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Disfagia: a causa silenciosa por trás de muitos engasgos fatais

  • Destaque 1-envelhescência, Envelhescência, Sub-Editoria Envelhescência
  • 2025-10-23
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Casos de engasgo fatal crescem no país e acendem alerta sobre prevenção

Uma simples refeição pode se transformar em uma situação de emergência — especialmente para idosos e crianças pequenas. A cada dia, pelo menos cinco pessoas morrem no Brasil por engasgo, segundo dados oficiais. Muitas dessas mortes estão ligadas à disfagia, uma condição ainda pouco conhecida, mas extremamente perigosa, que afeta a capacidade de engolir corretamente.

Em 2023, mais de 2.000 brasileiros morreram após episódios de engasgo — e mais da metade das vítimas tinha mais de 65 anos. No mesmo ano, 319 crianças de 0 a 4 anos também perderam a vida pelo mesmo motivo. Os dados são do Ministério da Saúde e revelam um cenário preocupante: muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas com prevenção e diagnóstico adequado da disfagia.

“A disfagia é um distúrbio muitas vezes subdiagnosticado, mas que pode ter consequências gravíssimas”, alerta a Dra. Luciana Costa, especialista em disfagia do Hospital Paulista. “Muitas pessoas não sabem que ela aumenta muito o risco de engasgo — algo que, principalmente entre idosos e crianças pequenas, pode ser fatal em poucos minutos.”

Engolir exige mais do corpo do que parece

Engolir não é tão simples quanto parece: envolve mais de 50 músculos, nervos e mecanismos coordenados. Quando algo falha nesse processo, partículas de comida ou líquido podem desviar para as vias respiratórias, provocando tosse, engasgos — e, em casos extremos, obstrução total e morte por asfixia.

“É um risco que muitas vezes passa despercebido no dia a dia”, explica a médica. “Principalmente em ambientes familiares, onde há menos vigilância e conhecimento sobre os sinais de alerta.”

Quem está mais vulnerável

A disfagia pode surgir como consequência de envelhecimento, mas também é comum após derrame cerebral (AVC), doenças neurológicas como Parkinson e Alzheimer, câncer de cabeça e pescoço, além de sequelas pós-intubação — o que se tornou mais frequente após a pandemia.

Crianças pequenas também fazem parte do grupo de risco, por ainda não terem o reflexo da deglutição plenamente desenvolvido.

Prevenção é chave — e começa no prato

A boa notícia é que boa parte dos casos pode ser evitada com medidas simples. “Adaptações como mudar a consistência dos alimentos, respeitar o ritmo da alimentação, e manter supervisão constante são fundamentais para reduzir os riscos”, orienta a Dra. Luciana Costa.

Ela ainda alerta para sinais importantes que indicam possível disfagia: tosse frequente durante as refeições, sensação de alimento parado na garganta, perda de peso sem causa aparente, voz “molhada” após beber líquidos, e pneumonias de repetição.

Dicas para reduzir o risco:

  • Sirva alimentos com a consistência adequada, especialmente para idosos e crianças;
  • Supervisione todas as refeições de pessoas em risco;
  • Evite que a pessoa fale ou ria durante a alimentação;
  • Mantenha a postura ereta durante e após as refeições;
  • Evite oferecer alimentos sólidos ou duros a crianças pequenas sem supervisão.

Sinais de alerta da disfagia:

  • Tosse ou engasgo ao comer ou beber
  • Mudança na voz após a alimentação
  • Sensação de alimento preso na garganta
  • Pneumonias recorrentes
  • Perda de peso inexplicada

E se o pior acontecer?

Saber agir é essencial. “Todo adulto deveria conhecer a manobra de Heimlich. Pode salvar vidas até a chegada do SAMU”, afirma a especialista.


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