Ciência que integra corpo, mente e emoções ganha espaço em escolas, clínicas e no cotidiano, oferecendo recursos para aprendizagem, inclusão e qualidade de vida
A neuropsicomotricidade, ciência que estuda a integração entre movimento, cognição e emoções, vem ganhando relevância por seu papel no desenvolvimento motor, emocional e cognitivo. Presente desde os primeiros movimentos básicos de um bebê, como rolar, engatinhar e andar, ela não se limita à infância: também auxilia adultos no manejo do estresse e contribui para que idosos mantenham a mobilidade e a capacidade cognitiva.
Na prática clínica, é utilizada para diagnosticar e tratar condições como autismo, transtornos de aprendizagem e distúrbios motores. Profissionais avaliam aspectos como coordenação, tônus muscular, equilíbrio e percepção espacial antes de propor intervenções personalizadas. “Cada pessoa apresenta um ritmo e uma forma de desenvolver suas habilidades. A neuropsicomotricidade permite adaptar os estímulos para que o paciente avance de acordo com suas necessidades e potencialidades”, afirma Mara Duarte da Costa, neuropedagoga e diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação.
Em crianças com atraso no desenvolvimento, atividades lúdicas estimulam fases importantes, como engatinhar e se equilibrar, enquanto em adolescentes e adultos os exercícios fortalecem a percepção corporal e favorecem o bem-estar físico e emocional. “Quando a criança rola, engatinha ou brinca de equilibrar-se, ela não está apenas se movimentando: está estruturando as bases para a escrita, a leitura e a organização do pensamento. É a partir do corpo que a aprendizagem se consolida”, complementa Mara.
Educação infantil
O campo também tem avançado na educação. Escolas que incorporam a neuropsicomotricidade oferecem um ambiente mais favorável à aprendizagem e ao desenvolvimento socioemocional. Na educação infantil, jogos de percepção visual, atividades de equilíbrio e exercícios de coordenação fina (como o uso de tesouras e lápis) preparam as crianças para etapas como a alfabetização.
Entre as práticas recomendadas estão:
- Balanço e gangorra: estimulam o sistema vestibular, essencial para o equilíbrio.
- Rolamento e rastejamento: trabalham coordenação e fortalecem a musculatura usada na escrita.
- Caminhar em linha reta: melhora o equilíbrio dinâmico e a atenção.
- Jogo da estátua: incentiva a concentração e o controle da imobilidade.
“As escolas que compreendem o valor da neuropsicomotricidade conseguem resultados muito mais consistentes. A criança que desenvolve equilíbrio, coordenação e atenção aprende com mais segurança, pois já estruturou seu corpo para que os processos cognitivos possam se desenvolver e funcionar de maneira eficaz”, explica a especialista.
As atividades não exigem equipamentos sofisticados e podem ser realizadas também em casa pelos pais. Além de melhorar o desempenho físico, elas favorecem atenção, memória e organização espacial, competências fundamentais para o sucesso escolar. Na vida adulta, práticas que estimulam a coordenação corporal ajudam a reduzir a ansiedade, melhorar o sono e aumentar a sensação de bem-estar. Já na terceira idade, exercícios supervisionados de equilíbrio e caminhadas auxiliam na prevenção do declínio cognitivo e motor.
Durante a infância, considerada a fase mais decisiva, a neuropsicomotricidade potencializa o desenvolvimento neuropsicomotor e influencia diretamente os processos de aprendizagem. O acompanhamento de fatores como coordenação, postura e percepção espacial ajuda a preparar a criança para desafios escolares e sociais.
“É na infância que conseguimos estruturar as bases do desenvolvimento humano. Quanto mais cedo trabalharmos corpo e mente de forma integrada, maiores serão as chances de formar indivíduos autônomos e seguros”, avalia Mara.
A neuropsicomotricidade, portanto, ultrapassa o simples movimento físico e se afirma como recurso essencial para promover saúde, inclusão e qualidade de vida. Aplicada em clínicas, escolas e no cotidiano, ela oferece ferramentas acessíveis para otimizar o desenvolvimento integral do ser humano. “Cada criança é um mundo. Quando entendemos isso e utilizamos a neuropsicomotricidade como instrumento, ampliamos as possibilidades de aprendizado e de qualidade de vida em todas as fases”, conclui a diretora.
Sobre Mara Duarte da Costa
Mara Duarte da Costa é neuropedagoga, psicopedagoga, diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação. Além disso, atua como mentora, empresária, diretora geral da Fatec e diretora pedagógica e executiva do Rhema Neuroeducação. As instituições já formaram mais de 90 mil alunos de pós-graduação, capacitação on-line e graduação em todo o Brasil. Para mais informações, acesse instagram.com/maraduartedacosta.















