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Clarindo Silva traz de volta a Terça da Bênção com show da banda Viola de 12

  • Música, Ribalta, Secundário 1
  • 2025-09-25
  • Sem comentários
  • 4 minutos de leitura

No dia 7 de outubro, às 20h, na Cantina da Lua, Clarindo Silva vai trazer de volta à vida um dos capítulos mais importantes da história do Centro Histórico: a Terça da Bênção. E a retomada não poderia ser diferente: com música, com fé e com um chamado ao povo, que é a alma dessa festa. Subirá ao Palco Riachão, dentro da Cantina da Lua, a consagrada banda Viola de Doze, grupo que há mais de duas décadas faz do samba de roda um hino de identidade e pertencimento. Os ingressos custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos pelo whatsapp 71 98868-9988 ou na portaria da Cantina da Lua.

O nascimento de um milagre cultural

Em 28 de outubro de 1983, em meio ao esvaziamento do Centro Histórico, quando ruas inteiras estavam abandonadas e casarões ameaçavam ruir, Clarindo Silva ousou sonhar. Inspirado na bênção que, todas as terças-feiras, era dada pelo padre na Igreja de São Francisco, ele reuniu amigos, artistas e sonhadores — Batatinha, Jehová de Carvalho, Silvio Mendes, Pastore, Júlio César, Renato Almeida, entre tantos — e criou a Festa da Bênção.

A primeira edição, tímida, mal juntou cem pessoas. Mas, no ano seguinte, o brilho de Zezé Motta, estrela da novela Rosa Baiana, atraiu mais de 2 mil pessoas ao Terreiro de Jesus. A partir dali, nada mais seria igual: os tambores do Olodum ecoaram pelo mundo, os Filhos de Gandhy reinventaram sua tradição, Gerônimo fez das Escadarias do Paço palco para a mais pura baianidade, e teve o melhor do samba baiano com Nelson Rufino, Valmir Lima, Edil Pacheco e tantos outros.

“De 1983 a 1991, foram 800 shows”, lembra Clarindo. Mas não foram apenas números. Foram encontros, foram risos, foram passos de samba de roda, foram tambores que ecoaram contra o esquecimento. Foi o momento em que Salvador redescobriu a si mesma.

A força de retornar

Quarenta e dois anos depois, o Centro Histórico enfrenta novamente o desafio do esvaziamento. Mas Clarindo não se rende. Aos 83 anos, continua o mesmo homem da Cantina da Lua que acreditou no impossível em 1983.

“Enquanto estava sendo gerida por mim, durante 30 anos, a festa sobreviveu. Agora, sem apoio oficial, ouso novamente. Estou clamando às autoridades, às empresas, à sociedade para se irmanarem conosco. O Pelourinho não pode viver só de Carnaval, Natal e São João. Precisamos devolver o hábito das pessoas frequentarem este lugar que é a alma de Salvador”, afirma, emocionado.

Viola de Doze: samba de roda que pulsa na memória e no futuro

E nada mais justo que a volta da Terça da Bênção seja marcada pelo som da Viola de Doze. Criada em 2002 por Helon Neves e Menininho, a banda nasceu da coragem de transformar o samba com a força da viola de doze cordas, instrumento símbolo do Recôncavo Baiano.

“A importância de trazer de volta a terça da bênção, é como diz o nosso grande mestre Clarindo, “preservar para perpetuar”, é valorizar a cultura, a arte, a boa música, diz Helon Neves que afirma que para o Viola de Doze é muito importante fazer parte desse retorno, desse fortalecimento, “levando a nossa boa música, o nosso samba de raiz, o nosso carisma e compartilhando isso com todos que irão se fazer presentes”, conclui…

Menininho, da Viola de Doze, diz que este retorno da Terça da Bênção significa “voltar com chave de ouro, num local que é maravilhoso, com energia maravilhosa, que é a Cantina da Lua”. E faz uma convocação geral: “a gente convoca, a gente convida todos vocês para participar desse retorno, vai ser maravilhoso esse lindo evento. Vida Longa à Cantina da Lua, vida longa à Terça da Bênção, vida longa a Clarindo Silva e ao samba da Bahia” diz, emocionado.

Com sucessos como Mulequeira, Tô Contente e Xula Verdadeira, a Viola conquistou o Brasil e se tornou referência no samba de roda contemporâneo. Premiada com o troféu Eu Sou o Samba e com o Berimbau de Ouro, atravessou carnavais, palcos e até a pandemia, sem jamais perder sua essência. Seus shows são mais do que apresentações: são celebrações da cultura popular, encontros de gerações, memória viva de mestres como Riachão, Bule Bule, Jota Veloso e tantos outros que moldaram o samba e a identidade baiana.

O chamado do Pelô

A Terça da Bênção sempre foi mais que um evento: foi um gesto de fé, de coragem e de reinvenção. Foi a festa que “inventou o Pelô”, que devolveu autoestima a um povo, que mostrou ao mundo que Salvador pulsa não apenas no Carnaval, mas em cada terça-feira, em cada batida de tambor.

No próximo 7 de outubro, quando as cordas da Viola de Doze se encontrarem com o batuque ancestral do Pelourinho, não será apenas um show. Será um reencontro com a memória coletiva, um convite para reocupar o Centro Histórico, um ato de resistência cultural.

Porque, como lembra Clarindo Silva, “essa bênção começou na frente da Cantina da Lua e depois ganhou o mundo. Agora é hora de trazê-la de volta para onde tudo começou”.

Serviço
Terça da Bênção – Retorno – Show com a Viola de Doze

7 de outubro de 2025, às 20h
Palco Riachão, Cantina da Lua – Terreiro de Jesus, Pelourinho
Os ingressos custam R$ 20,00 e podem ser adquiridos pelo whatsapp 71 98868-9988 ou na portaria da Cantina da Lua

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