Descubra estratégias simples e afetuosas para transformar a hora da refeição em um momento saudável e prazeroso em família.
A obesidade e os maus hábitos alimentares têm múltiplas causas, mas algumas atitudes práticas no dia a dia podem fazer grande diferença. “O que a criança não conhece, não sente falta. Ela é como um livro em branco e precisa ser apresentada aos alimentos de forma positiva.
Até os 2 anos (ou preferencialmente até os 5), recomenda-se evitar doces, refrigerantes e ultraprocessados. Afinal, se a criança nunca experimentou, dificilmente vai sentir vontade. Para as que já foram expostas, vale organizar melhor os ambientes da casa, deixando frutas e legumes à vista e acessíveis.
Pensando em apoiar famílias que enfrentam esse desafio, reunimos 9 dicas eficazes para estimular a criança a comer melhor.
1. Explique que exceção não é regra
Pizza no jantar ou sorvete na sobremesa podem, sim, fazer parte — mas não todos os dias. Deixe claro que são momentos especiais e que o prazer está também nos alimentos naturais.
2. Dê o exemplo
Criança aprende muito mais pelo que vê do que pelo que ouve. Não adianta pedir que ela coma frutas se você está comendo bolo recheado. O prato dos adultos deve refletir o que se espera da criança.
3. Crie momentos agradáveis antes e durante a refeição
Convide seu filho para ajudar na cozinha, nem que seja para lavar folhas ou mexer a massa. Quando participam da preparação, eles tendem a experimentar com mais curiosidade.
4. Evite distrações
Televisão, celular e brinquedos afastam a atenção da comida. A prática da atenção plena, ou mindful eating, ajuda a criança a perceber melhor sabores, texturas e sinais de saciedade.
5. Tenha atitudes positivas sobre a comida
Nada de ameaças, chantagens ou brigas à mesa. Pressionar a criança só gera traumas e pode criar aversão a novos alimentos.
6. Leve a criança à feira ou ao mercado
Transforme a compra em aprendizado. Permita que ela escolha dois alimentos para levar e preparar em casa.
7. Invista em diferentes formas de preparo
Um mesmo alimento pode ser apresentado de diversas formas — cozido, assado, cru, ralado, em purê ou até em receitas criativas. Para dizer que realmente não gosta, a criança precisa experimentar várias vezes.
8. Não use o doce como chantagem
Evite frases como “se comer a salada, ganha sobremesa”. Esse hábito reforça a ideia de que verduras são ruins e só valem a pena se houver prêmio.
9. Foque no que a criança pode comer
Ao invés de destacar proibições, mostre variedade: frutas coloridas, legumes em diferentes cortes, pratos saborosos. Assim, ela percebe possibilidades, e não restrições.
Perguntas frequentes
- Quantas vezes devo oferecer um alimento até meu filho aceitar?
De 8 a 10 vezes, em diferentes dias e formas de preparo. - E se a criança recusar mesmo após várias tentativas?
Continue oferecendo sem pressão. O tempo de aceitação varia. - Posso dar ultraprocessados de vez em quando?
Sim, mas apenas como exceção e em versões menos artificiais. - E se meu filho só quiser os mesmos alimentos?
Mantenha os preferidos, mas introduza novidades junto a eles. Isso dá segurança e abre espaço para a variedade.
Seletividade alimentar: quando o desafio é maior
Muitas famílias relatam que a hora da refeição vira uma verdadeira negociação. Segundo o NHS, serviço público britânico de saúde, mais da metade das crianças apresenta seletividade alimentar em algum momento. O que fazer?
- Dê autonomia – Permita que a criança escolha entre duas opções e não a force a comer.
- Não rotule alimentos como bons ou ruins – Ensine equilíbrio, não proibição.
- Faça da refeição um momento prazeroso – Converse, leia um livro junto, torne a mesa um lugar agradável.
- Respeite o apetite – O crescimento tem fases, e o apetite pode variar. Cabe aos pais definir horários e opções, mas a quantidade deve ser escolhida pela criança.
- Envolva-os no preparo – Desde pôr a mesa até ajudar a cortar legumes, a participação desperta interesse.
A refeição como experiência afetiva
Estimular a criança a comer melhor não significa apenas “colocar comida no prato”. É um processo contínuo que exige paciência, consistência e, principalmente, afeto. O segredo está em oferecer variedade, dar exemplo e transformar a mesa em um espaço de convivência positiva.
E você? Já colocou alguma dessas dicas em prática? Compartilhe sua experiência — ela pode inspirar outras famílias a tornar a alimentação infantil mais saudável e prazerosa.















