O cinema brasileiro alcançou um feito inédito na noite deste domingo (2), em Los Angeles (EUA). O filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025. Esta é a primeira vez que uma produção nacional leva a cobiçada estatueta na categoria, marcando um momento histórico para o audiovisual do país.
A produção brasileira venceu concorrentes de peso: “A Garota da Agulha” (Dinamarca), “Emilia Pérez” (França), “A Semente do Fruto Sagrado” (Alemanha) e “Flow” (Letônia). A categoria foi anunciada pela renomada atriz espanhola Penélope Cruz.
Ao receber o prêmio, Walter Salles emocionou o público ao dedicar a conquista a Eunice Paiva, personagem central da obra, interpretada por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro. “Em nome do cinema brasileiro, é uma honra tão grande receber isso de um grupo tão extraordinário. Isso vai para uma mulher que, depois de uma perda tão grande no regime tão autoritário, decidiu não se dobrar e resistir. Esse prêmio vai para ela: o nome dela é Eunice Paiva”, declarou o diretor.
Um filme que emocionou o mundo
Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, “Ainda Estou Aqui” narra a trajetória de Eunice Paiva, advogada e ativista que passou 40 anos buscando a verdade sobre o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, ex-deputado federal assassinado durante a ditadura militar. O filme é uma produção original do Globoplay e se destacou pelo forte impacto emocional e relevância histórica.
Desde sua estreia em novembro de 2024, a obra foi amplamente aclamada pela crítica e pelo público, atraindo mais de 5 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros. Seu sucesso impulsionou ainda mais o interesse pelas produções nacionais, consolidando o Brasil como um dos grandes polos do cinema mundial.
Celebração nacional
A vitória foi recebida com entusiasmo no Brasil, onde a premiação coincidiu com o domingo de Carnaval, transformando-se em um motivo de celebração coletiva. A conquista também evidencia o crescimento do mercado cinematográfico brasileiro, que registrou um aumento significativo na participação de filmes nacionais nas salas de cinema.
“Esse reconhecimento mundial evidencia a potência das nossas narrativas, a qualidade da nossa produção audiovisual e a capacidade do Brasil de emocionar e impactar plateias ao redor do mundo”, afirmou Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura.
Outras premiações e reconhecimento internacional
Além do Oscar, “Ainda Estou Aqui” acumulou uma série de prêmios importantes no cenário internacional, incluindo:
- Globo de Ouro: Melhor Atriz de Drama (Fernanda Torres);
- Prêmios Goya (Espanha): Melhor Filme Ibero-Americano;
- Festival Internacional de Roterdã (Holanda): Prêmio do Público;
- Festival de Veneza (Itália): Melhor Roteiro;
- Cinema for Peace (Berlim): Filme Mais Valioso do Ano;
- Associação de Jornalistas Latinos de Entretenimento (LEJA): Fernanda Torres – Melhor Atriz.
A produção também foi indicada nas categorias de Melhor Atriz (Fernanda Torres) e Melhor Filme na cerimônia do Oscar, mas perdeu para “Anora” nessas disputas.
Impacto para o futuro do cinema brasileiro
O triunfo de “Ainda Estou Aqui” reforça o prestígio do cinema nacional e abre portas para futuras produções brasileiras no cenário internacional. O reconhecimento da Academia de Hollywood evidencia a capacidade do Brasil de contar histórias universais com profundidade e qualidade cinematográfica.
“Que essa conquista inspire ainda mais o público e que continuem prestigiando e se reconhecendo nas histórias que contamos”, concluiu a secretária da SAV. Com essa vitória, o Brasil entra definitivamente para a história do Oscar e do cinema mundial.

















