Especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz explica como os cuidados de afirmação de gênero contribuem para a saúde mental e o bem-estar
Celebrado em 29 de janeiro, o Dia Nacional da Visibilidade Trans chama a atenção para a necessidade de ampliar o acesso da população trans a serviços de saúde qualificados, acolhedores e livres de preconceito. A data também destaca o papel das instituições de saúde na promoção da dignidade, da equidade e do cuidado integral.
De acordo com o Dr. Thiago Caetano, urologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, viver em um corpo que não corresponde à sua identidade de gênero pode gerar sofrimento significativo. Essa condição é conhecida como disforia de gênero. “A condição não é uma doença mental, mas um estado de profundo desconforto que impacta a saúde emocional, social e psicológica da pessoa trans”, explica o especialista.
Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a transexualidade da classificação de transtornos mentais, reforçando que ser trans não é uma patologia. Ainda assim, muitas pessoas trans enfrentam barreiras para acessar cuidados adequados, seja por falta de informação, estigma ou despreparo dos serviços de saúde.
O processo de afirmação de gênero é individual e pode envolver intervenções clínicas, hormonais e cirúrgicas, sempre com acompanhamento de equipes multidisciplinares. Essas equipes geralmente são compostas por profissionais como psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas e cirurgiões. Procedimentos como feminização facial, tireoplastia, mamoplastia, mastectomia masculinizante e cirurgias de redesignação sexual estão entre as possibilidades buscadas por parte da população trans como forma de alinhar o corpo à identidade de gênero.
“Estudos mostram que, quando bem indicados e realizados de forma segura, os procedimentos em afirmação de gênero contribuem para a redução da disforia, além de promover melhora da autoestima, da saúde mental e da qualidade de vida”, afirma o Dr. Thiago Caetano.
Nesse contexto, uma revisão sistemática da literatura internacional, que avaliou resultados de longo prazo (acompanhamento mínimo de um ano) após diferentes tipos de cirurgias em afirmação de gênero, identificou elevados níveis de satisfação com os resultados cirúrgicos, além de impactos positivos consistentes na autoestima e na satisfação com a própria vida¹.
Segundo a análise, pessoas submetidas a procedimentos no tórax, genitália, face, cordas vocais e redução do pomo de Adão relataram melhora significativa da autoimagem, maior conforto com o próprio corpo e redução do sofrimento associado à disforia de gênero¹. Os estudos também apontam redução de sintomas de depressão e ansiedade, além de avanços no bem-estar psicológico, na vida social e na saúde sexual, indicando benefícios duradouros para a saúde mental e a qualidade de vida¹.
Além dos cuidados clínicos, o respeito ao nome social, o uso adequado de pronomes e a criação de ambientes acolhedores são aspectos fundamentais do atendimento. Para o especialista, hospitais e serviços de saúde devem investir na capacitação de seus profissionais para garantir um cuidado ético, individualizado e baseado em evidências científicas.
“O acesso à saúde de qualidade é um direito. Oferecer um atendimento inclusivo à população trans significa reconhecer a diversidade humana e contribuir para que essas pessoas vivam melhor, com mais autonomia e participação social”, conclui Dr. Thiago Caetano.
Sobre o Dia Nacional da Visibilidade Trans
Instituído em 29 de janeiro de 2004, o Dia Nacional da Visibilidade Trans teve origem no lançamento da campanha “Travesti e Respeito”, promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com organizações da sociedade civil. A iniciativa representou o primeiro grande ato institucional do Estado brasileiro dedicado ao enfrentamento da transfobia e à afirmação dos direitos humanos da população trans.
Ao longo dos anos, a data consolidou-se como um símbolo da luta por reconhecimento e cidadania. Historicamente, pessoas trans figuram entre os grupos mais vulnerabilizados da sociedade, expostas a estigmas, discriminação e violência — fatores que impactam diretamente o acesso a serviços públicos essenciais, incluindo o cuidado em saúde.
Nesse cenário, o Ministério da Saúde tem atuado de forma pioneira na construção de políticas voltadas à população trans, com ações de prevenção, cuidado integral e ampliação do acesso aos serviços de saúde, conduzidas por áreas como o Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis.
Sobre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz
No Hospital Alemão Oswaldo Cruz servimos à vida. Somos um hospital de grande porte, referência em alta complexidade e confiabilidade. Uma instituição de 128 anos, sólida, dinâmica e determinada a inovar e contribuir com o desenvolvimento da saúde. Nossa excelência é resultado o da nossa dedicação, prontidão, empatia no cuidado e na nossa incansável busca pela melhor experiência e resultado para nossos pacientes, com qualidade e segurança certificados internacionalmente pela Joint Commission International (JCI). Contamos com um corpo clínico diversificado e renomado, além de um modelo assistencial próprio, que coloca o paciente e familiares no centro do cuidado. Nosso protagonismo no desenvolvimento da saúde é sustentado por três pilares estratégicos: Saúde Privada; Educação, Pesquisa, Inovação e Saúde Digital; Sustentabilidade e Responsabilidade Social.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz – Registro CREMESP 9000039 – Responsável Técnico: Dr. Filipe Teixeira Piastrelli CRM: 152464/SP | RQE: 114416
Dr. Thiago Caetano – CRM: 172518/SP | RQE Cirurgia Geral: 84768 | RQE Urologia: 84957
Referências:
1 JAVIER, C.; CRIMSTON, C. R.; BARLOW, F. K. – “Revisão sistemática aponta alta satisfação e melhora da qualidade de vida após cirurgias de afirmação de gênero”. International Journal of Transgender Health, 2022. Disponível em: Link. Último acesso: 18/12/2025.















