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Leite humano tem papel fundamental na redução da mortalidade infantil e recuperação de bebês prematuros 

  • Destaque 2-vitalidade, Saúde, Sub-Editoria Vitalidade, Vitalidade
  • 2025-10-22
  • Sem comentários
  • 4 minutos de leitura

Créditos: Divulgação / Hospital Geral de Itapevi

Especialista do CEJAM destaca como o aleitamento exclusivo pode reduzir riscos e ainda fortalecer o vínculo mãe-bebê;   Hospital Geral de Itapevi fortalece aleitamento com o Banco de Leite – Lactare 

O leite humano tem sido amplamente reconhecido pela ciência como o alimento mais completo para os recém-nascidos. No caso de bebês prematuros ou em situação de risco, ele se torna ainda mais essencial. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o aleitamento exclusivo pode reduzir em até 13% a mortalidade infantil entre menores de cinco anos. Para prematuros, os benefícios são ainda mais significativos: pesquisas publicadas no Journal of Pediatrics mostram que o uso do leite humano reduz em até 58% a incidência de enterocolite necrosante, uma das complicações mais graves nesse grupo.

De acordo com o ginecologista obstetra Dr. Fábio Hideo, do Hospital Geral de Itapevi, unidade gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), o leite humano pode ser considerado a “primeira vacina” do bebê. “Nos primeiros dias de vida, o colostro é rico em anticorpos, proteínas e fatores imunológicos que reduzem infecções e favorecem o amadurecimento intestinal, promovendo um início de vida mais saudável”, afirma o especialista.

Quando a mãe não pode amamentar, seja por condições clínicas, uso de medicamentos ou internação, o leite humano pasteurizado torna-se a melhor alternativa. Ele é indicado especialmente para recém-nascidos prematuros extremos, cardiopatas e bebês com baixo peso. Segundo o médico, o leite doado “reduz a incidência de doenças como sepse e enterocolite, favorece o ganho de peso de forma fisiológica e melhora a digestibilidade”.

A ciência reforça essa visão. Um estudo de 2023, publicado pela American Academy of Pediatrics apontou que o uso do leite humano, seja da própria mãe ou doado, está associado a um menor tempo de internação hospitalar e menor necessidade de antibióticos em unidades de terapia intensiva neonatal.

Apesar de seguro e eficaz, o leite doado não substitui integralmente o leite da mãe. O médico ressalta que cada mulher produz um leite com composição única, ajustada às necessidades do próprio filho. Ainda assim, o leite humano pasteurizado “é uma alternativa altamente eficaz até que a mãe consiga oferecer o seu leite”.

Outro impacto positivo do aleitamento está no vínculo afetivo. O especialista explica que o ato de nutrir o bebê reforça a sensação de cuidado e proteção. “No caso da amamentação direta, há estímulos táteis, olfativos e emocionais que fortalecem essa conexão entre mãe e filho”, diz.

No Brasil, os bancos de leite humano são referência internacional e já ajudaram a salvar milhares de vidas. Segundo dados da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, coordenada pela Fiocruz, mais de 219 mil recém-nascidos foram beneficiados apenas em 2023. Ainda assim, a demanda é crescente e a doação continua sendo um desafio. “O leite doado é um ato de solidariedade comparável à doação de sangue. Cada frasco pode ajudar vários bebês a superar seus primeiros e mais delicados desafios”, enfatiza Dr. Fábio Hideo.

A indisponibilidade de leite humano, por outro lado, leva muitas vezes ao uso precoce de fórmulas infantis. Embora sejam úteis, elas não oferecem os fatores imunológicos, enzimáticos e anti-inflamatórios presentes no leite humano. Isso aumenta o risco de complicações intestinais e infecções hospitalares.

O Brasil avançou significativamente em políticas públicas de incentivo ao aleitamento e à doação de leite, mas o desafio permanece. “O ritmo é positivo, mas a demanda exige esforços contínuos. É preciso ampliar campanhas educativas, estimular doações e oferecer maior suporte às mães no pós-parto”, conclui o médico.

Hospital Geral de Itapevi fortalece aleitamento com o Banco de Leite – Lactare 

No Hospital Geral de Itapevi (HGI), gerenciado pelo CEJAM em parceria com SES-SP, a promoção do aleitamento humano ganhou reforço com o Banco de Leite – Lactare, da Eurofarma. 

O programa Lactare atua em diferentes frentes: como na coleta domiciliar, pasteurização e distribuição do leite humano doado para UTIs neonatais de hospitais públicos, apoio integral à mulher com atendimento gratuito com ginecologistas, nutricionistas, enfermeiras e outros profissionais, bem como em ações educativas, como participação das rodas de conversa, dos encontros de gestantes e atendimentos beira leito intra-hospitalar para incentivar a doação de leite e apoiar mães lactantes na unidade hospitalar.

O objetivo dessa parceria é promover, apoiar e facilitar o aleitamento, garantindo que mais bebês tenham acesso ao leite humano, especialmente os internados em UTIs neonatais, ao mesmo tempo em que oferece o cuidado integral às mães.

“As doadoras passam por uma triagem clínica e recebem acolhimento e orientações sobre as boas práticas de extração, tanto na sala de coleta de leite humano do hospital, quanto nos atendimentos domiciliares realizados pelo Lactare. O leite é coletado em frascos esterilizados, passa por análise, pasteurização e testes microbiológicos. Somente os lotes que comprovadamente atendem aos critérios de segurança são destinados aos bebês”, explica a nutricionista do Hospital Geral de Itapevi, Brunna Escher. Todo o protocolo segue as diretrizes da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) e da Anvisa.

Atualmente, o banco de leite do Lactare processa, em média, 60 litros de leite humano pasteurizado por mês exclusivamente para abastecer o hospital. “A capacidade de processamento varia conforme a quantidade de leite humano doado e também de acordo com a demanda do hospital, que depende do número de internações de bebês prematuros. Cada gota de leite humano doado é um ato de solidariedade que pode fazer a diferença na recuperação clínica de vários recém-nascidos”, completa Brunna.

O programa também desenvolve ações educativas voltadas à comunidade. A equipe oferece atendimentos individuais e coletivos sobre técnicas de extração do leite humano, armazenamento, prevenção de intercorrências como ingurgitamento e fissuras mamárias, além de orientações sobre a pega correta e a importância do aleitamento exclusivo. “O foco é acolher e fortalecer o vínculo entre mãe e bebê, para que a amamentação seja vivida de forma segura e confiante”, ressalta a nutricionista.

Todo esse trabalho é realizado pela parceria entre o Lactare e a equipe multiprofissional do HGI (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fonoaudióloga, nutricionistas e outros profissionais).

Para ampliar as doações, o hospital mantém campanhas internas de promoção à amamentação com pacientes e familiares, além da capacitação dos profissionais.

“Nosso compromisso é fortalecer o direito de cada bebê a receber o alimento que é puro afeto e vida: o leite humano. Queremos incentivar a doação como um gesto de solidariedade que une a comunidade e garante que todos os pequenos, independentemente de sua condição, tenham acesso a esse alimento tão precioso e transformador”, finaliza.

Sobre o CEJAM     

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