Essa pergunta parece simples, mas poucas pessoas param para respondê-la com honestidade. A maioria já decidiu, sem perceber, que ansiedade e sucesso são inimigos, que uma delas precisa perder para a outra existir. Mas será que é bem assim?
A ansiedade nasceu para te proteger. Ela é o sistema de alarme do corpo, aquele que dispara diante de qualquer sinal de ameaça real ou imaginaria. Em doses controladas, ela apura os sentidos, aumenta o senso de responsabilidade e te empurra para a frente. Foi ela quem te fez estudar a noite toda antes da prova, revisar o projeto mais uma vez antes de entregar, ensaiar a apresentação no banho até decorar cada palavra.
Antes de tratá-la apenas como vilã, vale reconhecer que uma parte do seu sucesso até hoje provavelmente veio através dela, e não apesar dela. O problema começa quando esse alarme deixa de saber a hora de desligar.
É aí que a ansiedade deixa de te impulsionar e passa a te paralisar. E isso acontece de forma que muita gente nem reconhece a como ansiedade, porque ela raramente se apresenta com esse nome.
Ela aparece como perfeccionismo: aquele projeto que nunca sai da gaveta porque “ainda não está bom o suficiente”, mesmo depois da quinta revisão. Aparece como procrastinação, que na verdade é medo disfarçado, é mais fácil não começar do que começar e correr o risco de falhar e de ser criticado. Aparece como aquele “sim” automático a tudo que te pedem, por medo de decepcionar, até a agenda explodir e não sobrar energia para nada que realmente importa. E aparece, principalmente, como aquela voz interna que já reprovou a ideia antes mesmo de você apresentá-la.
Em nenhum desses casos a pessoa está “sem ambição” ou “sem talento”. Ela está presa num ciclo onde o medo de errar pesa mais do que a vontade de acertar. E, com o tempo, esse ciclo cobra um preço alto: oportunidades recusadas, ideias guardadas, relações desgastadas por excesso de cobrança consigo mesmo e com quem está por perto.
Isso fica ainda mais visível em fases de transição, como a adolescência ou o início da vida profissional, quando cada escolha parece decisiva e cada erro parecer definitivo. É comum ver alguém extremamente capaz travando justamente nos momentos que mais importam: a prova, a entrevista, a apresentação, a decisão. E é comum também que quem está ao lado, como pais, parceiros e líderes sinta que está fazendo algo errado, sem entender por que tanto potencial não se traduz em ação.
Ninguém escolhe ficar paralisado. O corpo e a mente reagem a um perigo que, muitas vezes, só existe na cabeça, mas que é sentido como absolutamente real.
A pergunta certa não é “como faço a ansiedade desaparecer?”, porque ela provavelmente não vai desaparecer e nem precisa. A questão é entender em que momento ela deixa de te proteger e começa a te limitar.
Existe uma linha, quase sempre discreta, entre revisar um relatório mais uma vez por cuidado e revisar pela décima vez porque a ideia de mostrá-lo pronto dá mais medo do que a ideia de nunca terminar. Entre se preparar bem para uma conversa difícil e evitá-la indefinidamente porque o desconforto parece maior do que qualquer benefício possível.
Reconhecer essa linha é o primeiro passo. O segundo é entender que ela pode ser trabalhada em terapia, com as ferramentas certas. Assim, o que antes parecia um limite fixo pode se tornar algo possível de transformar.
A reflexão que fica é olhar para as últimas conquistas que você teve e pensar: quanto aconteceu apesar da ansiedade e quanto foi ela que, sem você perceber, decidiu por você o que arriscar e o que evitar?
Sobre Pat Benk:
Pat Benk é psicóloga e atende adolescentes, adultos, mães e pais. Seu trabalho reúne escuta, conhecimento técnico e ferramentas para compreender questões emocionais, comportamentais e relacionais. Na psicoterapia, desenvolve estratégias de acordo com a história e as necessidades de cada paciente, com foco na ampliação da consciência sobre si, na autonomia e na construção de novas formas de lidar com as dificuldades do cotidiano.
Sobre o Grupo CULT:
O Grupo CULT é um ecossistema de saúde, estética e bem-estar localizado na Vila Olímpia, em São Paulo. Fundado pela ortodontista Erika de Paula Godinho, reúne cinco frentes em um mesmo endereço: CULT Odonto, CULT Esthétique, CULT Méd, SPA da CULT e CULT CLUB. A empresa trabalha com equipes multidisciplinares e organiza o atendimento a partir da escuta, do planejamento individual, da explicação das etapas e do acompanhamento. A direção clínica é de Victor Ruano. Mais informações em grupocult.net.








