“Se tudo reflete com a mesma intensidade, você perde o desenho da maquiagem”, afirma Carlos Moura
Uma máscara cosmética de pepino está entre os ingredientes de uma fórmula que chamou a atenção pelo efeito de “pele de porcelana”. Aplicada sobre a maquiagem, a mistura cria uma superfície brilhante, quase envernizada, que dá ao rosto uma aparência de boneca e oferece uma referência para produções de Halloween.
O acabamento ganhou destaque no desfile de Alta-Costura Verão 2024 da Maison Margiela, com beleza assinada por Pat McGrath. A composição reunia diferentes máscaras faciais, incluindo uma de pepino do tipo peel-off, água e outros produtos. A película formada pela mistura produzia o aspecto artificial e reflexivo. Para explorar a aparência de boneca em uma interpretação própria, o brasileiro Carlos Moura, maquiador e fotógrafo radicado em Londres, aposta em cores frias e contrastes metálicos.
No ensaio que maquiou e fotografou, olhos azuis, tons de violeta, sobrancelhas prateadas e lábios coloridos constroem a personagem. O prata aparece próximo aos olhos e no centro do rosto, enquanto as cores mais intensas preservam o desenho da composição. “O cuidado é distribuir o brilho para que os detalhes continuem aparecendo. Se tudo reflete com a mesma intensidade, você perde o desenho da maquiagem”, afirma.
Para adaptar essa linguagem ao Halloween, Carlos sugere começar por um elemento que conduza as demais escolhas. “Eu começaria por um detalhe que a pessoa goste. Um olho azul intenso pode conversar com um chapéu ou um lenço, por exemplo”, explica. Nessa proposta, a conexão entre maquiagem e figurino pode surgir pela repetição de uma cor, sem depender de uma fantasia completa.
Chapéus, véus e sobreposições reforçam a atmosfera teatral das imagens, mas os detalhes também podem ser aproveitados isoladamente. A proposta é encontrar uma combinação que funcione para quem vai usá-la, em vez de tratar a fotografia como um modelo fechado. “Não precisa copiar o ensaio inteiro: o interessante é usar essas referências para criar a própria personagem”, conclui.











