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Saiba qual o impacto do consumo de café na saúde da mulher

  • Destaque 1-envelhescência, Envelhescência, Sub-Editoria Envelhescência
  • 2025-07-01
  • Sem comentários
  • 2 minutos de leitura

Por Karoline Albini Schast

A relação entre o consumo moderado de café e a saúde tem sido tema de diversas investigações científicas. Um estudo robusto da Universidade de Harvard, baseado nos dados do Nurses’ Health Study, acompanhou mais de 47 mil mulheres por três décadas e revelou que o consumo diário de 1 a 3 xícaras de café com cafeína na meia-idade esteve associado a maior chance de envelhecimento saudável — definido como a ausência de doenças crônicas, boa saúde cognitiva, função física preservada e bem-estar mental.

Os benefícios observados parecem estar relacionados à combinação de compostos bioativos presentes no café, como os polifenóis e a cafeína, que exercem efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, contribuindo para a proteção cardiovascular, modulação da sensibilidade à insulina e neuroproteção. No entanto, é importante ressaltar que tais efeitos foram exclusivos do café com cafeína — não sendo replicados em bebidas descafeinadas ou em outras fontes de cafeína, como chás e refrigerantes.

A escolha por mulheres na pesquisa se deve ao delineamento do estudo original, mas levanta discussões relevantes sobre o papel da cafeína na saúde feminina. Durante a meia-idade, especialmente na transição para a menopausa, há um aumento do estresse oxidativo e da inflamação sistêmica, associados a alterações hormonais que elevam o risco de doenças crônicas. Assim, o café pode atuar como fator protetor adicional nesse contexto, desde que consumido com moderação.

Apesar dos possíveis benefícios, é essencial compreender a farmacocinética da cafeína. Sua meia-vida no organismo varia entre 4 e 6 horas em adultos, podendo ser prolongada em gestantes ou em mulheres que utilizam anticoncepcionais orais, devido à modificação do metabolismo hepático. Por isso, recomenda-se evitar o consumo de café pelo menos 6 horas antes do horário habitual de sono, a fim de preservar o ritmo circadiano e a qualidade do sono — fatores que impactam diretamente a saúde metabólica, imunológica e hormonal.

Além disso, o consumo excessivo de cafeína (acima de 400 mg/dia, ou cerca de 4 a 5 xícaras pequenas de café) pode estar associado a efeitos adversos, como ansiedade, taquicardia, insônia, alterações gastrointestinais e interferência na absorção de micronutrientes. Em mulheres com predisposição a transtornos ansiosos ou condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), o excesso de cafeína pode ser contraproducente, contribuindo para a piora de sintomas hormonais e neurocomportamentais.

O café, portanto, pode ser um aliado à saúde da mulher, sobretudo quando inserido em um padrão alimentar equilibrado, livre de açúcares adicionados e respeitando os limites individuais de tolerância. Como hábito cultural enraizado — especialmente no Brasil, maior produtor mundial da bebida —, o café ganha ainda mais relevância ao se mostrar, também, uma ferramenta de promoção de saúde e longevidade.

*Karoline Albini Schast é nutricionista, especialistas em comportamento e fitoterapia, além de professora do Bacharelado de Nutrição do Centro Universitário Internacional Uninter.

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