Terreiro, reconhecido como patrimônio cultural brasileiro, reúne lideranças religiosas de diferentes países e celebra quase dois séculos de preservação da cultura, da memória e das tradições de matriz africana
Em 2026, a Casa de Oxumarê, um dos mais antigos e tradicionais terreiros de Candomblé do Brasil, celebra 190 anos de história reafirmando seu papel como guardiã da ancestralidade afro-brasileira e referência na preservação das religiões de matriz africana. Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a instituição marca a data com uma programação que também homenageia os 60 anos de iniciação no Olorí do atual babalorixá, Sivanilton da Encarnação da Mata, o Babá Pecê. A comemoração oficial acontecerá no dia 15 de agosto, a partir das 8h, na sede do espaço sagrado, na Federação.
As celebrações reunirão autoridades, pesquisadores e representantes religiosos de diversos países, fortalecendo o diálogo entre a diáspora africana e suas raízes históricas no continente africano. O momento simboliza quase dois séculos de resistência, transmissão de saberes e preservação de um patrimônio que ajudou a moldar a identidade cultural da Bahia e do Brasil.
Quase dois séculos de resistência e preservação da ancestralidade
Fundada em 1836, a Casa de Oxumarê atravessou diferentes períodos da história brasileira mantendo vivos os fundamentos do Candomblé, apesar das perseguições, da criminalização das religiões de matriz africana e do racismo religioso. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como um espaço de preservação da memória, da espiritualidade e dos conhecimentos ancestrais transmitidos entre gerações.
Além de seu papel religioso, o terreiro tornou-se uma importante referência cultural, abrindo suas portas para pesquisadores, estudantes, universidades e instituições públicas, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a cultura afro-brasileira e promover o diálogo em torno da liberdade religiosa e do combate à intolerância.
“Celebrar 190 anos é celebrar a vitória da ancestralidade sobre o tempo. Nossa história representa a força da cultura afro-brasileira, da memória dos nossos ancestrais e da capacidade que as religiões de matriz africana tiveram de preservar sua identidade, seus rituais e seus valores. É um legado que pertence à Bahia, ao Brasil e a todas as futuras gerações”, afirma Babá Pecê.
Sessenta anos de dedicação ao sagrado
A programação também celebra um marco pessoal que se confunde com a própria história da Casa de Oxumarê: os 60 anos de iniciação religiosa de Babá Pecê. Ao longo de seis décadas, sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a preservação dos fundamentos do terreiro, pela valorização da memória institucional, pelo incentivo às pesquisas e pelo fortalecimento do diálogo entre a tradição e a sociedade.
Sob sua liderança, a Casa ampliou sua atuação como patrimônio vivo da cultura afro-brasileira, reafirmando que a preservação do sagrado também passa pelo reconhecimento da história, da identidade e da contribuição das religiões de matriz africana para a formação do país.
Como parte das comemorações, a programação contará com uma cerimônia cívica com a participação da Banda da Polícia Militar e o hasteamento das bandeiras. Na ocasião, os Correios realizarão o lançamento oficial do selo postal comemorativo em homenagem aos 190 anos da Casa de Oxumarê, acompanhado do tradicional carimbo comemorativo.
A emissão integra a série filatélica Brasil Negro – Espelhos da Ancestralidade e permanecerá disponível para comercialização nas agências dos Correios pelos próximos cinco anos. Mais do que um item para colecionadores, o selo representa um reconhecimento institucional da relevância histórica, cultural e religiosa da Casa de Oxumarê, levando sua memória para todo o território nacional e contribuindo para ampliar o conhecimento sobre esse patrimônio brasileiro.













