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Galatea Salvador e Nara Roesler anunciam “Barracas e Fachadas do Nordeste”

  • Artes Visuais, Destaque 3, Sub-Editoria Tela, Tela
  • 2026-01-26
  • Sem comentários
  • 5 minutos de leitura

Adenor Gondim, Barraca de festas de largo da Bahia, dec. 1980/2026 (1980s/2026) | Crédito: Cortesia do artista

Fruto da parceria inédita entre as duas galerias, coletiva reúne mais de 60 obras dedicadas às paisagens culturais nordestinas. Abertura dia 30 de janeiro, junto à individual Gabriel Branco: A luz sem nome

A Galatea Salvador abre a programação de 2026 com duas exposições paralelas. Na primeira, une-se à galeria Nara Roesler para inaugurar Barracas e Fachadas do Nordeste, coletiva que propõe um diálogo entre Montez Magno, Mari Ra, Zé di Cabeça, Fabio Miguez e Adenor Gondim a partir de obras que retratam paisagem urbana e cultural do Nordeste. E, no espaço expositivo do Cofre, apresenta Gabriel Branco: A luz sem nome, série de pinturas em que o artista aprofunda sua pesquisa que parte do corpo, da luz e da cor como elementos estruturantes da composição. Ambas as aberturas acontecem no dia 30 de janeiro e alinham-se ao calendário festivo da cidade, que celebra Iemanjá no dia 2 de fevereiro.

Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea, e Alana Silveira, diretora da unidade Salvador, Barracas e Fachadas do Nordeste reúne mais de 60 obras, entre pinturas, fotografias e trabalhos em diferentes suportes, dos artistas Montez Magno, Mari Ra, Zé di Cabeça, Fabio Miguez e Adenor Gondim. A exposição toma como eixo temático as arquiteturas vernaculares que atravessam o cotidiano urbano e as manifestações culturais do Nordeste, propondo um diálogo entre diferentes gerações e linguagens.

Fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de festas populares e estruturas aparecem como elementos centrais da exposição, entendidos não apenas como construções funcionais, mas como formas carregadas de memória social e cultural. Esses elementos, recorrentes na paisagem nordestina, operam como dispositivos visuais e simbólicos que articulam práticas cotidianas, circulação urbana e expressão cultural.

Adenor Gondim e Montez Magno convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste a partir de abordagens distintas. Gondim, fotógrafo convidado especialmente para uma série para a coletiva, apresenta registros das barracas que marcaram as festas de largo de Salvador, enquanto Magno é representado por obras das séries Barracas do Nordeste (1972–1993) e Fachadas do Nordeste (1996–1997), nas quais referências da cultura popular são sintetizadas por meio da abstração geométrica.

Já Fabio Miguez, artista representado pela Nara Roesler, investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas, a partir de um olhar atento sobre o casario urbano e suas composições formais, em que geometria e cor estruturam a pintura. Para a exposição, o artista realizou uma viagem de pesquisa a Salvador e à Ilha de Itaparica, da qual resulta uma série inédita de pinturas concebidas especialmente para a mostra.

A dimensão urbana e migratória da mostra se amplia com Zé di Cabeça, criador do Acervo da Laje, cujas pinturas derivam de um amplo inventário visual do subúrbio ferroviário soteropolitano e evidenciam seu processo de transposição do desenho para o azulejo e, posteriormente, para a pintura. Enquanto Mari Ra aproxima fachadas de Recife e Olinda encontradas na Zona Leste de São Paulo, revelando vínculos formais produzidos pelos fluxos migratórios nordestinos.

Entre corpo, luz e abstração

Gabriel Branco: A luz sem nome é a primeira exposição individual de pinturas do artista paulistano Gabriel Branco (1997, São Paulo). A mostra ocupa o espaço expositivo do Cofre da unidade e reúne 10 pinturas inéditas, realizadas em 2025, com texto crítico assinado por Paulo Monteiro.

Na série apresentada, Branco aprofunda uma pesquisa que parte do corpo, da luz e da cor como elementos estruturantes da composição. Trabalhando com óleo e cera de abelha sobre tela, o artista constrói superfícies veladas e luminosas, nas quais formas orgânicas parecem emergir e, ao mesmo tempo, se dissolver. A pintura abstrata surge como um desdobramento direto com seus trabalhos na fotografia, especialmente no modo como a luz atua como agente de instabilidade e transformação da imagem.

Na abstração, o corpo aparece como referência inicial para o surgimento das formas. Partes de um corpo conformam outro corpo, que se adapta ao formato da tela e se reorganiza como uma espécie de estrutura orgânica. Essas formas, no entanto, não são fixas: ora evocam imagens reconhecíveis, ora se desfazem sob a ação da luminosidade, criando um campo ambíguo entre o abstrato e o figurativo.

Paulo Monteiro comenta em seu texto crítico que “Como toda arte abstrata que se livrou do apego aos argumentos racionais da vanguarda, a pintura de Gabriel é livre, e nessas formas podemos ver o que quisermos ver: um órgão sexual, ou o começo de uma onda, um astro no céu, a luz do sol. Tudo isso está ali presente, pulsando. E, de fato, não se está falando aqui da universalidade da arte abstrata. Estamos diante do avesso dela.”

A geometria também atravessa essa pesquisa. Em trabalhos anteriores, padrões visuais presentes em portões e estampas da periferia de São Paulo serviram como ponto de partida para o uso livre da cor. O triângulo, forma recorrente nesse momento inicial, adquire posteriormente uma dimensão luminosa e quase mística, articulando tensões entre o universal e o específico, entre símbolos compartilhados e experiências culturais situadas no contexto brasileiro.

A luz, no entanto, não atua apenas como elemento formal, mas como força capaz de desestabilizar as próprias formas do quadro. Em alguns trabalhos, a luminosidade incide de tal maneira que dissolve contornos e embaralha referências corporais e geométricas. Essa instabilidade aproxima a pintura da fotografia, outra prática central na trajetória de Gabriel Branco, na qual a luz e o ambiente urbano — especialmente das periferias de São Paulo — produzem camadas múltiplas de significado.

Na sequência de Gabriel Branco: A luz sem nome, o artista realiza uma exposição individual na ARCO Madrid, uma das principais feiras internacionais de arte contemporânea, marcando o início de sua representação pela Galatea.

As duas exposições e a parceria com a galeria Nara Roesler marcam a celebração dos dois anos da Galatea em Salvador e reafirmam o papel de sua sede na capital baiana como um espaço de convergência e articulação no circuito de arte contemporânea. Desde a sua chegada à cidade, em janeiro de 2024, a galeria tem atuado como plataforma de intercâmbio entre artistas, curadores, galerias, agentes culturais, colecionadores e o público, em diálogo com o momento de revitalização do centro histórico de Salvador e de fortalecimento de sua vida cultural.

Serviço:

Barracas e Fachadas do Nordeste

Curadoria: Tomás Toledo e Alana Silveira

Local: Galatea Salvador

Endereço:  R. Chile, 22 – Centro, Salvador – BA

Abertura: 30 de janeiro das 18h às 21h

Período expositivo: 30 de janeiro a 30 de maio de 2026

Horários: Terça à quinta das 10h às 19h | Sexta das 10h às 18h | Sábado das 11h às 15h

Ingresso: Gratuito 

Gabriel Branco: A luz sem nome

Texto crítico: Paulo Monteiro

Local: Galatea Salvador

Endereço:  R. Chile, 22 – Centro, Salvador – BA

Abertura: 30 de janeiro das 18h às 21h

Período expositivo: 30 de janeiro a 30 de maio de 2026

Horários: Terça à quinta das 10h às 19h | Sexta das 10h às 18h | Sábado das 11h às 15h

Ingresso: Gratuito 

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