, além de especialização em Metabolômica e Bioquímica Clínica. Sua formação inclui Medicina de Precisão, Nutrigenômica, Medicina do Sono pela Mayo Clinic, Medicina Corpo e Mente, Saúde da Mulher e Menopausa. Testosterona e Disfunção Sexual pela Universidade de Harvard. Sua prática médica é orientada por uma abordagem funcional de precisão, com foco na prevenção de doenças, no equilíbrio metabólico, na performance e na longevidade individualizada.








