Especialista explica por que a prática de atividades físicas é um dos pilares nos cuidados com a mente
Durante muito tempo, quando se falava em longevidade cerebral, a recomendação era quase sempre a mesma: fazer palavras cruzadas, exercitar a memória, ler mais ou aprender novos idiomas. Essas estratégias continuam sendo importantes, mas um número crescente de pesquisas mostra que existe um caminho ainda mais poderoso para preservar o cérebro: movimentar o corpo.
Um estudo da Universidade de Pittsburgh, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), demonstrou que a prática regular de exercícios físicos pode aumentar o volume do hipocampo, região do cérebro responsável pela memória e pelo aprendizado.
Essa relação é também reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em suas Diretrizes sobre Atividade Física e Comportamento Sedentário, a entidade destaca que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de declínio cognitivo, demência e depressão, além de melhor qualidade do sono e maior bem-estar ao longo da vida.
O tema ganha destaque no Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, quando especialistas chamam a atenção para uma mudança importante na forma como a ciência compreende a relação entre saúde física e saúde mental.
“Hoje, já se sabe que músculos, coração e cérebro trabalham em sintonia. Caminhar, correr, praticar atividades físicas e desenvolver força muscular não beneficiam apenas o condicionamento físico, mas também a memória, a concentração, o humor, a criatividade e a proteção contra doenças neurodegenerativas”, explica Juliana Romantini, treinadora corpo & mente, especialista em mindfulness e em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University.
Para a especialista, essa evolução representa uma ampliação do conhecimento científico sobre a saúde cerebral. Se antes o foco estava quase exclusivamente em estimular o cérebro por meio de atividades cognitivas, hoje as evidências mostram que esse cuidado precisa caminhar junto com a preservação da saúde física, especialmente da massa muscular.
“Estimular a mente com leitura, jogos, novos aprendizados e exercícios de memória continua sendo importante. O que a ciência acrescentou nos últimos anos é que o cérebro também depende do estado do nosso corpo para funcionar bem. A manutenção da massa muscular exerce um papel fundamental nesse processo, porque favorece um metabolismo mais saudável e desencadeia respostas biológicas capazes de fortalecer as conexões neurais e aumentar nossa capacidade de adaptação ao estresse. O cérebro não está separado do restante do organismo; ele faz parte de um sistema integrado”, destaca.
Reserva metabólica – Segundo Romantini, quando nos movimentamos, não estamos apenas queimando calorias. Estamos reduzindo processos inflamatórios, equilibrando hormônios, melhorando a circulação sanguínea e favorecendo a oxigenação cerebral.
“O cérebro é um dos órgãos que mais consomem energia no corpo. Por isso, preservar a massa muscular vai muito além da força física: ela funciona como uma importante reserva metabólica, ajudando o organismo a manter um metabolismo eficiente e a garantir a energia necessária para o bom funcionamento cerebral. A longevidade do cérebro depende também da saúde dos músculos. Isso significa que cuidar da mente envolve estimular o cérebro, mas também manter o corpo em movimento e preservar os músculos”, reforça Romantini.
Nos treinamentos e programas que conduz, ela também tem observado que pessoas que incorporam o movimento à rotina também desenvolvem maior percepção corporal, mais presença e uma relação mais saudável com as próprias emoções.
“Quando o corpo entra em movimento, a mente também encontra novos caminhos. Muitas pessoas relatam que é durante uma caminhada, uma corrida ou uma prática consciente que conseguem organizar pensamentos, aliviar a ansiedade e tomar decisões importantes”, relata.
Para a especialista, o desafio não é convencer as pessoas de que o cérebro precisa de estímulos cognitivos, mas ampliar a compreensão de que a saúde cerebral também depende da integração entre corpo e mente.
“O cérebro conversa o tempo todo com os músculos, com o coração, com o intestino, com a respiração e com todos os sistemas do corpo. Quanto mais entendemos essa integração, mais percebemos que a longevidade cerebral é construída pelas escolhas que fazemos diariamente”, finaliza Romantini.
Juliana Romantini – É referência em desenvolvimentofísico-mental com 25 anos de experiência em integração de corpo e mente. Especialista em Mindfulness e certificada em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard University, possui ampla experiência em promover práticas que equilibram o bem-estar mental e físico na busca por uma vida mais equilibrada e saudável. Graduada em Educação Física e pós-graduada em Reabilitação Cardíaca e Grupos Especiais (obesos, gestantes, hipertensos), é criadora do método Prática Integral, que há mais de 10 anos vem transformando vidas ao promover saúde e expansão de consciência.
Sobre a Prática Integral – Método de treinamento físico e mental para auxiliar a atingir o potencial máximo em saúde, bem-estar e equilíbrio através dos seguintes pilares: movimento, viver no agora, contato com a natureza, senso de comunidade, autoconhecimento, equilíbrio, generosidade e comportamento alimentar.













