Em 18 de outubro, data que celebra a profissão, a reflexão recai sobre a importância do cuidado ampliado, da escuta ativa e da atuação interdisciplinar
Nunca se viveu tanto, como vivemos hoje. A longevidade é uma realidade não só no Brasil, como no mundo todo. Graças aos avanços em termos de diagnósticos, tratamentos e medicamentos, o ser humano consegue viver mais, mesmo com diagnósticos que outrora ameaçavam iminentemente a vida.
Por outro lado, vive-se mais, porém nem sempre com qualidade de vida (Garmany e Terzic, 2024). Essa mudança demográfica traz desafios para os sistemas de saúde: no Brasil, 52% das pessoas com 18 anos ou mais apresentam o diagnóstico de alguma doença crônica, segundo Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE. As chamadas Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) são a principal causa de morte nas Américas (Opas, 2024).
Diante deste cenário, faz-se urgente olhar para inovações e intervenções no âmbito da saúde, sobretudo para o papel do médico frente a essas transformações. Utilizar somente o tradicional modelo assistencial, focado na doença, com ênfase curativa, não dá conta mais de responder aos desafios atuais.
O modelo biopsicossocial, centrado na pessoa e com cuidados preventivos emerge com uma das ferramentas capazes de preparar os profissionais médicos para uma população cada vez mais envelhecida e com doenças que exigem mais do que intervenções pontuais e sim, cuidados para a vida toda.
“Os cuidados preventivos são muito mais do que dominar técnicas e medicamentos para prevenir doenças. A ‘longevidade com qualidade’ é o que se almeja cada vez mais. E, por isso, o profissional médico deve estar atento aos novos estudos dos mecanismos moleculares e celulares do envelhecimento. Isso fará com que novas estratégias terapêuticas sejam investigadas para uma longevidade saudável”, explica Dra. Rita de Cássia Salhani Ferrari, head de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação da Marjan Farma.
Para isso, é necessário entender o contexto que o paciente vive, seu nível de entendimento em saúde e procurar compreender que apesar das doenças terem critérios bem definidos, vários fatores genéticos e ambientais, como dieta, atividade física, obesidade e estresse, influenciam a saúde bem como a longevidade. Conviver com uma doença crônica como o diabetes, por exemplo, pode representar muito além do aumento do açúcar no sangue, mas também o impacto emocional de uma rotina com constantes medições de glicemia e a vergonha e culpabilização do diagnóstico, entre outros fatores sociais e econômicos que acometem o indivíduo.
Outro desafio é o comportamento dos pacientes em relação à própria saúde, que também passou por profundas transformações. Desde a popularização dos medicamentos genéricos, que inaugurou um novo momento de empoderamento do paciente, ao permitir a comparação de preços e opções, até a expansão da era digital, as pessoas passaram a ter acesso direto a informações antes restritas aos profissionais de saúde. Atualmente, médicos estão lidando com pacientes cada vez mais exigentes e que questionam as informações, não mais as aceitando de forma passiva.
“Essa mudança redefiniu a relação médico-paciente, tornando-a mais horizontal e participativa, baseada na troca e no diálogo. Sendo assim, o médico deve se comprometer cada vez mais com uma postura de facilitador da mudança, semeando hábitos saudáveis e impulsionando o cuidado de si. Sabemos das limitações dos atuais modelos de saúde vigentes, mas precisamos, nós, enquanto médicos, fazer a nossa parte em busca de uma medicina humana, ética e que coloca o cuidado integral do paciente sempre em primeiro lugar”, finaliza.
Cada pessoa adoece de uma forma diferente e entender e acolher essas demandas, colocando-se como parceiro nesta jornada pode fazer toda a diferença no sistema de saúde.















