Doenças cardiovasculares já mataram mais de 240 mil brasileiros só em 2024 — e muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce
No tempo que você levou para ler esta frase, pelo menos uma pessoa morreu no mundo em decorrência de uma doença cardiovascular. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), essas condições seguem como a principal causa de morte global, responsáveis por 17,9 milhões de óbitos por ano, o equivalente a 31% de todas as mortes registradas. Só no Brasil, mais de 240 mil pessoas já perderam a vida por problemas no coração em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde.
O número assusta — e poderia ser menor. Infartos, AVCs e outras complicações cardiovasculares têm algo em comum: muitas vezes, são evitáveis com diagnóstico precoce, controle de fatores de risco e acompanhamento médico. Mas quando, afinal, é a hora certa de começar a cuidar do coração? E que tipo de exames realmente fazem a diferença?
Segundo a cardiologista Sandra Maria Alessandri, professora do curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), pacientes saudáveis e assintomáticos, sem histórico familiar, já podem iniciar uma avaliação preventiva aos 40 anos, com exames básicos de análises clínicas como dosagem de colesterol, glicemia, triglicérides, ácido úrico e um eletrocardiograma.
“Se não há antecedentes importantes, esse pacote já é suficiente para começar uma avaliação”, explica a docente. “Mas em casos com histórico familiar de doenças cardiovasculares, esse acompanhamento precisa começar ainda na infância, com foco em níveis glicêmicos e lipídicos, e se intensificar por volta dos 30 anos”, ressalta.
Fatores silenciosos, mas perigosos
Grande parte dos riscos cardiovasculares mais graves são silenciosos e, por isso, muitas vezes ignorados. “Colesterol alto, glicemia elevada, hipertensão arterial e até alterações de ácido úrico não causam sintomas no início. Mas sua combinação pode desencadear doenças arterioscleróticas graves”, alerta Alessandri.
Outro fator crônico que merece atenção é a hipertensão, que também pode estar elevada sem provocar qualquer manifestação sintomática, assim como a arritmia. Isso demonstra a importância da realização de check-ups: antecipam diagnósticos e permitem intervenções precoces.
Jovens também precisam olhar para o coração?
Para adultos jovens (entre 20 e 30 anos) saudáveis, com pressão e IMC normais, a avaliação cardíaca mais detalhada não é obrigatória. Mas, em casos de histórico familiar, estilo de vida sedentário, uso de substâncias ou entrada em atividades esportivas de alta exigência, os cuidados devem ser ampliados.
“Se o jovem vai ingressar numa carreira esportiva, por exemplo, deve realizar exames como ECG, ecodopplercardiograma e teste ergoespirométrico para avaliar a condição cardiovascular basal”, afirma Sandra Alessandri, cardiologista e docente de medicina da Unicid.
Ela também chama atenção para hábitos cotidianos — como tabagismo, má alimentação e ritmo de sono irregular — que, embora muitas vezes normalizados, afetam diretamente a saúde do coração.
Estresse, ansiedade e hormônios também pesam
O estresse crônico e a ansiedade não aparecem em exames tradicionais, mas deixam rastros. O aumento persistente dos níveis de cortisol está associado a distúrbios do sono, alterações na imunidade, elevação da pressão arterial e desregulação glicêmica. “A avaliação começa por uma boa anamnese, onde se localizam os fatores estressantes. Depois, exames laboratoriais podem ajudar a quantificar o impacto”, explica a médica.
E no caso das mulheres, há ainda os efeitos dos hormônios e do uso de anticoncepcionais. “Antes da menopausa, as mulheres têm menor risco cardiovascular em relação aos homens da mesma idade. Mas após a queda dos níveis hormonais, esse risco se iguala”, afirma Alessandri. “Além disso, o uso de anticoncepcionais pode aumentar o risco de eventos trombóticos, especialmente em combinação com hábitos como o tabagismo”, explica.
Quando procurar o clínico geral ou o cardiologista?
O clínico geral pode conduzir bem os exames de rotina, monitoramento da pressão arterial e o pedido de exames laboratoriais iniciais. No entanto, segundo a médica, a avaliação com um cardiologista é fundamental em casos de alterações nos exames ou sintomas sugestivos de comprometimento do sistema circulatório. “Mesmo sem sintomas, um bom exame clínico feito pelo especialista pode identificar sinais iniciais de doenças graves. A consulta especializada é a chance de prevenir antes que a situação se torne crítica”, detalha.
Prevenir é mais barato — e mais inteligente
A Opas destaca que mais de três quartos das mortes por doenças cardiovasculares ocorrem em países de baixa e média renda, como o Brasil. Entre as 17 milhões de mortes prematuras (com menos de 70 anos) causadas por doenças crônicas não transmissíveis, 37% são de origem cardiovascular.
“Não é que os pacientes resistam ao cardiologista — é que, sem sintomas, não se sentem motivados a ir”, alerta a docente. “Por isso, o papel do médico assistente é fundamental para mostrar que o check-up salva vidas. Quanto antes começarmos, melhor”, finaliza.
Sobre a Unicid –AUniversidade Cidade de São Paulo (UNICID), instituição integrante do Grupo Cruzeiro do Sul, oferece diversos cursos de graduação e pós-graduação, tanto na modalidade presencial quanto a distância. Reconhecida pela qualidade do ensino e infraestrutura moderna, especialmente em cursos da área da saúde, é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) com valor máximo (5) no Conceito Institucional (CI). Check-up cardíaco: especialista explica quando começar, quais exames fazer e por que a prevenção salva vidas
Doenças cardiovasculares já mataram mais de 240 mil brasileiros só em 2024 — e muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce
São Paulo, 14 de agosto de 2025 – No tempo que você levou para ler esta frase, pelo menos uma pessoa morreu no mundo em decorrência de uma doença cardiovascular. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), essas condições seguem como a principal causa de morte global, responsáveis por 17,9 milhões de óbitos por ano, o equivalente a 31% de todas as mortes registradas. Só no Brasil, mais de 240 mil pessoas já perderam a vida por problemas no coração em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde.
O número assusta — e poderia ser menor. Infartos, AVCs e outras complicações cardiovasculares têm algo em comum: muitas vezes, são evitáveis com diagnóstico precoce, controle de fatores de risco e acompanhamento médico. Mas quando, afinal, é a hora certa de começar a cuidar do coração? E que tipo de exames realmente fazem a diferença?
Segundo a cardiologista Sandra Maria Alessandri, professora do curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), pacientes saudáveis e assintomáticos, sem histórico familiar, já podem iniciar uma avaliação preventiva aos 40 anos, com exames básicos de análises clínicas como dosagem de colesterol, glicemia, triglicérides, ácido úrico e um eletrocardiograma.
“Se não há antecedentes importantes, esse pacote já é suficiente para começar uma avaliação”, explica a docente. “Mas em casos com histórico familiar de doenças cardiovasculares, esse acompanhamento precisa começar ainda na infância, com foco em níveis glicêmicos e lipídicos, e se intensificar por volta dos 30 anos”, ressalta.
Fatores silenciosos, mas perigosos
Grande parte dos riscos cardiovasculares mais graves são silenciosos e, por isso, muitas vezes ignorados. “Colesterol alto, glicemia elevada, hipertensão arterial e até alterações de ácido úrico não causam sintomas no início. Mas sua combinação pode desencadear doenças arterioscleróticas graves”, alerta Alessandri.
Outro fator crônico que merece atenção é a hipertensão, que também pode estar elevada sem provocar qualquer manifestação sintomática, assim como a arritmia. Isso demonstra a importância da realização de check-ups: antecipam diagnósticos e permitem intervenções precoces.
Jovens também precisam olhar para o coração?
Para adultos jovens (entre 20 e 30 anos) saudáveis, com pressão e IMC normais, a avaliação cardíaca mais detalhada não é obrigatória. Mas, em casos de histórico familiar, estilo de vida sedentário, uso de substâncias ou entrada em atividades esportivas de alta exigência, os cuidados devem ser ampliados.
“Se o jovem vai ingressar numa carreira esportiva, por exemplo, deve realizar exames como ECG, ecodopplercardiograma e teste ergoespirométrico para avaliar a condição cardiovascular basal”, afirma Sandra Alessandri, cardiologista e docente de medicina da Unicid.
Ela também chama atenção para hábitos cotidianos — como tabagismo, má alimentação e ritmo de sono irregular — que, embora muitas vezes normalizados, afetam diretamente a saúde do coração.
Estresse, ansiedade e hormônios também pesam
O estresse crônico e a ansiedade não aparecem em exames tradicionais, mas deixam rastros. O aumento persistente dos níveis de cortisol está associado a distúrbios do sono, alterações na imunidade, elevação da pressão arterial e desregulação glicêmica. “A avaliação começa por uma boa anamnese, onde se localizam os fatores estressantes. Depois, exames laboratoriais podem ajudar a quantificar o impacto”, explica a médica.
E no caso das mulheres, há ainda os efeitos dos hormônios e do uso de anticoncepcionais. “Antes da menopausa, as mulheres têm menor risco cardiovascular em relação aos homens da mesma idade. Mas após a queda dos níveis hormonais, esse risco se iguala”, afirma Alessandri. “Além disso, o uso de anticoncepcionais pode aumentar o risco de eventos trombóticos, especialmente em combinação com hábitos como o tabagismo”, explica.
Quando procurar o clínico geral ou o cardiologista?
O clínico geral pode conduzir bem os exames de rotina, monitoramento da pressão arterial e o pedido de exames laboratoriais iniciais. No entanto, segundo a médica, a avaliação com um cardiologista é fundamental em casos de alterações nos exames ou sintomas sugestivos de comprometimento do sistema circulatório. “Mesmo sem sintomas, um bom exame clínico feito pelo especialista pode identificar sinais iniciais de doenças graves. A consulta especializada é a chance de prevenir antes que a situação se torne crítica”, detalha.
Prevenir é mais barato — e mais inteligente
A Opas destaca que mais de três quartos das mortes por doenças cardiovasculares ocorrem em países de baixa e média renda, como o Brasil. Entre as 17 milhões de mortes prematuras (com menos de 70 anos) causadas por doenças crônicas não transmissíveis, 37% são de origem cardiovascular.
“Não é que os pacientes resistam ao cardiologista — é que, sem sintomas, não se sentem motivados a ir”, alerta a docente. “Por isso, o papel do médico assistente é fundamental para mostrar que o check-up salva vidas. Quanto antes começarmos, melhor”, finaliza.















