Venda do medicamento aumentou 20 vezes em 10 anos, enquanto especialistas alertam para os riscos do uso sem indicação ou acompanhamento médico
O uso de medicamentos para disfunção erétil, como a tadalafila, tem crescido de forma acelerada no Brasil e acende um alerta entre especialistas. Dados de um levantamento feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado, mostraram que a venda do medicamento aumentou 20 vezes nos últimos 10 anos e o uso indiscriminado já era motivo de alerta.
Embora seja considerada uma medicação segura quando indicada corretamente, o uso sem orientação médica, principalmente entre jovens saudáveis, preocupa pela forma como vem sendo associado a desempenho e estética, sem necessidade clínica.
Segundo o médico urologista da equipe do Hospital do Rim, Márcio Costa, esse uso pode levar a uma “dependência da cabeça” e a uma visão errada do sexo. “A tadalafila não vicia como droga, mas a pessoa pode se acostumar a usar e começar a achar que só funciona com o remédio. Isso gera insegurança, ansiedade e uma expectative pelo desempenho “perfeito” sempre, o que não é real. Com o tempo, isso pode atrapalhar mais do que ajudar”, pontua o especialista.
O uso recreativo entre jovens, muitas vezes sem qualquer diagnóstico de disfunção erétil, também é motivo de preocupação. Para os especialistas, esse comportamento pode gerar insegurança e até desencadear dificuldades que antes não existiam. Normalmente, o uso da droga acontece porque a pessoa já tem uma percepção alterada da função sexual, de que precisa melhorar e que não está satisfeito.
Riscos, benefícios e combinação com álcool ou outras substâncias
O risco direto do medicamento é relativamente baixo em pessoas saudáveis, mas existem exceções importantes. “Pacientes que usam nitratos para doenças cardíacas ou possuem baixa capacidade pulmonar ou baixa capacidade para realizar atividade sexual, têm restrições. O importante é dizer que, embora seja uma droga segura, ela não traz nenhum benefício comprovado quanto para ganho de desempenho físico ou muscular”, explica o médico urologista da equipe do Hospital do Rim, Theo Costa.
Porém, segundo o urologista Márcio, misturar a substância com álcool, suplementos ou outros remédios pode ser perigoso. “Beber junto pode causar tontura e até desmaio, além de piorar o desempenho. Alguns remédios, principalmente do coração, podem causar uma queda de pressão perigosa quando usados juntos. Já suplementos ‘naturais’ podem ter substâncias escondidas, então a pessoa não sabe exatamente o que está tomando”, alerta o médico.
Sintomas e sinais para buscar ajuda médica
Para os especialistas, o aumento do consumo reforça a importância da informação e do acompanhamento médico. O uso consciente de medicamentos é essencial para evitar riscos desnecessários e garantir a saúde a longo prazo.
“Os sinais para procurar ajuda são os mesmos sinais de uma pessoa viciada em sexo. Quando o vício em sexo é prejudicial em outras áreas trazendo consequências negativas como a perda convívio social, de dinheiro ou de amigos por conta do vício sexual, ele traz malefícios e é hora de buscar ajuda. Abaixo, estão alguns sinais de quando buscar orientação médica.
- ansiedade na hora da relação;
- necessidade frequente do medicamento;
- aumento de dose sem orientação;
- uso associado ao álcool;
- medo de não conseguir desempenho sem o remédio;
- sintomas como tontura ou mal-estar;
- ereção que demora a passar.
















