Especialista alerta que ingerir bebidas alcoólicas de forma excessiva pode causar danos significativos à mucosa do estômago e do esôfago, prejudicando a saúde digestiva; moderação e equilíbrio são o segredo
O Carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano. Segundo dados do Ministério do Turismo (MTur), em 2024, mais de 49 milhões de pessoas viajaram para destinos como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro para festejar a data. No entanto, além da diversão, o período está diretamente ligado ao aumento do consumo de álcool, muitas vezes combinado com uma alimentação desregulada e hábitos prejudiciais. O abuso dessas bebidas pode desencadear uma série de problemas gastrointestinais, como gastrite, refluxo, diarreia, intoxicação alimentar e desidratação severa.
Dr. Américo de Oliveira Silvério, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia, alerta que o álcool é uma substância irritante para o trato gastrointestinal e pode causar danos significativos à mucosa do estômago e do esôfago. Entre os problemas mais comuns está a gastrite, uma inflamação da mucosa estomacal. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta 50% da população mundial e 70% dos brasileiros. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados também pode agravar a situação, especialmente em dias quentes e com poucas horas de sono, já que esses produtos são ricos em sódio, gorduras saturadas e aditivos químicos que sobrecarregam o organismo.
Outro fator preocupante é a ingestão de alimentos contaminados. Dr. Américo de Oliveira Silvério explica que, com as altas temperaturas do verão, os casos de intoxicação alimentar tendem a aumentar, principalmente durante festividades, quando grande parte da população frequenta praias, clubes e blocos de rua. “O consumo de alimentos contaminados ou mal preparados durante o Carnaval pode levar a essa condição, causando náusea, vômitos e diarreia”, afirma o especialista.
Além disso, o álcool tem efeito diurético, aumentando a produção de urina e elevando o risco de desidratação, um problema que se torna ainda mais grave em ambientes de festa e calor intenso.
A combinação de álcool com energéticos e medicamentos, como antiácidos, também pode trazer riscos à saúde. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), o consumo de energéticos no Brasil mais que dobrou entre 2017 e 2021, passando de 400 ml para mais de 800 ml por habitante ao ano. “Os energéticos contêm cafeína, um estimulante do sistema nervoso central. A combinação com álcool pode mascarar os efeitos da bebida, levando a um consumo excessivo. Já a associação de álcool com antiácidos pode aumentar a absorção da substância, potencializando seus efeitos”, alerta Dr. Américo de Oliveira Silvério.
Para evitar problemas gastrointestinais durante o Carnaval, o especialista recomenda o consumo moderado de álcool, evitar misturar bebidas alcoólicas com outras substâncias, manter uma alimentação equilibrada e reforçar a hidratação.
As festas devem ser aproveitadas, mas sem comprometer a saúde digestiva. Para isso, é essencial beber bastante água e monitorar a quantidade de álcool ingerida. O Ministério da Saúde reforça que a quantidade ideal de água varia conforme idade, peso, nível de atividade física e clima. Embora a recomendação geral seja de 2 litros por dia, o órgão destaca a importância de atender prontamente aos sinais de sede do organismo.
Sobre a Federação Brasileira de Gastroenterologia
A FBG é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 1949, responsável por emitir o Título de Especialista em Gastroenterologia, conforme as normas da Associação Médica Brasileira (AMB) e reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A instituição também organiza o Congresso Brasileiro de Gastroenterologia, realizado a cada dois anos, e publica a revista Arquivos de Gastroenterologia, uma das mais importantes da área. Para saber mais sobre a nova gestão da FBG, acesse o site www.fbg.org.br















